domingo, 31 de agosto de 2008

SIMPLICIDADE E SABEDORIA



Meu amigo, conterrâneo e confrade da ABER (Academia Brasileira de Extensão Rural), Mário Amorim,me enviou esta mensagem, que passo a compartilhar com os demais amigos.

Sobre Simplicidade e Sabedoria

Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.

Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.

No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.

Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.

Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).

O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.

Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“

Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“

Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“

Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...

A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.

O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.

As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.

Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.

Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.

Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples.

(Concerto para corpo e alma, pg. 09.)

Rubens Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MEU CORAÇÃO FALA POR MIM É OBAMA E ANGELIM






Eu tenho clareza que ninguém chega a Presidência dos Estados Unidos, IMPUNEMENTE, mas, torço para que Obama conquiste o eleitorado americano e chegue a Casa Branca, que sempre foi ocupada por brancos. Um Negro na Casa Branca, definitivamente, é uma mudança de paradigma. Aqui em Rio Branco ,meu coração fala por mim -VOTO ANGELIM.

Barack Obama e família

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A VÓZ DAS SELVAS - 64 ANOS NO AR



Hoje, 25 de agosto, a Rádio Difusora Acreana, "A Vóz das Selvas" e a "Número UM" completa 64 anos de existência. São mais de 6 décadas de bons serviços prestados a sociedade acreana com informaçóes,entretenimentos, serviços de utilidade pública, esportes, músicas e tudo mais que só a magia do rádio pode proporcionar. Quero parabenizar os comunicadores e demais servidores da Difusora nesta grande data da radiofonia acreana. Agradeço também pelo espaço que me foi concedido para apresentar o programa de MPB -" É Cantando Que a Gente Se Entende", que fazemos todos os sábados das 11 ao meio dia. A Vóz das Selvas vai continuar a embalar nossas esperanças e os nossos melhores sonhos.


DIFUSOOOOOOOORA!!

domingo, 24 de agosto de 2008

VARGAS - 54 ANOS DO TIRO QUE MUDOU A HISTÓRIA






Há 54 anos, Getúlio Dorneles Vargas, "Saiu da vida para entrar na história". Vargas, denominado o "pai dos pobres", mas que na verdade foi "uma mãe para os ricos" é um dos raros políticos brasileiro, que possuiu as qualidades da FORTUNA e da VIRTUDE, que para Maquiavel são os dois eixos principais onde se desenvolvem as ações políticas e o exercício do poder. Com aquele tiro no coração, na madrugada de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas, adiou o golpe político da direita brasileira em 10 anos e reverteu a situação política que lhe era extremamente desfavorável. Em 1954, eu tinha 6 anos e estava em Fernando Noronha. Naquele dia não tivemos aula e a Bandeira brasileira da escola ficou hasteada a meio pau.


Algumas frases atribuidas a Vargas:

."Política é esperar o cavalo passar."

"O que me interessa são as versões e não os fatos."

"Nesse meu Ministério, a metade não é capaz de nada, a outra metade é capaz de tudo," (Desabafando sobre a postura do seu Ministério na Crise de 54.)




CARTA TESTAMENTO DE VARGAS



"Mais uma vez, as forças e os interesses contra
o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar.
Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.
Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto.Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio.
Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."

MILAGRES ACONTECEM

Dadade e Penha. Pense em duas pessoas boas!!!

Foi o que o meu sobrinho Roberto fez acontecer e me deixou muito feliz com o email que me enviou e ainda com as fotos de minhas cunhadas Dadade(com cara de São Sebastião flechado) e Penha (com cara de professora do interior).


"Oi tio Marcos, Espero que estejam todos bem e felizes. Aqui todos estão bem, graças a Deus. "DÁCIO" sempre mostrando eficiência na UFRN (uma potência).Pai e mãe estão mandando um grande abraço e Dadade também.Todos (Renata, Romildo, Rodrigo, Jefferson, Jonaldo e Júlia) aqui estão dizendo "a benção tio Marcos" rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.Abelardo está bem e está gostando da casa.Seu blog é um sucesso aqui em casa.Pra terminar olha aí em anexo essa "pérola" (mãe e Dadade).Eró, um grande abraço. Yuri, Lia, Socorro e Alex um abraço também.Tio Marcos um grande abraço e até o próximo e-mail.


"Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos. Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração" PROVÉRBIOS 7.1-3 r).

O BALANÇO DAS OLIMPÍADAS

Maurren Maggi - Ouro no salto em distância



ALGUNS FEITOS DA OLIMPÍADA DE PEQUIM 2008- Primeira vez desde 1936, que um país que não seja União Soviética ou Estados Unidos vence no quadro de medalhas de ouro (China).

- Desde 1988, quando a União Soviética ganhou 55 ouros, um país não ganhava tantos ouros com os 51 da China.

- Desde Barcelona em 1992, que um outro país que não os Estados Unidos liderava em ouros.


- Maior número de medalhas dos Estados Unidos (100 no geral) numa Olimpíada sem boicote.


- Grã-Bretanha teve seu melhor desempenho em ouros em 100 anos, com 19 topos de pódio.


- O continente africano teve seu melhor desempenho histórico com 40 medalhas.


- 87 países ganharam medalhas nos Jogos de Pequim, um recorde na história.


- Pela primeira vez um atleta ganhou oito medalhas de ouro na mesma edição dos Jogos - Michael Phelps


- Um atleta corre os 100 metros rasos abaixo de 9,7 pela primeira vez (Usain Bolt, com 9,69).




BRASIL


- Primeira medalha individual de uma mulher - Ketleyn Quadros, bronze no judô


- Primeira medalha de ouro da história brasileira no natação - César Cielo, nos 50 metros livre.


- Primeira medalha feminina na Vela - prata com Fernanda Oliveira e Isabel Swan


- Primeira medalha de ouro de uma mulher em esporte individual - Maurren Maggi, salto em distância


- Primeira medalha de ouro da história do vôlei feminino


- Primeira medalha brasileira na história do taekwondo - Natalia Falavigna


- No critério de total de medalhas, o Brasil igualou seu melhor desempenho histórico, com 15 medalhas, como em Atlanta - EUA.





NA FALTA DE UMA, TRÊS Alguns países mostraram mesmo quem manda em certas modalidades olímpicas. No feminino, estes três pódios abaixo com ouro, prata e bronze para o mesmo país não deixam dúvidas qual é terra do tênis (Rússia), da velocidade (Jamaica) e do tênis de mesa (China).



. As Jamaicanas da corrida


A Russas do Tênis


As Chinesas do Tênis de Mesa

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

CAROS AMIGOS - IMPERDÍVEL!!!


