sábado, 30 de maio de 2009

1ª BIENAL DO LIVRO E DA LEITURA


Começou ontem a 1ª Bienal do livro e da leitura de Rio Branco, que se estende até 7 de junho. Além das exposições de livros das principais editoras nacionais, a Bienal vai promover exposição de artes plásticas, recitais de poesias, recitais de músicas, mostras de filmes brasileiros, painéis e palestras, oficinas, mesas redondas e conversas com alguns escritores.
A Bienal do Livro e da Leitura revela uma das mais expressivas manifestação da cultura e vai, com certeza, se incorporar ao calendário cultural do Acre.
O sucesso do evento, deve-se, em grande parte, a cordenação do bibliófilo, Prof.Dr. Pedro Vicente Costa Sobrinho, que assessora a Fundação de Cultura Elias Mansour.
O Governo do Estado está de parabéns pela iniciativa.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

SUPREMO FESTIVAL DE DIÁRIAS




Gilmar Mendes gastou R$ 114 mil em diárias desde 2008



Despesas do presidente do STF em viagens nos 13 primeiros meses de gestão superam em 3,6 vezes o dinheiro usado durante todo o mandato pela antecessora, Ellen Gracie.
Nos primeiros cinco meses do ano, Gilmar recebeu 30 diárias internacionais do Supremo por viagens feitas a cinco países.





O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou ao presidente da Casa, Gilmar Mendes, R$ 114.205,93 em diárias de viagem nos 13 meses de sua gestão. Isso significa que, passado um mês da metade de seu mandato, Gilmar recebeu praticamente quatro vezes o total acumulado por sua antecessora, a ministra Ellen Gracie, nos 24 meses em que ela dirigiu a corte. Em dois anos, o STF gastou R$ 31.159,90 com despesas de hospedagem, locomoção e alimentação em viagens nacionais e internacionais da ministra.



Na média mensal, o atual presidente recebe aproximadamente R$ 8.700 em diárias, seis vezes o valor registrado a cada mês por Ellen, R$ 1.300. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, o Supremo repassou a Gilmar mais do que havia destinado à ministra em seus dois anos de gestão (confira a relação das diárias do ministro).



O Supremo depositou R$ 43.899,75 na conta do ministro para cobrir despesas com viagens entre janeiro e o último dia 20. O montante equivale a quase dois salários de um ministro do STF, que é de R$ 24.500, teto do funcionalismo público. No ano passado, ele recebeu R$ 70.109,44 com o benefício desde o dia em que assumiu a presidência da corte, em 23 de abril.



O
s números fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco com base em dados registrados pelo Portal Siga Brasil, que é abastecido pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). De acordo com a pesquisa, cujos últimos lançamentos são de 7 de maio, outros três ministros receberam diárias por viagens feitas a trabalho este ano: Ricardo Lewandowski, R$ 9.172,00; Joaquim Barbosa, R$ 6.841,05, e Cezar Peluso, R$ 4.411,20.



Cada ministro do Supremo tem direito a uma diária de US$ 485, cerca de R$ 980, para cobrir despesas em viagens internacionais. No caso das viagens nacionais, a diária é de R$ 614, com um adicional de R$ 172. No último dia 28, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu fixar o valor das diárias do STF como teto para juízes e desembargadores. Para os servidores do Judiciário, ficou estabelecido um limite de R$ 368,40.



Com a decisão, o CNJ, que também é presidido por Gilmar Mendes, atendeu a um pedido de providências apresentado em setembro de 2008 contra abusos cometidos em alguns tribunais. No Maranhão, por exemplo, desembargadores recebiam diárias de até R$ 1 mil. No entendimento do Conselho, o benefício vinha sendo tratado como “complemento salarial” pelos magistrados.



Um país por mês
Nos primeiros cinco meses do ano, Gilmar recebeu 30 diárias internacionais do Supremo por viagens feitas a cinco países: França, Espanha, México, Egito e África do Sul. As despesas, nesses casos, totalizam cerca de R$ 30 mil em 2009. Em todo o ano passado, o ministro recebeu 31 diárias ao visitar sete países: Lituânia, Argentina, Coréia do Sul, Paraguai, Estados Unidos e Alemanha.
Em 2009, o ministro recebeu ainda outras 24,5 diárias por viagens nacionais. Entre elas, está a referente a uma viagem feita por Gilmar logo após presidir a sessão do Supremo que decidiu pela manutenção da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Naquela noite, o ministro viajou até Macapá, onde recebeu o título de cidadão amapaense, concedido pela Assembleia Legislativa do Amapá. Ele voltou a Brasília no dia seguinte. De acordo com o Siafi, Gilmar recebeu uma diária e meia na ocasião.



A ministra Ellen Gracie presidiu o STF entre 27 de abril de 2006 e 23 de abril de 2008. Em seu primeiro ano de mandato, fez apenas uma viagem ao exterior a trabalho. Participou de um evento no Paraguai nos dias 27 e 28 de agosto de 2006.
No ano seguinte, a então presidente do Supremo participou de atividades nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria. O maior valor recebido por ela, de R$ 4.947,00, se refere a dez diárias relativas ao período de 31 de agosto a 14 de setembro em que ela esteve em Frankfurt, Berlim e Stuttgart e Viena. Na época, a diária internacional da ministra era de US$ 242,50, metade do atual valor, o que explica, em parte, a diferença entre os benefícios recebidos pelos dois ministros. Gilmar ainda tem pela frente 11 meses de mandato.



Agenda
Procurada pelo Congresso em Foco desde a última sexta-feira, a assessoria de imprensa do STF enviou no início da noite de ontem (26) uma
agenda do presidente, confirmando a participação dele em eventos nas datas correspondentes aos pagamentos. “A agenda do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça é pública e divulgada diariamente no site do STF, na página de notícias, incluindo as viagens”, ressalta a mensagem.
O tribunal encaminhou também uma tabela, com a relação das diárias pagas a Gilmar e Ellen, produzida pela Secretaria de Administração e Finanças do STF. Os números relativos ao ministro coincidem com os dados levantados pelo site no Siga Brasil, salvo uma diferença de R$ 283,06.
No caso da ministra, o documento apresenta duas imprecisões que elevam o repasse à ministra para R$ 41.899,60. Isso acontece porque a secretaria computou quatro diárias canceladas e ignorou uma emitida em 1º de junho de 2006. Novamente procurada, a assessoria disse que só poderia se manifestar na manhã desta quarta-feira (27).




Meu comentário: O Gilmar é o "Caxeiro Viajante " do Supremo. E nós pagando.

LULA E SEU POVO


Lula e seu povo.

A maioria identifica-se naturalmente com o igual que chegou ao poder.


Por Mino Carta.(Edição Comemorativa dos 15 anos de Carta Capital)

Dizem que Luiz Inácio Lula da Silva é um predestinado, bafejado pela fortuna e protegido pelos deuses gregos. Pode ser. Teriam sido elas, a sorte e as divindades do destino, que, por exemplo, depositaram Fernando Henrique Cardoso no caminho de Lula. Ou atiçaram a gula chinesa e indiana por nosso minério de ferro e nossa soja.Sim, o príncipe dos sociólogos foi o grande cabo eleitoral do ex-torneiro mecânico nas eleições de 2002. O currículo presidencial de quem conseguiu quebrar o País por três vezes e o deixou à míngua é realmente imbatível. A bola quicou na pequena área, o goleiro agarrou ar puro, só faltou empurrar malhas adentro.

É inegável também que a situação mundial contribuiu para elevar os índices de crescimento ao longo do governo Lula. Mas ele não chegou lá por acaso. Não se desmereçam os senhores do destino, tampouco o nosso herói.

Desde a adolescência, quando a mãe faxineira enterrava os filhos menores até o pescoço no quintal para que não se afastassem da casinhola enquanto trabalhava, Lula fez a sua própria sorte. Fosse ele um gato, diríamos que estes quinze anos devida de Carta Capital registram o ensaio do pulo e o próprio, pontualmente repetido graus às artimanhas do já citado FHC para alcançar a sua reeleição em 1998.

Não imaginava que o espelho do futuro refletiria alguém mais bem-sucedido e infinitamente mais popular.Pois é, os senhores emplumados (de penas medíocres) não contavam com o povo, o que faz sentido em um país onde sonham e por ora realizam a democracia sem povo. Eis um aspecto muito relevante na eleição e na reeleição de Lula.

A conexão entre este e a maioria dos brasileiros atingiu enfim uma definição clamorosa.Não é que a mídia, face peremptória do poder, não se tenha empenhado com força total para neutralizar o Sapo Barbudo, como se deu em 1989, 1994 e 1998. Desta vez não colou, em primeiro lugar, pela razão já apontada: o naufrágio do governo FHC, tragado de vez pelo redemoinho do segundo mandato.

Como se sabe, o povo brasileiro vive no limbo, ao trazer no lombo a marca do chicote da escravidão. Inerte, resignado, em parte inconsciente da cidadania. O poder planta-se sobre esta apatia.

Graças a FHC, em 2002 o mecanismo não funcionou, com a inegável colaboração do escasso apelo do candidato José Serra. E a vitória de Lula foi, inclusive, a derrota da mídia.Desde a campanha, com a Carta aos Brasileiros, o candidato do PT cuidou de exibir a sua vocação de conciliador. Em entrevista que me concedeu em fins de 2005, em meio à crise do chamado mensalão, lá pelas tantas ele disse, impassível: "Você sabe que eu nunca fui de esquerda". Retruquei: "Espera aí".

O líder da brava resistência à ditadura representada pelas greves do ABC de 1978, 79 e 80 não podia deixar de ser de esquerda. Creio ter sido aquele o principal e eficaz movimento civil organizado contra o regime, fardado e à paisana. Não somente mostrou que no Brasil não havia apenas pelegos, mas também foi berço do Partido dos Trabalhadores, nascido, é bom sublinhar, com uma plataforma ideológica francamente de esquerda.As mudanças da política mundial e a queda do Muro de Berlim exigiram retoques, nem por isso o PT deixou de ser partido esquerdista, sem detrimento da tendência inegavelmente conciliadora de Lula.

Não me surpreenderia se ele dissesse nunca ter lido Marx, suponho que um dos seus modelos seja Dom Quixote, representado na casa modestíssima do operário dos anos 70 por uma estatueta do herói de Cervantes. Enfeitava uma estante de poucos livros. Aposto, porém, em um Quixote mítico, intérprete de destemor e inconformismo, em lugar do tresloucado cavaleiro fora do seu tempo. Lula mantém os pés no chão e a cabeça na exata atmosfera do presente. Impossível imaginá-lo a navegar nas nuvens. Depois do "espera aí", invoquei a necessária busca da igualdade em um país tão desigual, e acentuei que bastava caminhar neste rumo para ser de esquerda. Ele admitiu, sem pestanejar.

Desde fins de 1977, quando conheci Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, percebi, e até me pareceu tocar com a ponta dos dedos, seu Q.I. Altíssimo, aliado a uma simpatia invulgar, fatores decisivos da sua facilidade de comunicação. Do seu carisma, como se diz. Até hoje, não falta quem insista em proclamar sua lida árdua com a gramática e a sintaxe. Sobretudo a sintaxe. Aleivosias cada vez mais ridículas. Grotescas. Lula exprime-se muito bem, mesmo ao tropeçar, eventualmente, no tempo de um verbo.Já escrevi, e repito: orgulho-me de ter compreendido desde logo que o homem iria longe.

Não ouso sustentar que cheguei a imaginá-lo na Presidência da República. Quando chegou, porém, não me caiu o queixo. Esperava dele um governo mais determinado, mais assertivo, mais corajoso, especialmente no combate ao insuportável desequilíbrio social, a meu ver o maior obstáculo à contemporaneidade do Brasil.

Vislumbro no MST o único movimento envolvido nessa direção, mas não vi no governo a intenção de apoiá-lo na justa medida. Não me comovi com o Bolsa Família, conquanto lhe reconheça alguns méritos. De monta discutível, de todo modo. Em contraposição, assisti à tomada de medidas que favoreceram a onda neoliberal e obstaram a produção, conforme o figurino finalmente demolido pela crise global.Sim, não se tratou de um governo de esquerda, longe disso. Mesmo assim a personagem Lula é de porte notável, a merecer a exclamação de Barack Obama, este é "o cara".

Trata-se de um campeão da confiança em si mesmo, primeiro motivo da obstinação bem posta. O reconhecimento internacional premia uma política exterior afirmativa, digna de um país consciente das suas primazias, e, ainda mais, a devastadora empatia da figura presidencial.

Os motivos do sucesso lá fora são, de todo modo, diversos daqueles que levam a índices de aprovação nunca navegados no País. O presidente mais popular da história do Brasil, para desespero da mídia nativa, deve seu êxito sem paralelos à identificação com seu povo.

A maioria dos brasileiros enxerga nele o semelhante, no sentido mais completo da palavra, que se sentou no trono. Até hoje a mídia não perde a oportunidade, por mais vaga ou descabida, para apontar Lula e seu governo à execração pública. Furo n'água. Rapazes, desistam, enquanto ele for presidente. A maioria fecha com ele em quaisquer circunstâncias. Automaticamente. Roboticamente.

Donde o retumbante fracasso da mídia, rosto do poder. Este também é fato inédito. Talvez se trate do maior mérito, da maior qualidade do governo Lula. De forma muito mais clara do que no caso de Getúlio Vargas, o velhinho sorridente, estabeleceu-se uma ligação direta entre a nação e seu líder. Não convém iludir-se, contudo, com a derrota da mídia. E, portanto, dos vetustos donos do poder. O próximo presidente não será um ex-torneiro mecânico habilitado à Presidência da República. Conquanto não venha a cair meu queixo se, ao contrário do que os analistas vaticinam, Lula conseguir mais uma façanha: transferir ao seu candidato, ou melhor, candidata, o peso da sua avassaladora popularidade.A verificar.

Sobra a certeza: o sucessor, seja quem for, não contará com o apoio automático, robótico, da nação. Com todas as implicações desta situação. Suas escolhas terão de ser muito mais nítidas. À direita ou à esquerda. Lula é sempre entendido, se for o caso, sempre perdoado. Santificado, ao cabo.

O destino do futuro presidente é muito mais complexo e difícil, porque não gozará de tais regalias. O burguês em lugar do operário.Vem à tona a memória do passado, o ABC, o sindicato naquela ladeira íngreme, o Estádio de Vila Euclydes lotado, Lula no palanque. Deitava sua oratória impetuosa, às vezes tropeçava no tempo dos verbos.

Recordo também Fernando Henrique, esforçou-se para impedir que Raymundo Faoro subisse ao palanque do presidente do sindicato. Tentativa fracassada, 30 anos atrás. Estranhos, singulares, misteriosos cruzamentos de pessoas e pensamentos. Me ocorre um almoço em um bar de São Bernardo, entre Lula e FHC, não sei bem por que me sentei à mesma mesa. Creio ter sofrido sardinhas fritas e ovos duros. Lembro que murmurei aos ouvidos dos meus botões: "Sujeitos muito diferentes..."

terça-feira, 26 de maio de 2009

IMPRENSA E 3º MANDATO (ONTEM E HOJE)

Do Blog CIDADANIA de Eduardo Guimarães.

O passado os condena

Atualizado às 14h58m de 24 de maio de 2009



Vocês devem – ou deveriam – estar pela tampa com a imprensa golpista do eixo São Paulo-Rio com essa história que ela não pára de masturbar sobre o “risco à democracia” que estaria contido na intenção supostamente oculta de Lula de fazer aprovar de alguma maneira no Congresso (via PEC) proposta que lhe permita conseguir um terceiro mandato para si.
Apesar das reiteradas negativas do presidente, a imprensa não se satisfaz. Acha que é pouco ele dizer que não disputará terceiro mandato nenhum. Não diz claramente o que ele deveria fazer, mas explica uma vez e outra e mais outra quão danoso seria para a democracia mudar as regras do jogo com este em andamento, ou seja, permitir que um presidente altere a Constituição para poder disputar um novo mandato.
Essa ojeriza da imprensa a mudança constitucional que permita a um governante disputar mandatos consecutivos nas urnas também se manifestou estrepitosamente durante o processo recentemente ocorrido na Venezuela, no qual o presidente Hugo Chávez conseguiu o direito de disputar novas reeleições.
Atado a esta maldita memória que me tortura, porém, sou tomado de acessos de gastrite cada vez que leio ou escuto os empregadinhos das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita – bem como seus penduricalhos no resto da mídia – vituperarem contra mudança das regras do jogo com ele em andamento. Sofro o diabo com essa conversa fiada.
Sabem por que? É que me lembro do que essa mesma mídia dizia à época em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou a Constituição – inclusive por meio de compra de votos de deputados para votarem com o governo – a fim de poder se candidatar à reeleição.
Jornais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, entre outros, defendiam apaixonadamente a possibilidade de FHC recandidatar-se sob a mesma mudança das regras do jogo que agora esses veículos dizem ser “atentado à democracia”. E a justificativa era a vontade popular, que agora esses órgãos de imprensa dizem que não importa e que não mais justifica mudança constitucional.
Em 5 de janeiro de 1996, por exemplo, editorial da Folha intitulado “Reeleição Popular” propugnava nesse sentido. Vejam, abaixo, que “gracinha”.

“O apoio de três em cada quatro brasileiros à possibilidade da reeleição para o próximo presidente e futuros governadores e prefeitos mostra que a população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos que vem a se mostrar bons governantes. (...)
O argumento de que a reeleição ensejaria o uso eleitoral da máquina administrativa pelo mandatário – o candidato parece engajado. Afinal, esquece ingenuamente que a ‘máquina’ pode ser igualmente utilizada – como lamentavelmente ocorre amiúde – em prol do candidato de situação, mesmo que não seja ele o mandatário.
Uma eventual emenda de reeleição, ademais, evidentemente não muda a lei para manter um governante. Ela apenas permite que ele se recandidate. Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.”

Hoje, a mesma Folha de São Paulo não quer nem ouvir falar em projetos de lei sobre a realização de um plebiscito para perguntar ao povo se Lula pode ou não disputar um terceiro mandato, mas quando quem governava era FHC e era ele quem desejava mudar a Constituição para poder disputar um novo mandato, o jornal tinha outra opinião.
Leiam, abaixo, trecho do editorial da Folha de 9 de janeiro de 1997 intitulado, mui adequadamente, como “Casuísmo explícito”. Mas só leiam se tiverem estômago forte.