A revista Caros Amigos nº137,de agosto de 2008,tráz uma excelente entrevista com o Educador Tião Rocha, prêmio "Empreendedor Social- 2007". Ele ensina embaixo de pé de manga e, diz entre outras coisas, que "a nossa escola está respirando a mofo" Eis outras passagens da entrevista:




  • "A escola tem uma estrutura, no século 21, com lógica medieval."

"Educação é um fim. Nós estamos aqui de passagem, num tempo curto, nosso campeonato é turno único, não tem repescagem. Viemos preparados para quatro coisas: ser feliz, livre, sducado e ter saúde. Ser educado é desenvolver toda potencialidade de aprendizagem. Nós somos aptos a aprender qualquer coisa, em condições normais. Se não aprendemos 15 idiomas e não tocamos nenhum instrumento, é porque não foram criadas oportunidades pra exercitar o potencial de aprendizagem, capacidade e competência. Só há educação quando há eu e o outro, é plural, dois no mínimo."


"Existe uma escola que nunca teve evasão, repetência, depredação: a escola de samba! já viu alguém levar bomba em escola de samba?'


"O que a gente aprendeu é: não discriminar. Discutir o fundamental, o que é droga, quem consome. Eu acho o Big Brother droga pesada. Pior que cocaina."

"A escola pode ser prazerosa? ou tem que ser o seviço militar obrigatório aos sete anos?




terça-feira, 19 de agosto de 2008

MANHÃ DE NOTÍCIAS TRISTES

Dra. Tapajós (vestido preto), com seu Areal (seu esposo - "o Preto" ), Eró e Marcos;


Perdemos para a Argentina no futebol Olímpico, por 3 a zero e perdemos, definitivamente, a Dra. Tapajós. Fica a saudade dos bons momentos, como o registrado na foto por ocasião do aniversário do meu afilhado Iuri.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A MENSAGEM DA SEMANA


Fácil não é?

AS LEIS DO PODER



As Leis do Poder (1 a 20)

Segundo Robert Greene e Joost Elffers


Lei Nº 1 - Nunca brilhe mais do que o mestre
Faça com os que estão acima de você sintam-se sempre confortavelmente superiores. Eu seu desejo de agradá-los ou impressioná-los, não vá longe demais na exibição dos seus talentos, ou poderá conseguir o contrário: inspirar medo e insegurança. Faça seus mestres parecerem mais brilhantes do que são e você atingirá os píncaros do poder.


Lei Nº 2 - Nunca coloque muita confiança nos amigos, aprenda a usar os inimigos
Seja cauteloso com os amigos – eles irão traí-lo com facilidade, por serem estimulados à inveja, e tornam-se também mimados e autoritários. Contrate um antigo inimigo e ele se mostrará mais leal do que um amigo, porque tem mais a provar. Na verdade você tem mais a temer dos amigos do que dos inimigos. Se não tem inimigos, encontre um jeito de obtê-los.


Lei Nº 3 - Oculte suas intenções
Mantenha os outros no escuro e em desvantagem, jamais revelando o propósito por trás das suas ações. Se as pessoas não souberem o que você pretende fazer, não terão como preparar uma defesa. Guie-os longe o bastante por um caminho falso, envolva-os numa cortina de fumaça, e quando perceberem suas verdadeiras intenções será tarde demais.


Lei Nº 4 - Sempre diga menos do que o necessário
Quando tenta impressionar as pessoas com palavras, quanto mais você diz, mais trivial você se parece e menos no controle você está. Mesmo quando for dizer algo banal, ficará parecendo original se você o fizer de forma vaga, indefinida, indecifrável. Gente poderosa impressiona e intimida dizendo menos. Quanto mais você fala, mais provável se torna que acabe dizendo algo de que pode se arrepender.


Lei Nº 5 - Praticamente tudo depende da reputação: guarde-a com a vida
A reputação é a pedra angular do poder. Usando reputação apenas, você consegue intimidar e vencer. Porém basta um deslize para que você se torne vulnerável e possa ser atacado por todos os lados. Mantenha sua reputação inexpugnável. Fique continuamente alerta contra ataques potenciais e elimine as ameaças antes que se tornem realidade. Ao mesmo tempo, aprenda a destruir os seus inimigos abrindo brechas nas reputações deles. Depois fique de lado e deixe que sejam queimados pela opinião pública.


Lei Nº 6 - Busque atenção a qualquer custo
Todas as coisas são julgadas pela aparência; o que não é visto simplesmente não conta. Portanto jamais se permita deixar perder na multidão ou cair no esquecimento. Destaque-se. Seja visível a qualquer custo. Torne-se um ímã de atenção parecendo maior, mais exuberante e mais misterioso do que as massas insípidas e tímidas.


Lei Nº 7 - Faça com que os outros trabalhem por você, mas fique sempre com o crédito
Use a sabedoria, o conhecimento e o trabalho de campo de outras pessoas para fazer avançar a sua causa. Essa assistência não fará apenas com que você economize valiosos tempo e energia, mas conferirá a você uma aura sobrenatural de eficiência e agilidade. No final seus assistentes serão esquecidos e você será lembrado. Nunca faça você mesmo o que outros podem fazer por você.


Lei Nº 8 - Faça os outros virem até você – se necessário use uma isca
Quando força a outra pessoa à iniciativa, é você quem fica no controle. É sempre melhor fazer com que seu oponente venha até você, abandonando no processo os seus próprios planos. Seduza-os com ganhos fabulosos e em seguida ataque. Você é quem dará as cartas.


Lei Nº 9 - Vença através de ações, nunca de argumentos
Qualquer triunfo que você obtém através de argumentação é na verdade temporário e ilusório. O ressentimento e a má vontade que você inspirou se mostrarão mais fortes e duradouros do que qualquer mudança momentânea de opinião. É coisa muito mais poderosa fazer com que os outros concordem com você pelas suas ações, sem proferir uma palavra. Demonstre, não explique.


Lei Nº 10 - Infecção: evite os infelizes e os sem sorte
É possível morrer da miséria alheia: estados emocionais são como uma doença infecciosa. Você pode achar que está ajudando a outra pessoa a não afundar, mas está apenas precipitando a sua própria ruína. O infeliz por vezes atrai o infortúnio sobre si mesmo, e irá atraí-lo também sobre você. Associe-se, em vez disso, a gente feliz e afortunada.


Lei Nº 11 - Aprenda a manter as pessoas dependentes de você
A fim de manter a sua independência você precisa ser sempre requerido e desejado. Quanto mais as pessoas dependem de você, mais liberdade você tem. Faça as pessoas dependerem de você para a sua felicidade e prosperidade, e não terá nada a temer. Nunca ensine-as o suficiente para que possam viver sem você.


Lei Nº 12 -A fim de desarmar a sua vítima, use de sinceridade e generosidade seletivas
Uma iniciativa sincera e honesta cobrirá dezenas de iniciativas desonestas. Gestos sentidos de sinceridade e generosidade fazem com que até mesmo as pessoas mais desconfiadas baixem a sua guarda. Uma vez que a sua honestidade seletiva tenha aberto um buraco na armadura delas, você será capaz de enganá-las e manipulá-las à vontade. Um presente dado na hora certa – um cavalo de Tróia – servirá para o mesmo propósito.


Lei Nº 13 - Quando for pedir ajuda, apele para o interesse próprio da pessoa, nunca para sua misericórdia ou gratidão
Se você precisa da ajuda um aliado, não perca tempo lembrando-o da assistência ou dos favores que prestou a ele no passado, porque ele encontrará um modo de ignorá-lo. Ao invés disso, revele no seu pedido ou na aliança que propõe fazer com ele algo que beneficie pessoalmente o seu interlocutor, e enfatize este ponto além de toda proporção. Ele responderá com entusiasmo quando vir que pode ganhar alguma coisa com a sua proposta.


Lei Nº 14 - Pose como amigo, trabalhe como espião
Conhecer o seu oponente é de importância crítica. Use espiões a fim de obter informações que o mantenham um passo à frente dele. Melhor ainda: seja você mesmo o espião. Em encontros sociais aparentemente inofensivos, aprenda a sondar. Faça perguntas indiretas que levem as pessoas a revelarem as suas fraquezas e intenções. Não existe ocasião que não seja uma oportunidade para uma espionagem habilidosa.


Lei Nº 15 - Esmague o seu oponente por completo
Todos os grande líderes, desde o tempo de Moisés, souberam que um inimigo temido deve ser esmagado por completo (sendo que por vezes aprenderam isso da maneira mais difícil). Se uma brasa é deixada acesa, por mais debilmente que arda, um incêndio acabará irrompendo. Perde-se menos com a aniquilação total do que quando se pára no meio do caminho. Seu inimigo irá se recuperar e buscar vingança. Esmague-o, não somente no corpo mas também no espírito.


Lei Nº 16 - Use a ausência a fim de maximizar respeito e importância
Circulação em excesso faz o preço baixar. Quanto mais você é visto e ouvido, mais comum você aparenta ser. Se você já é parte estabelecida do grupo, afastar-se temporariamente dele fara com que você seja mais admirado e falem mais a seu respeito. Aprenda a se retirar. Gere valor através da escassez.


Lei Nº 17 - Mantenha os outros em regime de terror iminente: cultive um ar de imprevisibilidade
Os seres humanos são criaturas de hábitos, e apresentam uma necessidade insaciável de encontrar familiaridade nas ações das outras pessoas. A sua previsibilidade confere a eles uma sensação de controle. Vire a mesa: seja deliberadamente imprevisível. Um comportamento que aparenta não ter consistência ou propósito os manterá desestabilizados, e irão desgastar-se na tentativa de explicar as suas posturas. Levada ao extremo, essa estratégia pode gerar intimidação e terror.


Lei Nº 18 - Não construa fortalezas para se proteger: o isolamento é perigoso
O mundo é perigoso e os inimigos estão em todo lugar, pelo que todos precisam se proteger. Uma fortaleza parece ser a solução mais segura. Porém o isolamento expõe você a perigos maiores do que aqueles dos quais o protege – ele interrompe o seu acesso a informações valiosas e o transforma num alvo fácil e conspícuo. Melhor é circular entre as pessoas, encontrar aliados, misturar-se. É a multidão que irá protegê-lo dos inimigos.


Lei Nº 19 - Saiba com quem está lidando: não ofenda a pessoa errada
Há muitos tipos diferentes de pessoas no mundo, e você nunca deve supor que todos reagirão da mesma forma às suas estratégias. Engane ou supere estrategicamente determinadas pessoas e elas passarão o resto da vida buscando vingança; esses são lobos em pele de cordeiro. Portanto escolha suas vítimas e oponentes cuidadosamente – nunca ofenda ou engane a pessoa errada.


Lei Nº 20 - Não se comprometa com ninguém
É o tolo que se apressa a tomar partido. Não se comprometa com nenhum lado ou nenhuma causa que não sejam os seus. Mantendo sua independência, você se tornará mestre dos outros – jogando as pessoas umas contra as
outras e fazendo com que corram atrás de você.

domingo, 17 de agosto de 2008

OS DEUSES E AS DEUSAS DO OLIMPO










Michael Phelps (o "Zeus" do Olimpo com 8 ouros)




Stephanie Rice (nadadora Australiana)

César Cielo ( O mais rápido das piscinas)







Yelena Isinbayeva (O céu é o limite)





Usain Bolt(O mais rápido do mundo)


Shelly-Ann Fraser (Ouro nos 100m)

A MÚSICA DA SEMANA


O Dia Em Que O Morro Descer E Não For Carnaval

(Wilson das Neves / Paulo César Pinheiro)


"O dia em que o morro descer e não for carnaval

ninguém vai ficar pra assistir o desfile final

na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu

vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil

(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval

não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral

e cada uma ala da escola será uma quadrilha

a evolução já vai ser de guerrilha

e a alegoria um tremendo arsenal

o tema do enredo vai ser a cidade partida

no dia em que o couro comer na avenida

se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela

mostrando a miséria sobre a passarela

sem a fantasia que sai no jornal

vai ser uma única escola, uma só bateria

quem vai ser jurado? Ninguém gostaria

que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga

nem autoridade que compre essa briga

ninguém sabe a força desse pessoal

melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria

senão todo mundo vai sambar no dia

em que o morro descer e não for carnaval "

sábado, 16 de agosto de 2008

CAYMMI - A GRANDEZA DO MAR E DA TERRA





(1914 - 2008)



Hoje,pela manhã, Dorival Caymmi partiu com sua jangada para o mar da eternidade. "O marinheiro bonito/ Sereia do mar levou..."








No Cd CAYMMI 90 ANOS - Mar e Terra, Mauro Ferreira, que fez o projeto e a seleção de repertório desse belíssimo Cd comemorativo dos 90 anos do compositor baiano, escreveu no encarte , o seguinte texto:




CAYMMI E A GRANDEZA DO MAR E DA TERRA.