“Esta Folha há muito considera justo o direito de os governantes, inclusive os atuais, disputarem a reeleição. Mas a abrangência da questão, a total ausência de debates esclarecedores e a clara manipulação do tema, visando benefícios meramente eleitorais, tornam cada vez mais indispensáveis que o assunto venha a ser examinado em fóruns amplos e, em seguida, apreciado em plebiscito nacional”

Já o jornal carioca O Globo não queria perder muito tempo com o assunto. Em editorial de 26 de janeiro de 1997 intitulado “O preço da demora”, pedia que se aprovasse logo a emenda da reeleição de FHC para não atrapalhar seu magnífico projeto de nação, que dois anos depois quebraria de novo o Brasil e o faria peregrinar pelos organismos multilaterais de pires na mão.
Leiam e chorem.

“(...). Para essas mudanças são fundamentais as reformas estruturais em andamento: delas dependem a revisão da ação do Estado, enquanto os mecanismos de mercado se tornam cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros.
Tudo isso está suspenso, enquanto se debate a emenda da reeleição. Trata-se de uma questão política duplamente importante do ponto de vista econômico. Por um lado, a aprovação do direito de reeleição na prática significa a ampliação do horizonte das reformas; por outro lado, é um problemas que deve ser resolvido com rapidez, para que a classe política, o Executivo e o Congresso voltem a se concentrar na agenda das reformas.”

Como vocês vêem, a mídia só engana os desmemoriados, pois o passado dela a condena. Infelizmente, porém, desmemoriados, ao menos no Brasil, costumam ser maioria. E aqueles que, como eu, têm memória, que se danem.


Ontem e hoje


Vocês leram, no primeiro editorial da Folha reproduzido acima, o que o jornal achava ontem de mudar a constituição para que o presidente de turno possa disputar a reeleição. A Folha apoiava, como todo o resto da mídia. Dizia ser direito da população reeleger um governo do qual estava gostando etc. Agora, o discurso mudou, porque mudou a corrente político-ideológica que governa.
Vale a pena ler, abaixo, editorial recente da Folha, do último dia 22, curiosamente intitulado “casuímo sem fim”, que mostra como o jornal muda de opinião sempre de acordo com a própria conveniência, o que mostra como essa gente não tem um pingo de seriedade, sendo apenas um bando de gangsters, de mercenários pagos para defender interesses de grupos políticos e econômicos.

“(...) Retomam-se as especulações e as iniciativas em torno de uma terceira candidatura consecutiva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (...) Mas a confirmação dos índices de popularidade de um presidente, que referendos desse tipo tendem a refletir, em nada se confunde com a prática institucional de qualquer democracia digna desse nome.
Trata-se de assegurar um mínimo de alternância no poder, de respeitar as regras básicas do jogo político e de evitar que ele se torne refém da figura providencial de líderes personalistas. (...)
Se há muito a aprimorar no sistema político brasileiro, certamente o calendário sucessório e o dispositivo da reeleição não fazem parte do que interessa discutir. Que se cogite de mudá-los, conforme a conveniência deste ou daquele político, é um sinal de imaturidade que não condiz com o estado já alcançado pelas instituições do país, mais de 20 anos após a Carta democrática.”

Comentário :
Precisamos espalhar este texto. As pessoas precisam saber que, ontem, essa mesma mídia que hoje repudia mudar a Constituição de forma que Lula possa se submeter a escrutínio da vontade popular, defendeu processo idêntico em 1997 porque o beneficiário era FHC, o qual apoiava e apóia.
Ajudem-me a espalhar este post por onde puderem. Imprimam e levem uma cópia com vocês por aí. Quando ouvirem alguém falando que o jornal A ou B está denunciando que Lula quer violar a democracia, blabblablá, etc e tal, tirem o papel do bolso e ponham o burro no seu lugar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O GOVERNO LULA,O PT E DILMA ESTÃO BEM NA FOTO




Do Blog do Rovai:



A Pesquisa encomendada pelo PT à Vox Populi, com margem de erro de 2,2% e queu ouviu 2 mil pessoas entre 2 e 7 de maio, traz resultados bastante alentadores para a candidatura da ministra Dilma Roussef. Veja os números:



Sentimento sobre o Brasil - 67% estão satisfeitos ou muito satisfeitos, igual a maio de 2008;

- 27% estão insatisfeitos; 5% muito insatisfeitos



- Para 60%, Brasil melhorou nos últimos anos

- Para 14%, piorou

- Para 56%, vai melhorar nos próximos 2 anos

- Para 13%, vai piorar



Preferência partidária- PT tem 29% da preferência partidária; alta de 4 pontos em relação a 2008 e de 10 pontos sobre 2004.



- PMDB tem 8%; PSDB tem 7%; e DEM tem 1%

- Eleitores sem preferência: 49%, queda de 15 pontos em relação a 2004 (64%)



Rejeição Partidária- PT tem 8% de rejeição, estável em relação a 2008 - PMDB tem 5%; PSDB tem 5%; e DEM tem 3%

- 67% não rejeitam nenhum partido, queda de 2 pontos em relação a 2008 (69%)



Imagem partidária- Primeiro partido que vem à cabeça: PT, 35%; PMDB, 24%; PSDB, 14%.



Avaliação do PT - 59% têm muita ou alguma simpatia pelo PT, aumento de 12 pontos sobre 2008

- 81% acham o PT forte ou muito forte, aumento de 5 pontos em relação a 2008

- 65% consideram positiva a atuação do PT na política, aumento de 5 pontos sobre 2008

- Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer, aumento de 5 pontos sobre 2008



Opiniões sobre o PT- É dinâmico e trabalhador: 75%, contra 69% em 2008

- É moderno, com idéias novas: 75%, contra 69% em 2008

- Deve ter candidato próprio à Presidência: 68%, contra 67% em 2008



- Governo Lula (Desempenho do presidente) - Avaliação positiva: 87% (ótimo, bom e regular positivo), contra 84% em 2008



- Melhores ações do governo - Programas sociais, 36%; política econômica, 19%; Educação, 8%; Habitação, 7%



Eleições (partido do próximo presidente)- Para 34%, próximo presidente deve ser do PT



- Projeto de país - Para 73%, próximo presidente deve continuar com todas ou com a maioria das atuais políticas, contra 68% em 2008.

- Candidato apoiado por Lula - 23% votam com certeza no candidato apoiado por Lula - 41% pode votar, dependendo do candidato - 10% não votam - 22% não levam isso em consideração



- INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE,



1º turno, estimulada

Cenário 1 Ciro, 23%; Dilma, 21%; Aécio, 18%; Heloísa, 10%; Branco/Nulo/NS, 18%



Cenário 2 Serra, 36%; Dilma, 19%; Ciro, 17%; Heloísa, 8%; Branco/Nulo/NS, 19% Comparativo: Em relação a maio de 2008, Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu 6 pontos.



Cenário 3 Dilma, 25%; Aécio, 20%; Heloísa, 16%; Brancos/Nulos/NS, 40%



Cenário 4 Serra, 43%; Dilma, 22%; Heloísa, 11%; Branco/Nulo/NS, 24%



Cenário 5 Serra, 48%; Dilma, 25%; Branco/Nulo/NS, 37%



Rejeição: Heloísa Helena, 17%; Aécio, 13%; Serra, 12%; Dilma, 11%; Ciro, 9%.



Meu comentário.



Apesar da crise, do PIG (Partido da Imprensa Golpista) e seus "urubólogos de plantão", o povo tem uma percepção clara sobre o que está acontecendo e não se deixa ludibriar pelo alarmismo e a desinformação. A grande maioria tem clareza que o país melhorou e vai continuar melhorando nos próximos 2 anos (56%). Lula continua sendo o Presidente melhor avaliado da história Republicana (87% entre ótimo, bom e regular positivo) - um FENÔMENO. Lula será um eleitor privilegiado e, talvez, decisivo na próxima disputa presidencial. (23% votam em quem Lula apoiar - a teoria do "poste" - e 41% votam conforme o candidato). Os Programas Sociais são os melhores avaliados pela população (36%) e o mais importante: 73% opinam que eles devem continuar. Quem se eleger não vai ousar mexer nas conquistas sociais do governo Lula.

E o PT, que sofreu um grande abalo com a crise do mensalão, volta a ser bem avaliado, 75% dos entrevistados o consideram um partido moderno, dinâmico e trabalhador e que ajuda o Brasil a crescer. É um partido forte, ou muito forte, na avaliação de 81% das pessoas. E a desconhecida Dilma Roussef, com câncer e tudo, subiu 10 pontos percentuais nas pesquisas e seu principal adversário, José Serra, caiu 10 pontos. Outro dado interessante é que a sua rejeição é menor que a do principal concorrente, em que pese, o esforço da Folha (da Ditabranda) de tentar colar na candidata a pecha de terrorista, subversiva, assaltante de bancos e sequestradora, forjando e publicando em manchete de 1ª página no jornal, a "ficha da Dilma" do seu tempo de militãncia política de resistência a ditadura, não branda como quer a Folha, mas violentíssima que os militares implantaram no Brasil em 64. É por essas e outras, que o PIG, as oposições zoológicas DEMO-TUCANAS,vivem aterrorizadas com a remota possibilidade de se discutir um 3º mandato para Lula, que vive declarando a exaustão, que tal proposta não faz parte de suas pretensões nem conta com seu apoio. Agora se eu fosse Lula, só de sacanagem, sairia de vice da Dilma, com toda humildade, ou então, disputaria o governo de São Paulo para defenestrar, o "Mandarinato" DEMO-TUCANO, de 15 anos naquela cidade e naquele Estado, antes que eles acabem com a "locomotiva do Brasil". Em qualquer cenário, Lula não pode se dar ao luxo de ir descansar um pouco, embora mereça, pois o Brasil precisa de sua liderança no palco político nacional e internacional. Barack foi profético: Lula é o cara e a cara do Brasil.

O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO


Manifestação no Rio de Janeiro, ontem (21-05), em defesa da Petrobrás e em repúdio a CPI dos Tucanos do PSDB. É a reedição da memorável campanha cívica dos anos 50 - O PETRÓLEO É NOSSO.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FELICIDADE, DESESPERADAMENTE




Uma leitura fundamental: "Felicidade, desesperadamente." de André Comte-Sponville. Pense, num livrinho pequeno e bom!! RECOMENDO.




O texto que segue é a transcrição, revista e corrigida pelo autor, da conferência-debate pronunciada por André Comte-Sponville no dia 18 de outubro de 1999, no âmbito dos Lundis Philo (Segundas-feiras de Filosofia), no Piano’cktail, em Bouguenais (44340).


André Comte-Sponville

A Felicidade, desesperadamente.


Vou falar, então, da felicidade... Confesso que, diante de tal tema, estou dividido entre dois sen­timentos opostos. Primeiro, o sentimento da evidência, da banalidade mesmo: porque a felicida­de, quase por definição, interessa a todo o mundo (lembrem-se de Pascal: “Todos os homens procuram ser felizes; isso não tem exceção... E es­se o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar...”), e de­veria interessar ainda mais ao filosofo. Tradicio­nalmente, historicamente, desde que os gregos inventaram a palavra e a coisa philosophia, todos sabem que a felicidade faz parte dos objetos privilegiados da reflexão filosófica, que é até um dos mais importantes e dos mais constantes. Vejam Sócrates ou Platão, Aristóteles ou Epicuro, Spinoza ou Kant, Diderot ou Alain... “Não é verdade que nós, homens, desejamos todos ser felizes?” A busca da felicidade é a coisa mais bem distribuída do mundo.

No entanto, ao mesmo tempo que esse sentimento de evidência ou de banalidade, tenho também o de certa singularidade, certa solidão, para não dizer de certa audácia: esse tema, que pertence desde há tanto à tradição filosófica, a maioria dos filósofos contemporâneos – digamos, os que dominaram a segunda metade do século XX – tinha quase completamente esquecido, como se de repente a felicidade houvesse deixado de ser um problema filosófico. Foi o que surpreendeu meus colegas, quando publiquei meu primeiro livro, o Traité du désespoir et de la béatitude... Parecia-lhes que eu reatava com velhas noções – a de felicidade, a da sabedoria... – que lhes soavam obsoletas, arcaicas, superadas, que eu filosofava, foi o que me disse na época meu ex-professor do curso preparatório para a École Normale Supérieure, como já não se fazia “havia séculos”, acrescentara ele, eu nunca soube se era um elogio ou uma crítica, “como já não se ousa fazer...” Em suma, eu estava com alguns séculos de atraso, e não deixaram de me chamar a atenção para isso... Serão quase sempre os mesmos que, alguns anos depois, me acusaram de seguir a onda (que onda? A da sabedoria, da filosofia antiga ou à antiga, da ética, da felicidade...). não mudei muito, porém, nem eles. O público é que mudou, e tanto melhor se eu tiver alguma coisa a ver com isso.


Meu primeiro livro apareceu em 1984: parecia então, de fato, que eu estava com vários séculos de atraso... Depois veio o sucesso, pouco a pouco, e compreendi que eu estivera uns dez anos adiantado. Não me gabo. O que são dez anos para a filosofia? Mas também não tenho por que me envergonhar. A verdade é que o passado da filosofia está sempre diante de nós, que nunca terminaremos de explorá-lo, de compreendê-lo, de tentar prolongá-lo... E que foi por não ter medo de parecer superado ou atrasado que talvez, às vezes, eu tenha estado um pouco adiantado...
O fato é que meu ponto de partida, em filosofia, foi reatar com essa velha questão grega e filosófica, a questão da felicidade, da vida boa, da sabedoria. Não por gosto de remar contra a correnteza, mas porque eu tinha vontade de fazer filosofia como a faziam os mestres que eu apreciava e admirava, apesar de alguns deles terem morrido haviam vários séculos: os gregos primeiro, é claro, mas também Montaigne ou Descartes, Spinoza ou Alain... Nesse caminho, aliás, havia pelo menos um contemporâneo que me precedera: Marcel Conche. Depois outro, que, sem o seguir pessoalmente, me incentivava a explorá-lo: Louis Althusser. Segui o exemplo ou o conselho deles. Subi muito a montanha, na história da filosofia, para tentar avançar um pouco. Não tinha escolha: não teria podido filosofar de outro modo.