"na mais bem-sucedida travessia da música brasileira, Dorival Caymmi pegou um Ita no Norte e cruzou o mar da Bahia rumo ao Rio de Janeiro, em 1º de abril de 1938. Na bagagem, o mestre das canções praieiras trouxe os alicerces iniciais de uma obra que que ganharia ares cariocas sem perder seus contornos tão baianos quanto universais. Burilada serenamente com requintes de ourivesaria, a produção musical de Caymmi é tão rica que abrange mar e terra. O vasto leque de interprétes mostra como Caymmi extrapola sotaques e fronteiras com suas dissonãncias atemporais. Ele foi do samba de sua terra ao intimismo dos sambas-canções de outra praia, a carioca, sem nunca perder o tom da elegância."




Dorival Caymmi, deixa um espólio musical de mais de 100 músicas, todas de rara beleza e qualidade , algumas das quais, são páginas antológicas da MPB - O Samba da Minha Terra, Marina, Saudade da Bahia, Só Louco...etc. Ele deixa na orfandade, além de seus tres filhos, Dori, Nana e Danilo Caymmi (músicos e cantores da melhor qualidade) os amantes da música popular brasileira, que aprenderam com ele que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é".



Danilo, Nana e dori Caymmi

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR




César Cielo prometeu e cumpriu. Disse que ia ganhar a prova dos 50 m. foi prá piscina com essa convicção e confirmou o que disse,nadando para o 1º ouro do Brasil. Ele bateu o record olímpico da prova cravando 21:30, Esta é a sua segunda medalha nessa Olimpíada,feito que o consagra como um dos maiores nadadores do Brasil e do mundo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

LULA AMARELOU


Profª Flávia Piovesan


Postado no site CONVERSA AFIADA, do Paulo Henrique Amorim. Reproduzo.

Piovesan: Judiciário sozinho não revê a Lei da Anistia
12/08/2008 12:03


PIOVESAN: LULA NÃO TEVE A CORAGEM DE ENFRENTAR A TORTURA


O Presidente Lula anunciou nesta segunda-feira, dia 11, que a discussão da Lei da Anistia no Brasil deve ficar apenas no âmbito da Justiça A professora doutora de Direitos Humanos da PUC-São Paulo e da Universidade de Pablo Olavide, na Espanha, Flávia Piovesan disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 12, que seria um ato de coragem do Governo enfrentar o debate sobre a Lei da Anistia.
“Eu lamento essa decisão do Presidente da República. Creio que teria sido um ato de coragem e ousadia em prol da consolidação democrática enfrentar esse debate que se vê tensionado, explicitado, no âmbito do Governo, tendo em vista essa tensão, de um lado o Ministro da Justiça e o Secretário de Direitos Humanos e por outro o Ministro da Defesa”, disse Piovesan
A professora Flávia Piovesan lembrou que “o Brasil é um país isolado no Conesul. É o único que não fez a chamada ‘justiça de transição’, que permite esse ritual de passagem de um regime ditatorial para uma ordem democrática”.
Segundo Piovesan, o Brasil pode reviver o caso Pinochet, em que o juiz espanhol Baltasar Garzón pediu à Inglaterra a extradição do ditador chileno. A professora Piovesan disse que em 27 de dezembro de 2007 a Justiça italiana determinou a prisão preventiva de 146 sul-americanos, entre eles 13 brasileiros, “em virtude de desaparecimentos forçados, sob o manto da Operação Condor”.
“Ou seja, se o Executivo não enfrentar esse debate, quem enfrentará, como você lembra é o Poder Judiciário local, regional ou global. O que eu quero dizer com isso? Além de existirem casos pendentes na Justiça local brasileira... É muito provável que se o Brasil nada fizer a Justiça internacional o fará, ou a justiça regional”, disse Piovesan.
Então, segundo a professora Flávia Piovesan, há duas possibilidades, além do Judiciário brasileiro: o caso chegar à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que tem um sólido precedente de reler as Leis de Anistia, entendendo incompatíveis com os parâmetros internacionais, ou mesmo esse processo correndo na Itália, com base na Convenção Contra a Tortura.
Leia a íntegra da entrevista com a professora Flávia Piovesan:
Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar com a professora Flávia Piovesan, professora doutora de Direitos Humanos da PUC de São Paulo, ela também leciona na Universidade Pablo de Olavide, na Espanha. Professora Piovesan, a senhora deve ter tomado conhecimento da decisão, ontem, do Presidente Lula de, digamos, entre aspas, enquadrar o Ministro Tarso Genro e entregar à Justiça e só à Justiça a discussão sobre a Lei de Anistia no Brasil. Eu lhe pergunto: o que pode ocorrer em face dessa decisão do Executivo? Isso é bom ou isso é mau para a revisão dos processos dos militares que torturaram no Brasil?



Flávia Piovesan – Bom, eu lamento essa decisão do Presidente da República. Creio que teria sido um ato de coragem e ousadia em prol da consolidação democrática enfrentar esse debate que se vê tensionado, explicitado, no âmbito do Governo, tendo em vista essa tensão, de um lado o Ministro da Justiça e o Secretário de Direitos Humanos e por outro o Ministro da Defesa. Eu lembro, Paulo, que o Brasil é um país isolado no Conesul. É o único que não fez a chamada “justiça de transição”, que permite esse ritual de passagem de um regime ditatorial para uma ordem democrática.



Paulo Henrique Amorim – Eu lhe pergunto: mas se a questão permanecer e se restringir ao âmbito do Judiciário, isso não pode permitir a revisão? Por que o Executivo seria necessário, na sua opinião?



Flávia Piovesan – Na realidade, o Executivo poderia pautar esse tema como, inclusive, uma política de Estado. Ou seja, a necessidade de olhar para trás, de acertar as contas com o passado em prol da consolidação da democracia, do Estado de Direito, do fortalecimento do regime de Direitos Humanos no Brasil. Agora, eu também realço aqui que em 27 de dezembro do ano passado a Justiça italiana determinou a prisão preventiva de 146 sul-americanos. E neste universo estão 13 brasileiros, em virtude de desaparecimentos forçados, sob o manto da Operação Condor. Ou seja, se o Executivo não enfrentar esse debate, quem enfrentará, como você lembra é o Poder Judiciário local, regional ou global. O que eu quero dizer com isso? Além de existirem casos pendentes na Justiça local brasileira – e eu lembro uma ação muito recente proposta pelo Ministério Público Federal contra aqueles que coordenavam o DOI-CODI, o centro de torturas na repressão, além de outras demandas...



Paulo Henrique Amorim – Os Procuradores Weichert e Fávero, não é isso?



Flávia Piovesan – Exatamente. Marlon e a Maria Eugênia. Além deste caso, que o Judiciário está sendo instado a se manifestar a respeito, a decidir a questão, há também um outro caso que remete à Guerrilha do Araguaia e ao silêncio do Estado brasileiro que foi submetido ao Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. Ou seja, é muito provável que se o Brasil nada fizer a Justiça internacional o fará, ou a justiça regional. Então nós temos duas possibilidades aí, além do Judiciário brasileiro: o caso chegar à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que tem um sólido precedente de reler as Leis de Anistia, entendendo incompatíveis com os parâmetros internacionais, ou mesmo esse processo correndo na Itália, com base na Convenção Contra a Tortura.



Paulo Henrique Amorim – Eu pergunto à senhora, professora: a senhora conhece o nome desses 13 brasileiros que a Justiça italiana responsabiliza como responsáveis pela morte de italianos no âmbito da Operação Condor?



Flávia Piovesan – Eu não conheço. Aliás, esse é um problema grave da nossa história, que é a negativa do direito à verdade e à memória. Isso, eu penso, não é um direito apenas individual dos familiares dos mortos e desaparecidos na repressão, mas é um direito, Paulo, de todos nós. Nós queremos conhecer a nossa história, nós temos o direito à identidade, à memória coletiva...
Paulo Henrique Amorim – Queremos saber quem torturou, em suma?
Flávia Piovesan – Exato. Sem informação, sem abertura de arquivos – e aqui observo que há uma lei que é a 11.111, de 2005, que cria uma categoria absurdo de ultra-secretos, que poderão ficar em eterno sigilo, em nome da Soberania Nacional...



Paulo Henrique Amorim – Esses 13 nomes estão secretos nessa lei?



Flávia Piovesan – Não, eu não conheço. Na verdade, eu acompanhei, até escrevi sobre esse caso da Operação Condor, da Justiça Italiana e tudo mais, mas eu desconheço o processo nas minúcias, eu não tive acesso às informações. Mas o grande drama é o seguinte: não há justiça sem informação. E os arquivos estão repletos de informações precisas sobre a atuação, como ocorreram esses crimes, quais circunstâncias, como essas pessoas foram mortas, o destino dos corpos, quer dizer, isso tem a ver não só com o direito ao luto, que é um direito milenar, se você tomar até Antígona de Sófocles lutou pelo direito a um sepultamento digno do seu irmão, não é? Isso é uma coisa milenar, quer dizer, não só isso, isso tem a ver com o seu direito, com o meu direito, direito do nosso país de conhecer a verdade, a sua história.



Paulo Henrique Amorim – Professora, existe a possibilidade, então, de um juiz italiano mandar prender um brasileiro aqui no Brasil?



Flávia Piovesan – Sem dúvida. Por quê? E aí vem, eu diria, como se fosse o caso Pinochet II, vamos dizer. O caso Pinochet foi o primeiro caso, não sei se você se recorda, em 1998, há dez anos, quando o juiz Baltasar...




Paulo Henrique Amorim – O juiz Garzón. Baltasar Garzón, exatamente.



Flávia Piovesan – Isso. Que estará aqui no Brasil em breve, em uma semana ou duas.



Paulo Henrique Amorim – No evento “Diálogos Capitais”, da Carta Capital.



Flávia Piovesan – Exato. Então, o juiz Baltasar Garzón, da Espanha, solicitou a extradição à Inglaterra de Pinochet. Com base em que? No campo jurídico, com base na Convenção Contra a Tortura. O mesmo ocorre com a Justiça Italiana. Com base nessa Convenção da qual o Brasil é signatário, a Itália, a Argentina e mais de 140 Estados partes, a tortura é um crime de lesa humanidade, é um crime que viola a ordem internacional.



Paulo Henrique Amorim – Que Convenção é essa professora?



Flávia Piovesan – É a Convenção da ONU contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes...



Paulo Henrique Amorim – Eu fui testemunha de quando o Presidente Sarney, em Nova York, em uma assembléia da ONU, anunciou que o Brasil estava assinando essa Convenção.



Flávia Piovesan – Exato


.
Paulo Henrique Amorim – Assina mas não cumpre, portanto?



Flávia Piovesan – Esse é o ponto. Entrou como exercício da sua soberania nesse jogo internacional. E agora o Brasil tem que acolher a responsabilidade de investigar, processar, punir, reparar os casos de tortura. E se ele não o fizer, outros países que são signatários da Convenção têm o direito e o dever de fazê-lo. Ou seja, combate a impunidade daqueles que torturaram e fizeram, assim, do Estado um delinqüente.



Paulo Henrique Amorim – O que a senhora mencionou com relação à Guerrilha do Araguaia? Qual é o processo que corre com relação a isso?



Flávia Piovesan – Então, o caso Araguaia foi encaminhado ao Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos por uma entidade chamada Cejil, Centro pela Justiça e o Direito Internacional. Qual é um dos argumentos centrais deste caso? É que a Lei da Anistia institucionaliza a impunidade no Brasil. Ou seja, o Brasil, ao não enfrentar esse tema a sua missão, o seu silêncio, é berrante perante os parâmetros internacionais de Direitos Humanos, os quais o país se comprometeu a cumprir. Então, esse caso já está pautado na agenda internacional, não só pela Itália, no caso da Operação Condor, mas também com o caso da Guerrilha do Araguaia, perante a Comissão Interamericana, que já admitiu o caso.



Paulo Henrique Amorim – O que a Comissão Interamericana pode fazer?



Flávia Piovesan – A punição pode condenar o Estado brasileiro, não só a enfrentar esse caso em prol do direito à Justiça dos familiares dos mortos, do direito à verdade e abertura dos arquivos, e pode, inclusive, determinar ao Estado brasileiro que reinterprete, reavalie, revisite a Lei de Anistia, já que ela é absolutamente incompatível com os parâmetros internacionais, já que não há como anistiar tortura, tortura não é um crime político, e, segundo ponto, a tortura é imprescritível. Agora, se a decisão da Comissão for essa e o Brasil não a cumprir, o caso pode chegar à Corte Interamericana, que é um tribunal de Direitos Humanos, da OEA. Daí, esse tribunal, que é uma Justiça regional, poderá condenar o Estado brasileiro.



Paulo Henrique Amorim – E o Brasil pode vir a ser um Estado proscrito.