Em suma, quis reatar não apenas com a etimologia, que não passa de um pequeno aspecto da questão, mas com essa tradição filosófica que faz que a Philosophia, como diziam os gregos, seja, etimológica e conceitualmente, o amor à sabedoria, a busca da sabedoria, sabedoria que se reconhece de fato, para quem a atinge e segundo a quase totalidade dos autores, por uma certa qualidade de felicidade. Se a filosofia não nos ajuda a ser felizes, ou a ser menos infelizes, para que serve a filosofia?
O filósofo que mais me marcou, durante todos os meus anos de estudo, mais ainda que Spinoza, mais ainda que Marx ou Althusser, foi sem dúvida Epicuro, que descobri no curso preparatório e a quem mais tarde consagrei minha dissertação de mestrado. Fiz logo minha a belíssima definição que ele dava da filosofia. Lembrem-se da primeira aula de filosofia que vocês tiveram, vocês que chegaram ao último ano do segundo ciclo... Há uma pergunta que os professores de filosofia fazem quase inevitavelmente no colegial (eu próprio fui professor de filosofia por vários anos) na primeira aula do ano, no início do mês de setembro. É preciso explicar a adolescentes que nunca estudaram filosofia o que ela é, em outras palavras, o que eles vão estudar, à razão de oito, cinco ou três horas por semana, conforme o curso, durante todo um ano; o que é essa nova disciplina – nova para eles! – que se chama desde há tanto tempo filosofia... Contaram-me que um colega, na primeira aula do ano, à pergunta “O que é a filosofia?” respondia: “A filosofia é uma coisa extraordinária. Faz vinte anos que ensino e continuo sem saber o que é!” Se fosse verdade, eu acharia muito mais inquietante do que extraordinário. O que poderia valer uma disciplina intelectual que não fosse capaz nem sequer de se definir? Mas não creio que seja assim. A verdade é que é perfeitamente possível responder à pergunta “O que é a filosofia?” e até mesmo de várias maneiras diferentes – essa pluralidade mesma já é filosófica. Quanto a mim, adorei a resposta que Epicuro dava a essa pergunta. Ela assume devidamente a forma de uma definição: “A filosofia é uma atividade que, por discursos e raciocínios, nos proporciona uma vida feliz”. Gosto de tudo nessa definição. Gosto em primeiro lugar de que a filosofia seja uma “atividade”, energeia, e não apenas um sistema, uma especulação ou uma contemplação. Gosto de que ela seja feita por “discursos e raciocínios”, e não por visões, bons sentimentos ou êxtase. Gosto enfim de que ela nos proporcione “uma vida feliz”, e não apenas o saber e, menos ainda, o poder... Ou, em todo caso, de que ela tenda a nos proporcionar uma vida feliz. Porque, se eu tinha uma reserva a fazer, e tenho, a essa bela definição de Epicuro, é que não estou convencido de que tenhamos, nós, modernos, os meios de assumir o belo otimismo grego ou a bela confiança grega. Onde Epicuro escrevia que “a filosofia é uma atividade que, por discursos e raciocínios, nos proporciona uma vida feliz”, eu diria antes, mais modestamente, “que tende a nos proporcionar uma vida feliz”. Fora essa reserva, a definição, que data de vinte e três séculos atrás e que me ilumina já há quase trinta anos, continua me convindo. O que á a filosofia? Para dizê-lo com palavras que sejam minhas (mas vocês verão que minha definição está calcada na de Epicuro), responderei: a filosofia é uma prática discursiva (ela procede “por discursos e raciocínios”) que tem a vida por objeto, a razão por meio e a felicidade por fim. Trata-se de melhor para viver melhor.
A felicidade é a meta da filosofia. Ou, mais exatamente, a meta da filosofia é a sabedoria, portanto a felicidade – já que, mais uma vez, uma das idéias mais aceitas em toda a tradição filosófica, especialmente na tradição grega, é que se reconhece a sabedoria pela felicidade, em todo caso por certo tipo de felicidade. Porque, se o sábio é feliz, não é de uma maneira qualquer nem a um preço qualquer. Se a sabedoria é uma felicidade, não é uma felicidade qualquer! Não é, por exemplo, uma felicidade obtida à custa de drogas, ilusões ou diversões. Imaginem que nossos médicos inventem, nos anos futuros – alguns dizem que já inventaram, mas, tranquilizem-se, ainda há muito o que esperar –, um novo remédio, uma espécie de ansiolítico e antidepressivo absoluto, que seria ao mesmo tempo um tônico e um euforizante: a pílula da felicidade. Uma pilulazinha azul, cor-de-rosa ou verde, que bastaria tomar todas as manhãs para se sentir permanentemente (sem nenhum efeito secundário, sem viciar, sem dependência) num estado de completo bem-estar, de completa felicidade... Não digo que nos recusaríamos a experimentá-la, nem às vezes, quando a vida está mesmo muito difícil, até a usá-la com certa regularidade... Mas digo que quase todos nós nos recusaríamos a nos satisfazer com ela e que, em todo caso, nos recusaríamos de chamar de sabedoria essa felicidade que deveríamos a um remédio. A mesma coisa vale, claro, para uma felicidade que proviesse apenas de um sistema eficaz de ilusões, mentiras ou esquecimentos. Porque a felicidade que queremos, a felicidade que os gregos chamavam de sabedoria, aquela que é a meta da filosofia, é uma felicidade que não se obtém por meio de drogas, mentiras, ilusões, diversão, no sentido pascaliano do tempo; é uma felicidade que se obteria em certa relação com a verdade: uma verdadeira felicidade ou uma felicidade verdadeira.
O que é a sabedoria? É a felicidade na verdade, ou “a alegria que nasce da verdade”. Esta é a expressão que Santo Agostinho utiliza para definir a beatitude, a vida verdadeiramente feliz, em oposição a nossas pequenas felicidades, sempre mais ou menos factícias ou ilusórias. Sou sensível ao fato de que é a mesma palavra beatitude que Spinoza retomará, bem mais tarde, para designar a felicidade do sábio, a felicidade que não é a recompensa da virtude mas a própria virtude... a beatitude é a felicidade do sábio, em oposição às felicidades que nós, que não somos sábios, conhecemos comumente, ou, digamos, às nossas aparências de felicidade, que às vezes são alimentadas por drogas ou álcoois, muitas vezes por ilusões, diversão ou má-fé. Pequenas mentiras, pequenos derivativos, remedinhos, estimulantezinhos... Não sejamos severos demais. Nem sempre podemos dispensá-los. Mas a sabedoria é outra coisa. A sabedoria seria a felicidade na verdade.
A sabedoria? É uma felicidade verdadeira ou uma verdade feliz. Não façamos disso um absoluto, porém. Podemos ser mais ou menos sábios, do mesmo modo que podemos ser mais ou menos loucos. Digamos que a sabedoria aponta para uma direção: a do máximo de felicidade no máximo de lucidez.
Portanto a felicidade é a meta da filosofia. Para que serve filosofar? Serve para ser feliz, para ser mais feliz. Mas, se a felicidade é a meta da filosofia, não é sua norma. O que entendo por isso? A meta de uma atividade é aquilo a que ela tende; sua norma é aquilo a que ela se submete. Quando digo que a felicidade é a meta da filosofia mas não sua norma, quero dizer que não é porque uma idéia me faz feliz que devo pensá-la – porque muitas ilusões confortáveis me tornariam mais facilmente feliz do que várias verdades desagradáveis que conheço. Se devo pensar uma idéia, não é porque ela me faz feliz (senão a filosofia não passaria de uma versão sofisticada, e sofística, do método Coué: trata-se de pensar “positivo”, como se diz, em outras palavras ludibriar-se). Não, se devo pensar uma idéia é porque ela me parece verdadeira. A felicidade é a meta da filosofia mas não é a sua norma, porque a norma da filosofia é a verdade, pelo menos a verdade possível (porque nunca a conhecemos por inteiro, nem absolutamente, nem com total certeza), o que chamaria de bom grado, corrigindo Spinoza por Montaigne, a norma da idéia verdadeira dada ou possível. Trata-se de pensar não o que me torna feliz, mas o que me parece verdadeiro – e fica a meu encargo tentar encontrar, diante dessa verdade, seja ela triste ou angustiante, o máximo de felicidade possível. a felicidade é a meta; a verdade é o caminho ou a norma. Isso significa que, se o filósofo puder optar entre uma verdade e uma felicidade – felizmente, o problema nem sempre se coloca nesses termos, só às vezes –, se o filósofo puder entre uma verdade e uma felicidade, ele só será filósofo, ou só será digno de sê-lo, se optar pela verdade. Mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria.
Sobre este último ponto, nem todo o mundo estará de acordo. Sem dúvida vários de vocês, na sala, estarão se dizendo que, pensando bem, entre uma verdadeira tristeza e uma falsa alegria, vocês prefeririam a falsa alegria... Vários, mas não todos. Pois bem: dispomos aqui de uma excelente pedra de toque, para saber quem é filósofo na alma e quem não é. Toda definição de filosofia já acarreta uma filosofia. Do meu ponto de vista, só é verdadeiramente filósofo quem ama a felicidade, como todo mundo, mas ama mais ainda a verdade – só é filósofo quem prefere uma verdadeira tristeza a uma falsa alegria. Nesse sentido, muitos são filósofos sem ser profissionais da filosofia, e é melhor assim; e alguns são profissionais ou professores de filosofia sem que por isso sejam filósofos, e azar o deles.
O essencial é não mentir, e antes de mais nada não se mentir. Não se mentir sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a felicidade. E é porque eu gostaria de não mentir que adotei o projeto que se segue. Num primeiro tempo, tentarei compreender por que não somos felizes, ou tão pouco, ou tão mal, ou tão raramente: é o que chamarei de a felicidade malograda (no original, bonheur manqué), ou as armadilhas da esperança. Num segundo tempo, a fim de tentar sair dessa armadilha, exporei uma crítica da esperança, desembocando no que chamarei de a felicidade em ato. Enfim, num terceiro tempo, que poderia se chamar a felicidade desesperadamente, terminarei evocando o que poderia ser uma sabedoria do desespero, num sentido que especificarei e que seria também uma sabedoria da felicidade, da ação e do amor.

André Comte-Sponville – A FELICIDADE DESESPERADAMENTE –
Tradução de Eduardo Brandão – Martins Fontes Editora, São Paulo, 2001

DIÁLOGOS PINDORÂMICOS


Diálogo telefônico, nada Republicano, da era FHC, sobre a privatização das Telecomunicações,


Mendonça de Barros







MENDONÇA DE BARROS(MINISTRO PRIVATARIA DE FHC) - Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar? [Ricardo era diretor do BB].
RICARDO SÉRGIO - Acabei de dar.
MENDONÇA DE BARROS - Não é para a Embratel, é para a Telemar [nome de fantasia da Tele Norte Leste].
RICARDO SÉRGIO - Dei para a Embratel, e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da irresponsabilidade.
MENDONÇA DE BARROS - É isso aí, estamos juntos.
RICARDO SÉRGIO - Na hora que der merda, estamos juntos desde o início."



DEU MERDA APENAS PARA O POVO E NINGUEM FOI PUNIDO.

terça-feira, 19 de maio de 2009

COMEÇOU A REAÇÃO AOS ENTREGUISTAS DEMO-TUCANOS


Ato público no RJ em defesa da Petrobras

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) faz um chamado a todos que estiverem no Rio de Janeiro para uma um Ato público, por uma nova lei do petróleo e em defesa da Petrobrás.

Dia: quinta-feira, dia 21/05/2009
Local: Rio de Janeiro, passeata desde a Igreja da Candelária até a sede da Petrobrás na Av. Chile (Av. República do Chile, 65)
Hora: A concentração na Candelária será as 09:00horas

Dica: quem só puder comparecer no horário do almoço, não precisa deixar de participar. Vá direto para a sede, na Av. Chile.

Segue a nota da FUP:

Enquanto os tucanos querem parar a Petrobrás, multinacionais avançam sobre o pré-sal

A FUP e os sindicatos de petroleiros, junto com a CUT, UNE, MST, OAB/RJ e várias outras entidades dos movimentos sociais, realizam um grande ato público na próxima quinta-feira, 21, por uma nova legislação para o setor petróleo e em defesa da Petrobrás. A manifestação pretende reunir centenas de militantes no centro do Rio de Janeiro para uma passeata que sairá da Praça da Candelária, em direção ao edifício sede da Petrobrás, na Avenida Chile, onde os manifestantes farão um abraço simbólico do prédio. A concentração está prevista para ter início às 09 horas, na Candelária.

O ato público reforçará a urgência de uma nova legislação para garantir o controle estatal e social sobre as reservas brasileiras de petróleo e gás, além de defender a Petrobrás dos ataques tucanos contra a soberania nacional. Enquanto o PSDB arma uma CPI para desestabilizar a empresa que representa a maior fonte de investimentos do país, as multinacionais avançam sobre o pré-sal, intensificando os projetos exploratórios sobre a maior reserva petrolífera descoberta no mundo nos últimos anos.

Não por acaso, essa CPI armada pelo PSDB surge no momento em que o governo e a sociedade discutem mudanças na Lei do Petróleo, uma das piores heranças deixadas pelos tucanos. A descoberta do pré-sal trouxe à tona a urgência de novas regras para o setor, que foi totalmente desregulamentado nos anos 90, quando o PSDB entregou às multinacionais a exploração do nosso petróleo e gás. Os tucanos e demais setores conservadores da política nacional não querem que a Petrobrás nem o Estado brasileiro voltem a controlar esse patrimônio tão estratégico para o Brasil.

Os movimentos sociais estão mobilizados e não permitirão que a oposição atrase o desenvolvimento do país, tentando paralisar a Petrobrás ou impedindo mudanças na legislação do setor. Todos ao ato de quinta-feira, em defesa da soberania nacional! Parar a Petrobrás é parar o Brasil! Os brasileiros reagirão contra essa manobra antinacionalista dos tucanos!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CPI DA PETROBRÁS - 3

CPI DA TUCANALHA


Enviei o seguinte e-mail para a Tucanalha do PSDB.