Flávia Piovesan – Exato. Porque, veja, a situação, é um outro ponto que me chama a atenção, há uma estudiosa muito competente da Universidade de Minnesota, que esteve aqui no Brasil na semana passada, que é a Kathryn Sikkink. E ela faz a seguinte investigação: ora, aqueles que criticam a nossa posição entendem que revisar a Lei de Anistia ou pautar o julgamento dos militares à verdade, à Justiça, seria causar uma instabilidade, uma violência, e poderia até gerar um golpe nas nossas instituições. E o que ela avalia é que nos países em que isso ocorreu no Conesul, Argentina, Chile e tantos outros, há um revés, a “justiça de transição” não causou qualquer instabilidade, nem tampouco golpe, mas, sim, fortaleceu a democracia, o Estado de Direito e o regime de Direitos Humanos. Por quê? Porque passou à população a idéia da ruptura com o passado autoritário e pavimentou o solo democrático.



Paulo Henrique Amorim – Professora, o presidente do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes, disse hoje nos jornais que ele acha exatamente o contrário do que a senhora acaba de dizer e do que disse a professora Kathryn Sikkink, da Universidade de Minnesota. Ele acha que essa discussão sobre a revisão da Lei da Anistia deveria ser arquivada, isso não deveria ser discutido porque nos países visinhos essa revisão provocou instabilidade política. Qual é a sua avaliação sobre essa declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal?



Flávia Piovesan – Bom, eu acharia interessante, eu respeito muitíssimo o Ministro Gilmar Mendes, agora seria interessante que ele lesse esse estudo muito consistente dessa professora que trabalha há mais de 30 anos com o tema específico da “justiça de transição” na América Latina e que trava um quadro absolutamente rigoroso, com base em critérios científicos, do modo pelo qual a política de Direitos Humanos, a ótica democrática e o Estado de Direito foram fortalecidos na região. E ela tem números, ela trabalha com casos, ou seja, essa percepção que na verdade é o medo, por vezes, não tem a sustentação na base empírica. E esse estudo não só afasta esse medo, mas mostra o oposto. Até a população ordinária e nós mesmos vamos perceber que a lei vale para todos e que não há espaço para violações, sobretudo aquelas cometidas em nome do Estado. Eu trago aqui uma experiência que eu passei na PUC: orientei uma tese sobre esse tema da tortura e o meu orientando era um delegado que até lecionava na Academia da Polícia Civil. Qual era a tese que a mim me parecia estarrecedora? Ele me indagava: “por que, professora, a tortura persiste sendo o principal método de investigação no Brasil?” Quer dizer, isso vindo não de mim, nem de você, mas de um delegado, me causou, realmente, perplexidade. Ou seja, a tortura é uma reminiscência autoritária, que vicia e compromete a consolidação democrática.



Paulo Henrique Amorim – Professora, eu vou encerrar aqui e vou agradecer a sua gentileza. E vou pedir à nossa produção que fique em contato com a senhora porque o Ministro Gilmar Mendes às vezes transmite a sensação de ser onisciente, mas talvez valesse a pena encaminhar a ele, e vamos fazer isso através dos nossos mecanismos de produção, o acesso ao estudo dessa professora, professora Kathryn Sikkink, da Universidade de Minnesota. E eu vou pedir à produção para ficar em contato com a senhora e ver como isso pode ser feito o mais rápido possível. Quem sabe o Ministro Gilmar Mendes desconheça apenas esse aspecto da questão. Eu agradeço muito a sua colaboração.



Flávia Piovesan – Eu que agradeço. Muito obrigada e parabéns pelo seu excelente trabalho.

Em tempo: um grupo de mais de cem juristas, advogados, juízes e promotores brasileiros assinou um manifesto que defende a revisão da Lei da Anistia no Brasil. Entre os signatários estão os juristas Fábio Konder Comparato (USP), Dalmo Dallari, José Ribas Vieira (PUC-RJ), José Geraldo de Souza Júnior (UnB), João Baptista Herkenhoff (UFES), Ovídio Baptista, do Rio Grande do Sul, o presidente da OAB Nacional Cezar Britto, o ex-Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, entre outros.




A Prática de Tortura no Brasil



A prática da tortura é antiga entre os homens, bastando para isso observar algumas passagens da história, exemplificadas pela Santa Inquisição, os campos de concentração da 2ª Guerra Mundial e o período militar brasileiro, além de inúmeras outras.¨
Quando falamos da prática de tortura no Brasil, remetemos nossa memória imediatamente à época da ditadura militar. De fato, nesse período torturavam-se, sem distinção, homens, mulheres (inclusive grávidas, provocando, muitas vezes, o aborto), crianças e idosos. Tem-se conhecimento de que as Forças Armadas chegavam ao cúmulo de tomarem presos como cobaias para que se ministrassem aulas de tortura
[7].
Tudo isso o Estado realizava sob a alegação de que estava tentando garantir a “segurança nacional” e combatendo os “inimigos da Pátria”. Na Convenção a que nos estamos referindo, tais atos são expressamente abominados, em razão de que, segundo a mesma, a instabilidade política não pode ser tomada como justificação para a prática da tortura (art. 2.º, § 2.º).
Temos, no entanto, que não precisamos nos voltar a tempos longínquos para observar casos em que, no Brasil, verificou-se a aplicação de formas de tratamento desumanos.
Recentemente, a Revista Veja
[8] denunciou que a tortura continua sendo largamente utilizada no Brasil como método de investigação policial. Pessoas vitimadas pela violência dos PMs dão depoimentos horrorizantes, como o da cabeleireira piauiense Ildecy Pereira, torturada em 1993 na Delegacia do Distrito Federal: “Os choques eram tão violentos que o corpo parecia decolar do chão. Amordaçada, eu não conseguia gritar. Fiquei pendurada por horas. Desmaiei várias vezes. Quando acordei, minhas roupas estavam sujas de sangue. A sala cheirava a urina. Eu tinha febre e vomitava. Nua, assumi a culpa. Eles me deram uma Novalgina e foram embora”.
Segundo uma entrevista concedida a Revista Veja de 09 de dezembro de 1998 o ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo diz que "a tortura causa um desgaste muito grande. Nunca me neguei a torturar alguém, mas só fazia quando havia necessidade. Mas a brincadeirinha não tem a menor graça , viu ?"
Flávia Piovesan cita em sua obra uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que faz refletir sobre a responsabilidade do Estado na apuração dos crimes da tortura: “Com respeito à obrigação de investigar, deve ser assumida pelo Estado como um dever jurídico próprio e não como uma simples gestão de interesses particulares, que depende da iniciativa processual da vítima ou de seus familiares, sem que a autoridade pública busque efetivamente a verdade”
[9].
A convenção contra a Tortura (...) dá como responsabilidade do Estado "tomar medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição (Art. 2.º, § 1.º), e diz ainda: “Cada Estado- Parte punirá esses crimes com penas adequadas que levem em conta a sua gravidade” (Art. 4.º, § 2.º). Entendemos que essa obrigação do Estado não implica, no entanto, uma omissão da população, que deve contribuir para que os crimes de tortura sejam efetivamente combatidos e tenham seus responsáveis punidos.
Conclusão
O Brasil passou muito tempo sem que sua legislação desse à prática de tortura o tratamento merecido. Hoje, podemos nos valer da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, da Lei n.º 9445, que “define os crimes de tortura e dá outras providências”, além da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (ratificada pelo Brasil em 20 de julho de 1989). Ou seja, leis não faltam mais.
À luz dos estudos feitos, verificamos, porém, que agora se convive com as leis como se elas não obrigassem ou mesmo como se não existissem.
Lamentavelmente, a prática de tortura não perdeu ainda, em nosso país, o desastroso título de “operação de rotina
[10]”.
Enquanto o Estado Brasileiro não atentar para a dimensão da problemática referente a esse assunto e não agir decisivamente em favor da defesa dos direitos humanos, nossa história não conhecerá o verdadeiro sentido da dignidade, tantas vezes dita inerente à pessoa humana.
BIBLIOGRAFIA
ARNS. D. Paulo Evaristo. Brasil: Nunca Mais. 22.ª ed. Petrópolis: Vozes. 1989.
A Prática de .