Aos Excelentíssimos Senadores do PSDB (A Tucanalha).

Por que Vossas Excelências não vão criar vergonha na cara? Deixem a Petrobrás em paz. Caso não tenham nada para fazer, vão arranjar uma lavagem de roupa. Roupa suja por aí é o que não falta. Façam a CPI do Efraim, por exemplo, ou das passagens aéreas, ou da PRIVATARIA do desgoverno de vocês, que venderam a Vale e as Telecomunicações por pouco mais ou nada!! Ainda bem que nós temos uma oposição zoológica - demo-tucanalha, que vivem atirando no próprio pé. Vossas excelências além de impatriotas são burros, pois vão reeditar a Campanha do Petróleo é Nosso. Aguardem. O chá de Vossas Excelências está se coando.


Marcos Inácio Fernandes (Um cidadão indignado)RG- Nº 101.403 - SSP/AC


EIS OS VENDILHÕES DO TEMPLO:
1. Álvaro Dias (PSDB-PR) - CRIADOR DA CPI - alvarodias@senador.gov.br
2. Sérgio Guerra (PSDB-PE)-sergio.guerra@senador.gov.br
3. Marco Maciel (DEM-PE)-marco.maciel@senador.gov.br
4. Lucia Vânia (PSDB-GO)-lucia.vania@senadora.gov.br
5. Antonio Carlos Junior (DEM-BA) - acmjr@senador.gov.br
6. Agripino Maia (DEM-RN) -jose.agripino@senador.gov.br
7. Raimundo Colombo (DEM-SC)-raimundocolombo@senador.gov.br
8. Efraim Morais (DEM-PB) -efraim.morais@senador.gov.br
9. Pedro Simon (PMDB-RS)-simon@senador.gov.br
10. Jarbas Vaconcelos (PMDB-PE) -jarbas.vasconcelos@senador.gov.br
11. Cícero Lucena (PSDB-PB) -cicero.lucena@senador.gov.br
12. Demóstenes Torres (DEM-GO) -demostenes.torres@senador.gov.br
13. Jayme Campos (DEM-MT) -jayme.campos@senador.gov.br
14. Heráclito Fortes (DEM-PI) -heraclito.fortes@senador.gov.br
15. Mario Couto (PSDB- PA)-mario.couto@senador.gov.br
16. Eduardo Azeredo (PSDB-MG) -eduardo.azeredo@senador.gov.br
18. Kátia Abreu (DEM-TO)-katia.abreu@senadora.gov.br
19. Romeu Tuma (PTB-SP) -romeu.tuma@senador.gov.br
20. Arthur Virgílio (PSDB-AM) -arthur.virgilio@senador.gov.br
21. Adelmir Santana (DEM-DF) - adelmir.santana@senador.gov.br
22. Marconi Perillo (PSDB-GO)-marconi.perillo@senador.gov.br
23. Mão Santa (PMDB-PI) -maosanta@senador.gov.br
24. João Tenório (PSDB-AL) -jtenorio@senador.gov.br
25. Gilberto Goellner (DEM-MT) -gilberto.goellner@senador.gov.br
26. Marisa Serrano (PSDB-MS) -marisa.serrano@senadora.gov.br
27. Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) -mozarildo@senador.gov.br
28. Papaléo Paes (PSDB-AP) -papaleo@senador.gov.br
29. Tasso Jereissatti (PSDB-CE)-tasso.jereissati@senador.gov.br
30. Geraldo Mesquita (PMDB-AC) -geraldo.mesquita@senador.gov.br
31. Maria do Carmo (DEM-SE) -maria.carmo@senadora.gov.br

domingo, 17 de maio de 2009

NO FIM A GENTE PARTE...

Mário Benedetti (14/09/1920 - 17/05/2009)


Morreu hoje em Montivideu, aos 88 anos, o poeta urugaio Mário Benedetti. Entre tantos poemas maravilhosos, um me marcou profundamente - Havaneira. É um poema que fala de despedidas de uma forma terna, cujos últimos versos diz assim: "No fim a gente parte./Agente parte e é outro/ Disposto a não esquecer, a não dizer/ tudo isso e ainda/ Com o mais árduo adeus/ E o coração mais novo." Agora o poeta partiu. Em sua homenagem, uma frase e um poema de sua autoria:

"A mais horrivel variante da solidão: a solidão daquele que nem sequer tem a si mesmo." (Mário Benedetti)

O poema:


EM PÉ

Continuo em pé
por pulsar
por costume
por não abrir a janela decisiva
e olhar de uma vez a insolente
morte
essa mansa
dona da espera

continuo em pé
por preguiça nas despedidas
no fechamento e demolição
da memória

não é um mérito
outros desafiam
a claridade
o caos
ou a tortura

continuar em pé
quer dizer coragem

ou não ter
onde cair
morto

(De A Ras de Sueño, 1967)


A DIREITA VEM AÍ, FAMINTA.

A direita vem aí, faminta

Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais.
O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo. O que explica a vitória de Gilberto Kassab em bolsões de classe média baixa em São Paulo: eleitores beneficiados por programas do governo federal, despolitizados, gravitaram para o candidato com o melhor marketing televisivo.
Já contei aqui sobre o comício final de Marta Suplicy, que teve a presença de Lula: um belíssimo cenário para gravar a propaganda mas nenhuma vibração popular. Vitória completa da forma sobre o conteúdo, do marketing sobre a política.
Agora, às vésperas de 2010, Lula costura de novo para o centro. O governador José Serra faz o mesmo. Serra limou Yeda Crucius de sua coalizão. A Veja já fez duas reportagens seguidas prevendo a hecatombe da tucana gaúcha. O PSDB já deve ter fechado acordo com José Fogaça, do PMDB, para apoiá-lo como candidato a governador em 2012, em troca de apoio no ano que vem.
Os aliados conservadores de Lula são José Sarney e Michel Temer, o que explica o furor midiático em relação à "farra das passagens". Se ambos fossem aliados de Serra o Congresso não estaria "em crise", nem mereceria tamanha cobertura do eixo midiático Veja-Globo-Folha.
A Folha Online anuncia um acordo entre Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pelo qual este seria vice na chapa tucana. Com isso o governador paulista reduz ainda mais a margem de manobra de Lula no PMDB e deixa o presidente da República no colo do trio Sarney-Temer-Renan.
Os acordos acima citados reforçam a posição de Serra no Sul e no Sudeste. Mais ainda se considerarmos que a crise econômica internacional está longe de acabar, que teremos um crescimento interno reduzido este ano e apenas razoável em 2010.
Em entrevista à CartaCapital, Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.
Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.

Atualizado em 17 de maio de 2009 às 17:09 Publicado em 17 de maio de 2009 às 14:50
por Luiz Carlos Azenha

CPI DA TUCANALHA.

Sobre a CPI DEMO-TUCANA. Mais um passo na privatização do Congresso
Atualizado em 17 de maio de 2009 às 00:32 Publicado em 16 de maio de 2009 às 12:09
por Luiz Carlos Azenha - no Vi o Mundo.

É inacreditável a irresponsabilidade daqueles que receberam de forma legítima, do povo, uma cadeira no Senado Federal. É inacreditável que coloquem seus interesses políticos de curto prazo adiante dos interesses da população e do Brasil.
A Petrobras pode ser investigada? Pode e deve. Não importa que seja uma empresa estratégica, nem que carregue consigo a simbologia do país. A Petrobras pode e deve ser cobrada, sempre, especialmente quando coloca em risco o meio ambiente, quando colabora com a precarização das relações de trabalho -- através da terceirização -- ou quando coloca interesses particulares de seus acionistas adiante dos interesses do Brasil.
Não queremos uma estatal fazendo o papel que a petroleira da Venezuela teve naquele país, de um verdadeiro governo paralelo, que colocava interesses comerciais e estratégicos dos Estados Unidos acima dos interesses nacionais. Ou vocês acham que não foi a intervenção de Chávez na PDVSA o estopim para o golpe contra o presidente da Venezuela?
O problema, portanto, não é se a Petrobras deve ou não ser investigada. É como fazê-lo. Já existem todas as instâncias necessárias à investigação da Petrobras, tanto da parte do governo, quanto da oposição, quanto da sociedade. A empresa pode ser investigada pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, pela Polícia Federal e nas diversas comissões do Parlamento. Não há dúvida: a Petrobras deve satisfações ao Congresso, pode e deve ser denunciada na tribuna e precisa responder a todos os questionamentos que recebe.
O que não dá para entender, sinceramente, é que se pretenda promover um circo no Congresso às custas da Petrobras, especialmente num momento de crise econômica internacional em que suposições, ilações e acusações infundadas podem afetar a empresa. Que diretor da Petrobras terá coragem de tomar uma decisão estratégica sob o risco de depois ser arrastado e torturado pelo Arthur Virgílio sob as luzes da CPI? Qual será a reação dos parceiros estrangeiros da Petrobras diante dos escândalos artificialmente produzidos no Congresso? Quanto os acionistas da empresa perderão em dinheiro? Que projetos serão adiados ou comprometidos pela inquisição pré-eleitoral?
Em tese, uma CPI não deveria assustar ninguém. Mas não falamos em tese. Falamos no Brasil. E falamos a partir de exemplos concretos: qual foi a utilidade das CPIs recentes, além de gerar uma enxurrada de manchetes, 95% das quais baseadas em fofocas, meias-verdades, distorções e mentiras? Tomemos como exemplo a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas. Qual foi a serventia, além de torrar dinheiro público com a defesa dos interesses do banqueiro Daniel Dantas?
A CPI dos Amigos de Dantas foi o caso mais concreto e escabroso, até agora, da privatização do Congresso brasileiro. Quem vai ganhar com a CPI da Petrobras? O Brasil? O eleitor? O acionista da empresa? O projeto de exploração do pré-sal?
Ou é aquela mesma turma que pretendia transferir a base de lançamentos de Alcântara para os Estados Unidos, que vendeu a Vale a preço de banana, que planejava vender Furnas, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal?
A CPI da Petrobras é mais um passo na privatização do Congresso brasileiro, desta vez em nome de interesses externos conjugados com os de pilantras brasileiros de sempre. Pilantras, diga-se, com mandato popular.

PS: Está sendo lançada nos bastidores da internet uma articulação que tem como objetivo dar uma resposta unificada da blogosfera independente a este absurdo.

Tô nessa.

O PETRÓLEO É NOSSO!!!

Charge do Locateli

 Vamos reeditar a Campanha Patriótica dos anos 50 : "O PETRÓLEO É NOSSO"


Do Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim.


O petróleo é nosso, Serra !


17/maio/2009 12:30
O Conversa Afiada recebeu esse artigo de Eduardo Guimarães, presidente do Movimento dos Sem Mídia
17/05/2009


Em defesa da Petrobrás


O petróleo é nosso, PSDB!


O bordão “O petróleo é nosso” foi criado pela Campanha do Petróleo, desencadeada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e por nacionalistas. Daquela campanha nasceu a estatal petrolífera nacional, a Petrobras, em 1953.
O Brasil, desde aquela época, vem se dividindo entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro. Em 1938, o governo Getúlio Vargas determinou a exploração de uma jazida de petróleo em Lobato, na Bahia, dando origem ao Conselho Nacional do Petróleo. Desde então, as jazidas minerais passaram a ser propriedade do povo, sendo vedada a propriedade privada.
Criar a Petrobrás, no início dos 50, foi uma decisão acertada. Naquela época, o Brasil importava 93% dos derivados de petróleo que consumia. Hoje, somos autossuficientes.
O monopólio estatal do petróleo durou 44 anos. Foi quebrado em 16 de outubro de 1997 justamente pelo governo Fernando Henrique Cardoso e pelo partido que lhe dava sustentação, o PSDB, que agora, diante da maior descoberta petrolífera da história do país, novamente avança sobre o petróleo a fim de entregá-lo ao monopólio estrangeiro.
A CPI da Petrobrás, recém-criada no Senado Federal por iniciativa do PSDB e a mando evidente da eminencia parda da agremiação, o governador José Serra, é o mais novo avanço dos entreguistas de que falava Getúlio Vargas, aos quais o país se opôs e criou a empresa petrolífera.
Como disse recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a descoberta e o início das operações de exploração do pré-sal constitui a “Segunda Independência” do Brasil. Através dessa riqueza imensa que jaz em nosso litoral Sudeste, o Brasil poderá ascender ao Primeiro Mundo talvez em uma década, se conseguirmos manter a riqueza a salvo das garras tucanas.
Não é por outra razão que venho propor a criação da nova campanha em defesa das riquezas minerais brasileiras, sugerindo o bordão “O petróleo é nosso, PSDB!”
E, sem titubear, começo propondo o início dessa campanha num ato público em defesa da Petrobrás a se realizar o quanto antes diante do diretório estadual do PSDB em São Paulo, no bairro de Indianópolis, na avenida que leva o mesmo nome, pois o ataque à Petrobrás vem do mesmo partido que começou a entregar o petróleo brasileiro há 12 anos e que quer voltar ao poder no ano que vem para continuar sua obra nefasta.
Como sempre, dependerei de vocês para saírem pela internet propondo em sites e blogs a medida que anuncio aqui em defesa dos interesses nacionais.
Será um ato ao qual se pretende a adesão de partidos, sindicatos, movimentos sociais e da sociedade civil de forma geral. Diante do previsível bloqueio que a imprensa dará a esta iniciativa, só podemos contar com vocês, leitores, e com a força da internet.
Na semana que vem, novamente iniciarei contatos para difundir o ato público proposto. Desta vez, porém, será no âmbito maior de uma campanha que se espera que se espalhe pelo país.
Caso esta proposta receba as adesões minimamente necessárias dos leitores deste blog, novamente o Movimento dos Sem Mídia assumirá o compromisso de organizar outro ato em defesa da cidadania. E vocês, ao aderirem, comprometer-se-ão a difundir esta proposta onde possam na internet - nas ruas, entre a familia, entre os amigos, onde cada um puder.
Primeiro em São Paulo, na terra da mente criminosa que está por trás de tudo isso, na mente obscura de José Serra. Depois, pelo país inteiro. A campanha deverá durar enquanto durar a CPI da Petrobrás, com atos públicos espalhando-se pelo país até chegarmos a um ato maior, que sugiro que seja feito em Brasília diante do Congresso Nacional.
Pronto, a sorte foi lançada. A reação, agora, dependerá de cada um de nós, de nosso empenho em difundir e defender os interesses do Brasil. Que Deus nos ilumine e ajude a manter as garras tucanas e reacionárias longe das riquezas nacionais
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

LULA GANHA PRÊMIO DA UNESCO (NÃO SAIU NOS JORNAIS)

Lula - O fomentador da paz


El Presidente de Brasil, Lula da Silva, galardonado con el Premio de Fomento de La Paz Félix Houphouët-Boigny 2008
París, 13 de mayo

El Presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ha sido galardonado hoy con el Premio de Fomento de la Paz Félix Houphouët-Boigny 2008. El acto solemne de entrega de esta recompensa tendrá lugar el próximo 7 de julio.
Al anunciar la decisión del jurado del Premio, el ex Presidente de Portugal, Mario Soares, ha declarado: “El jurado ha decidido otorgar el Premio de Fomento de la Paz Félix Houphouët-Boigny de este año a Luiz Inacio Lula da Silva, Presidente de la República Federal de Brasil, por su labor en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos, así como por su inestimable contribución a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías”.
Creado en 1989 y otorgado cada año por la UNESCO, el Premio de Fomento de la Paz Félix Houphouët-Boigny tiene por objeto rendir homenaje a las personas, instituciones u organismos que han contribuido significativamente a fomentar, buscar, salvaguardar o mantener la paz, teniendo presentes los principios de la Carta de las Naciones Unidas y la Constitución de la UNESCO. Entre los galardonados de las anteriores ediciones del Premio, figuran: Nelson Mandela y Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres y Yasser Arafat; el Rey de España, Juan Carlos I, y el ex Presidente de los Estados Unidos de América, Jimmy Carter; el Presidente de Senegal, Abdulaye Wade; y el ex Presidente de Finlandia, Martti Ahtisaari. Algunas de estas personalidades fueron recompensadas después con el Premio Nobel de la Paz. ****
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terça-feira, 12 de maio de 2009