domingo, 10 de agosto de 2008

AO MEU PAI QUE JÁ PARTIU

Inácio Fernandes Desidério (1925 - 1987)






João Ubaldo Ribeiro, no seu livro; "POLÍTICA-Quem manda, Por que manda, Como manda." colocou no Apêndice, "Dez bons conselhos de meu pai para cidadãos honestos e prestantes". Ele acrescentou: "meu pai nunca me deu estes conselhos da forma sistematizada que está aí. Mas deu todos,inclusive mostrando como era que se fazia. Acho que ele não se incomoda que eu passe adiante."


O meu pai, seu Inácio Fernandes Desidério (02/02/1925-28/07/1987), também me deu estes conselhos ao longo dos seus 62 anos de vida. Ei-los:


1 -Não seja tutelado.

Não permita que as pessoas resolvam as coisas por você, por mais que o problema seja chato de enfrentar. Não finja que acredita em nada do que não acredita, não deixe que lhe imponham uma opinião que você está vendo que não pode ser sua.

2 - Não seja colonizado.

Tenha orgulho de sua herança, não seja subserviente com o estrangeiro, não se ache inferior. Coma o que gostar, fale como gostar, vista-se como gostar - seja como seu povo, não seja macaco.

3 - Não seja calado.

Seja calado só por educação, até o ponto que isto não o prejudicar. se prejudicar, só cale a boca quando deixar de prejudicar. Não seja insolente e não tolere a insolência.

4 - Não seja ignorante.

Não ser ignorante é um dos mais sagrados direitos que você tem e, se você não usa voluntariamente esse direito, merece tudo o que de adverso lhe acontece. Se você sabe fazer bem o seu trabalho e conduzir corretamente sua vida, você não é ignorante. Mas, se recusar todas as oportunidades possíveis para aprender, você é. Se lhe negam o direito a não ser ignorante, você tem o direito de se rebelar contra qualquer autoridade.

5 - Não seja submisso.

Reconheça suas faltas,mas não se humilhe. Não existe razão na natureza que diga que você tem de ser submisso a qualquer pessoa. toda tentativa de submetê-lo é muitíssimo grave.

6 - Não seja indiferente.

Ser indiferente em relação ao semelhante ou ao que nos rodeia, quer você seja religioso ou não, é um dos maiores pecados que existem, porque é um pecado contra nós mesmos, um suicídio.

7 - Não seja amargo.

As coisas acontecem, aconteceram, ficam acontecidas. Se você for amargo, essas coisas continuam acontecendo. Construa sempre.

8 - Não seja intolerante.

Alegre-se com a diversidade humana. Procure honestamente entender os outros. Só não seja tolerante com os inimigos conscientes e comprometidos com o seu fim.

9 - Não seja medroso.

Todo mundo tem medo, mas a pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos.


10 - Não seja burro.

Sim, não seja burro. Normalmente, quando você está infeliz, você está sendo burro. Quando você está sendo explorado, você é sempre infeliz.




sábado, 9 de agosto de 2008

UM JUIZ DE RESPEITO

O juiz espanhol Baltasar Garzón notabilizou-se no mundo inteiro quando ordenou e conseguiu efetivar a detenção do ditador chileno general Augusto Pinochet, em 1998, em Londres. Um feito histórico, comemorado por todos aqueles que defendem os Direitos Humanos e condenaram as terríveis atrocidades cometidas no Chile.
Este foi o feito de maior repercussão do juiz Garzón, mas sua trajetória na vida pública é ainda mais ampla e significativa. Formado em Direito, magistrado da “Audiencia Nacional” desde 1988, tem competência no combate ao terrorismo, ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e à delinqüência econômica organizada.
Com títulos de Doutor Honoris Causa concedidos por 21 universidades espalhadas pelo mundo, sua carreira é marcada pela luta contra a impunidade, a criação e defesa da Corte Penal Internacional e a preservação dos Direitos Humanos.
Baltasar Garzón vem pela primeira vez ao País e ouvir sua mensagem seguramente nos ajudará a entender alguns dos principais problemas do Brasil e do mundo.
Abertura: ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

COMEÇOU AS OLIMPÍADAS
























Hoje, de madrugada, começou nossa participação nas Olimpíadas de Pequim com a seleção femenina de futebol,comandada por Marta, empatando, sem gols, com a Alemanha, atuais campeãs do mundo. O Brasil participa dos jogos com a maior delegação da história. São 277 atletas, 132 mulheres e 145 homens, que vão competir em 32 modalidades. Segundo todos os analistas esportivos, esta delegação está bem preparada para representar nosso país. Lula recebeu e aconselhou nossa delegação.