HOMENAGEM ÀS MÃES


MÃE, 365 DIAS POR ANO
Elizabeth Mafra Cabral Nasser
Antropóloga


O Dia das Mães começou nos Estados Unidos, em maio de 1905, em uma pequena cidade do Estado da Virgínia Ocidental. Foi lá que Anna Marie Reeves Jarvis e algumas amigas iniciaram um movimento para criar um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. O esforço delas foi reconhecido quando em 1910 o governador daquele Estado colocou o Dia das Mães no calendário oficial. Posteriormente, todos os estados americanos e inúmeros países começaram também a comemorar o segundo domingo de maio como a data dedicada às mães.
Nesta data, todos – DOS MAIS POBRES AOS MAIS RICOS - querem dar algo a sua mãe ou esposa. É indiscutível que a mãe, como rainha do lar, sempre existiu desde que um bípede implume começou a caminhar pelas savanas africanas (há pelo menos 6 milhões de anos). Assim, a mãe não é o que é apenas um dia, mas 365/66 por ano. Lavando, amamentando, cozinhando, engomando, passando noites acordadas, chorando as dores e tristezas dos filhos, esperando ansiosas as notas do colégio ou o resultado do vestibular. Em todos os momentos ela é mãe. Por que escolher um dia para celebrar essa realidade? Seria melhor que todo o carinho que lhe devotam neste único dia fosse distribuído por todo o ano.
Quantas mães só recebem amor, carinho, afeto e abraços neste dia? Será que nos outros seu desempenho no lar não é visto apenas como uma obrigação? Até que ponto a homenagem do Dia das Mães não é somente o cumprimento de um compromisso, tornado obrigatório pelo peso simbólico da data? È possível que o(a) filho(a) ou o marido ao derramar seu afeto sinta apenas que pagou num dia o que esqueceu de fazer em todos os outros. Ele é um bom filho, ou um bom marido; deixou de ir à praia ao futebol, a companhia dos amigos e passou o dia com a mãe. E os dias e as noites que ela passou sozinha? Muitas vezes apreensiva, pedindo que nada aconteça aos filhos e filhas que se divertem.
Os presentes que são dados na ocasião são bem significativos (embora variem de acordo com a situação financeira de cada um). Tanto o filho como o marido em geral imaginam que os presentes que as mulheres gostam de receber são aqueles que, afinal, vão servir a família. (Ou seja, vão aliviar um pouco a consciência dos presenteadores maridos e filhos), que por norma jamais participam do trabalho doméstico, ou se o fazem é de forma episódica.
Com freqüência os presentes são itens utilitários, cuja função é encher o reino da “rainha do lar” com algumas utilidades eletrônicas. É uma parafernália eletrodoméstica que lhe vai aumentar o trabalho. Dão-lhe um moderníssimo aparelho de fazer sucos ou uma batedeira, e imediatamente - após ler as complicadíssimas instruções – ela começa a fazer sucos, bolos e doces para mostrar o quanto gostou do presente e, também o quanto a maquina é maravilhosa. Se o presente é uma bonita maquina de costura, último modelo, certamente ela ouvirá “você agora poderá costurar as roupas da família”. E a mãe incansável, esquecendo até as dores lombares, cada vez mais constantes, começará a costurar, particularmente à noite e nos fins de semana.
E em sua casa, ou seja, “no seu reino”, vão se acumulando as máquinas, geladeiras, freezers, máquinas que cortam, picam, trituram, congelam, lavam e secam. E as mães “rainhas” cada vez mais eficientes. E pendurada no pescoço dos maridos e filhos (as) agradecem emocionadas os mimos, pois elas estão ganhando e tendo o que sempre sonharam na vida. Mas será que este era o verdadeiro sonho delas ou dos presenteadores? “Ingratas”, “mal agradecidas”, dizem muitos quando as mães começam a reclamar dos presentes, pois não era aquilo que desejavam.
Deveriam essas mulheres, como fez uma aluna minha, ao receber tais presentes reunir toda a família, acender uma vela e cantar parabéns, pois estas são dádivas para a casa, para a família como um todo e não especificamente para a mãe. O que a mulher quer mesmo é algo bem pessoal: uma rosa, um perfume, uma camisola, um passeio a dois... Ela quer, pelo menos neste dia, receber os carinhos já sepultados, o afeto já esquecido. Ela quer voltar a ser a namorada tão amada que o casamento acabou.


Publicado no “Jornal de Hoje” de 08 de maio de 2009.

Texto enviado por Erinalda Galvão, por e-mail.

NO SÉCULO RETRAZADO ERA ASSIM

Recebí por e-mail da amiga Erinalda Galvão de Natal - RN, Compartilho.



SENTENÇA JUDICIAL DE 1833 . Como se tratava o estupro em 1833.


'Ipsis litteris, ipsis verbis' - TRATA-SE DE LINGUA PORTUGUESA ARCAICA


SENTENÇA JUDICIAL DATADA DE 1833 - PROVÍNCIA DE SERGIPE.

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.


CONSIDERO:
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar , porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.


CONDENO:
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.
Nomeio carrasco o carcereiro.


Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos. Manoel Fernandes dos Santos Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de Outubro de 1833.
Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

FRASES PINDORÂMICAS




1 - "Estou me lixando para a opinião pública." ( Sérgio Moraes, Deputado Federal pelo PTB - RS)






2 - "Os Juizes, antes de tomar suas decisões, não devem ouvir o que diz o sujeito da esquina." (Gilmar Mendes, Presidente do STF "ensinando" como os juizes de 1ª Instância devem proceder)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

CIDADANIA - DIREITO À INFORMAÇÃO

Eduardo Guimarães: "Faça a sua escolha"
Atualizado em 07 de maio de 2009 às 15:00 Publicado em 07 de maio de 2009 às 13:46
por Eduardo Guimarães, no Cidadania

Um contingente enorme de brasileiros ainda não se deu conta de um dos mais importantes direitos dos cidadãos, do direito à informação, um direito que no mundo contemporâneo faz a diferença entre uma pessoa ter como buscar o próprio bem-estar, bem como o de sua família, e de não ter como fazê-lo de forma eficiente por simples falta de conhecimentos. Informação, dizem, é poder, e não necessariamente um poder opressivo, exercido para dobrar outras vontades e superar os interesses alheios, como costuma ser o poder quando exercido pelos que são poderosos em tempo integral, mas um poder que talvez nem possa ser chamado assim, sendo mais uma faculdade como a fala, a visão e a audição.Ter negadas informações importantes e necessárias a tomadas de decisão impostergáveis e de cunho estritamente pessoal - como, por exemplo, são as decisões políticas das pessoas nas democracias dignas do nome - equivale a ser vendado para a realidade de forma deliberada e criminosa por parte de pessoas mal-intencionadas que buscam a ignorância alheia como forma de atingir objetivos inconfessáveis.Venho lutando contra isso há muitos anos, da forma como posso, mas sempre me surpreendo ao ver que a conduta dos detentores quase que do monopólio da informação (por deterem o controle da mídia eletrônica, que é a que faz a diferença atualmente), não muda.É claro que acabou a época na qual, se a imprensa não noticiasse alguma coisa, ela não existia. Hoje existe a internet, e ela permite que se compartilhe informações de todos os tipos com o mundo inteiro, e de forma tão completa que nunca se imaginou que viria a existir.O grande problema, atualmente, é o de que, apesar de hoje ser possível burlar a censura que a imprensa sempre impõe a fatos dos quais não gosta, só se pode informar quem estiver disposto a ser informado, e que, dessa maneira, busque informações livres na rede mundial de computadores.Infelizmente, apesar de a mudança da situação que descreverei estar se processando velozmente aqui e no resto do mundo, as pessoas ainda dependem, quase que em sua totalidade, dos meios eletrônicos de informação, sendo mera fração da sociedade que adotou o hábito de se informar adequadamente sobre o jogo do poder.O contingente de pessoas que substituíram os meios convencionais de acesso à informação pela internet já é majoritário nos países ricos. Em alguns anos, isso ocorrerá também no Brasil. Todavia, ainda não chegamos nem perto de tal situação, até por conta das deficiências culturais enormes que nos separam dos povos desenvolvidos.Essa situação é preocupante porque ainda somos um país de vendados políticos que tateia pela escuridão da censura em busca de um caminho que nos conduza à luz do conhecimento e da consciência política.Vejam esse caso da manifestação contra Gilmar Dantas ontem à noite em Brasília. Hoje cedo, tão pronto cheguei ao escritório, busquei o site do maior jornal da capital federal do Brasil, onde ocorrera o ato público, o Correio Brasiliense, na esperança de encontrar a notícia de que tal manifestação ocorreu.É óbvio que, tal qual aconteceu em quase todas as tevês abertas (com exceção da Record), nos grandes jornais de toda parte não foi noticiado que centenas de pessoas ocuparam a Praça dos Três Poderes, na capital da República, em frente ao Judiciário, ao Legislativo e ao Executivo, para protestar contra o presidente de um daqueles poderes."E por que isso aconteceu?", perguntamo-nos. A resposta é simples: porque um grupo político que controla a informação no Brasil não gostou da notícia e decidiu que a sonegaria ao conjunto da sociedade, pois esta depende extremamente dos meios eletrônicos de informação e, em medida bem menor - porém importante -, dos grandes jornais.Não é por outra razão que denominei como "sem-mídia" a mim mesmo e aos que pensam como eu, porque o conceito de mídia, hoje, remete ao monopólio exercido por "meia dúzia" de famílias "tradicionais" espalhadas pelos quatro cantos do país, e estas famílias negam acesso ao império que construíram ao custo de verbas públicas, de benesses do Estado, sobretudo durante a ditadura militar, àqueles que dissentem de suas idiossincrasias políticas e ideológicas.Como se não bastasse a censura em seus impérios de comunicação, essas oligarquias se valem de "capangas ideológicos" como um Reinaldo Azevedo ou um Ricardo Noblat para darem combate aos que se contrapõem a seus interesses políticos no terreno em que estes têm como lutar, que é na internet.É uma luta desigual. O próprio Estado, governado pelos inimigos políticos das famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita, se vê acuado pelo poder que elas exercem, um poder que lhes permite criar sucessivas crises institucionais, comoções públicas de conseqüências imprevisíveis (como no caso da febre amarela ou no do alarmismo econômico que piorou gravemente a situação da economia brasileira em dezembro do ano passado) e a defesa efetiva de seus interesses em leis e outras políticas públicas.Estamos na véspera de um ano no qual o topo da pirâmide social brasileira tentará impedir o estreitamento da base dessa pirâmide, fenômeno que passou a ocorrer a partir do governo Lula como jamais acontecerá em mais de cem anos de história republicana. Temos, assim, duas opções: empurrar para o outro a responsabilidade de combater essa ameaça que é a mídia brasileira ou assumirmos, cada um, a parte de responsabilidade que nos cabe.Eu lhes garanto que já fiz a minha escolha há muito tempo. Que cada um de vocês faça a sua. Pode ser pela poltrona de vossas casas, muitas vezes diante do computador, ou nas ruas, outra arena na qual, a exemplo da internet, "eles" ainda não podem nos impedir de lutar e de dizer a verdade.Há o Movimento dos Sem Mídia, há o Movimento Saia às ruas, há outros do mesmo tipo e há até os partidos políticos e os sindicatos, para que todos se integrem a eles e participem da luta pela democratização do Brasil. Mas há, também, o movimento dos covardes e dos acomodados, um movimento que, tragicamente, tem sido o que mais adeptos tem atraído no Brasil. Escolha o seu.