Brasília - O presidente Lula recebeu hoje, no Palácio do Planalto, a delegação olímpica brasileira que participará dos Jogos de Pequim. O presidente falou de motivação aos atletas e deu conselhos à equipe brasileira.“Na hora de vocês disputarem, pensem, sobretudo, na motivação que fez vocês fazerem o sacrifício para chegar à posição em que vocês chegaram. Concentrem-se, obedeçam as regras estabelecidas pelos orientadores de vocês, que as chances de vocês voltarem vitoriosos é muito maior”, afirmou o petista.“Eu quero que todos vocês ganhem todas as medalhas que forem disputar, mas quero que compreendam que, na minha cabeça, alguém que não ganha medalha não é menos importante do que aquele que ganhou”, complementou.Na ocasião, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, anunciou que o velejador Robert Scheidt levará a bandeira brasileira na cerimônia de abertura dos jogos.Lula também destacou que vai torcer pelos brasileiros e prometeu visitar a delegação em Pequim. “Da minha parte, eu estarei aqui, com os 190 milhões de brasileiros, esperando que aconteça conosco o melhor. Vou lá fazer uma visita na Casa do Brasil. A Casa do Brasil não terá bebida, a comida será toda light, para ninguém comer demais, pato de Pequim, só pato laqueado light. Vamos ficar de olho, se os chineses oferecerem para a gente uma comida muito pesada nós não iremos comer”, brincou.O presidente utilizou sua própria trajetória política e o Fluminense para destacar a importância do equilíbrio psicológico em decisões. O time brasileiro perdeu nos pênaltis o título da Copa Libertadores da América para a equipe equatoriana LDU.“Vocês viram o time do Fluminense, na hora de bater pênalti. O melhor jogador, que marcou três gols, perdeu o gol mais fácil, que era o pênalti. E não perdeu porque não sabia chutar, porque ele é um bom jogador, perdeu porque o estado psicológico devia estar numa pressão muito grande.”“Eu mesmo perdi três eleições antes de ganhar a primeira. Vocês também sabem que hoje, quem não for profissional, não está no jogo”, exemplificou.






Uma heroína olímpica - Aída dos Santos.






Nas Olimpíadas de 1964, no Japão, Aída alcançou o 4º lugar no salto em altura. As mulheres esportistas sofriam, naqueles anos, forte discriminação, principalmente as negras. Só passou pelo Comitê Olímpico brasileiro por ser a única mulher atleta com índice olímpico. Era a única mulher numa delegação de 69 componentes. Aída dos Santos , não tinha técnico, médico, massagista nem roupeiro. Ela nem sequer recebeu o uniforme da delegação, não tinha sapato de prego para saltar, tendo recebido uma sapatilha para corrida de 100 metros. salvou-lhe a solidariedade de atletas estrangeiros, particularmente o peruano Roberto Albugatas, que a ajudava nos treinos, e o cubano Enrique Figueiroa, que providenciou médico e massagista quando ela torceu o pé. Apesar de todas as dificuldades, Aída disputou a final do salto em altura com 11 atletas de várias partes do mundo, todas brancas, bem nutridas e de boa aparência. A 4ª colocação foi a melhor até então conseguida por uma brasileira em Olimpíadas, em qualquer esporte.






SAIRAM AS PRIMEIRAS MEDALHAS PARA O BRASIL


A Judoca Ketleyn Lima Quadros, é a primeira mulher brasileira a ganhar medalha em esporte individual nos jogos Olímpicos. Ela foi bronze nos jogos de Pequim. Seu colega Leandro Guilheiro, foi o outro medalhista de bronze, ganhando a luta que lhe valeu a medalha , por ypon.






Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro, são os dois medalhistas do Brasil, até o momento.




Leandro Guilheiro



































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COMEMOREMOS!!!







Entre 2002 e 2008, 3 milhões de brasileiros deixaram de ser pobres. A pobreza diminuiu 13,5%. A desigualdade social diminuiu um pouquinho, mas o abismo continua. Como disse Bernard Shaw: "Há quem morra chorando pelo pobre, eu morrerei denunciando a pobreza."


Modelo econômico beneficiou mais os mais pobres, mostra pesquisa do Ipea

O percentual de famílias pobres caiu de 32,9% para 24,1% da população nas seis maiores regiões metropolitanas do país entre 2002 e 2008, segundo trabalho realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento. Isso representa uma redução de quase um terço no total de pobres, ou cerca de 3 milhões de pessoas.
O levantamento, com base na pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera como pobres pessoas em famílias com renda mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 207,50). Já o percentual de indigentes (renda de até R$ 103,75) caiu pela metade no mesmo período, de 12,7% para 6,6%, uma redução de 2,4 milhões de pessoas nessa condição. Hoje, 27,4% dos pobres são considerados indigentes - em 2002, esse percentual era de 38,6%. “As medidas para o combate da indigência estão tendo resultados mais efetivos que as medidas para combate da pobreza”, avalia o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
Em números absolutos, as duas regiões metropolitanas que registraram as maiores quedas na pobreza foram São Paulo e Rio de Janeiro, com redução de 1,15 milhão e 571 mil, respectivamente, no número de pessoas pobres entre 2002 e 2008. A região que registrou a menor redução foi Recife, cerca de 300 mil pobres a menos. Além dessas regiões, entraram na pesquisa Porto Alegre e Salvador. Em termos proporcionais, no recorte regional, a maior queda da pobreza foi registrada em Belo Horizonte, de 38,3% da população em 2002 para 23,1% em 2008. No Rio, o percentual de pobres saiu de 28,4% para 22%.
O estudo do Ipea mostra que, entre 2002 e 2008, o crescimento da economia beneficiou também os mais ricos (indivíduo pertencente a famílias cuja renda mensal é igual ou superior a 40 salários mínimos, ou R$ 16,6 mil). Em termos percentuais, os ricos passaram de 0,8% da população em 2003 para 1% em 2008, mesmo percentual do ano de 2002. Em números absolutos, cresceram de 362 mil para 476,5 mil.
Segundo o Ipea, o crescimento da economia beneficiou menos os ricos e pessoas de classe média alta. “O crescimento econômico vem acompanhado de mais empregos, que estão basicamente na base da pirâmide. A expansão do emprego de classe média alta depende da continuidade do crescimento”, disse Pochmann.
Para Pochmann, a saída de 3 milhões de brasileiros da pobreza entre 2002 e o fim de 2008 nas seis maiores regiões metropolitanas do país, conforme a previsão do órgão, é influenciada pelo crescimento da economia (com geração de emprego formal e aumento salarial), os ganhos reais do salário mínimo e as políticas sociais.
Os resultados do levantamento também mostram que, no período analisado, houve ascensão de uma classe intermediária: enquanto em 2002 aproximadamente dois terços da população nos grandes centros integravam a chamada classe média e classe média baixa, em 2008 a participação deverá crescer para um percentual mais próximo a três quartos