sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A BEBIDA E O ORGANISMO

Recebi do Max. Compartilho.
PARA QUEM GOSTA DE BEBER..
Você vai ao bar e bebe uma cerveja.
Bebe a segunda cerveja...
A terceira, e assim por diante.
O teu estômago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo;
- Caracas véio... O cara tá bebendo muito liquido, tô cheião !!!
Teu estômago e teu cérebro não destinguem que tipo de líquido está sendo ingerido, ele sabe apenas que “é líquido”.
Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz:
- Caracas, o cara tá maluco !!!
E manda a seguinte mensagem para os rins:
- Meu, filtra o máximo de sangue que tu puder. O cara aí tá maluco e ta bebendo muito líquido. Vamos botar isso tudo pra fora.
E o rim começa a fazer até hora-extra, filtrando muito sangue e enchendo rápido.
Daí vem a primeira corrida ao banheiro.
Se você notar, esse primeiro xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vêm as impurezas do sangue.
O rim aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo, e o estômago manda outra mensagem, agora para o cérebro:
- Cara, ele não para. Socorro !!!
E o cérebro manda outra mensagem pro rim:
- Véio , estica a baladeira, manda ver aí na filtragem !!!
O rim filtra feito um louco, só que agora, o que ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas... água (o líquido mais precioso do corpo).
Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água.
E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora, e o teor de álcool no organismo aumenta, deixando você mais “bunitim”.
Chega uma hora que você tá com o teor alcoólico tão alto que teu cérebro te “desliga”.
Essa é a hora que você desmaia... dorme... capota... resumindo: essa
é a hora que o “teu” não tem dono!!! (cu de bêbado)
Ele faz isso porque pensa:
- Meu, o cara tá afim de se matar. Tá bebendo veneno pro corpo. Vou apagar esse doido pra ver se assim ele para de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele...
Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o cérebro dá a seguinte ordem pro sangue:
- Bicho, apaguei o cara. Agora a gente tem que tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte: como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles, e assim a gente consegue jogar esse veneno fora.
O sangue é como se fosse o Office-Boy do corpo.
E como um bom Office-Boy, ele obedece às ordens direitinho, e por isso começa a retirar água de todos os órgãos.
Como o cérebro é constituído de 75% de água, ele mesmo é o que mais sofre com essa “ordem”, e daí vêem as terríveis dores de cabeça da ressaca.
Então...
Eu sei que na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber,
bebam de meia em meia hora um copo d’água, porque à medida que você mija, já repõe a água perdida.

Ou então... BEBA MODERADAMENTE !!!!!!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A ELITE ESPERNEIA

E OS TORTURADORES CONTINUAM IMPUNES


“Grande” imprensa assume voz da tortura e da ditadura
Nov 19th, 2010 by Marco Aurélio Weissheimer. 23 comentários


Editorial – Carta Maior

A chamada “grande imprensa” brasileira envergonha e enfraquece a nossa jovem democracia. O uso da palavra “grande”, neste caso, revela-se cada vez mais inapropriado. Não é grande no sentido da grandeza moral que uma instituição pode ter, posto que enveredou para o domínio da mesquinharia, da manipulação e da ocultação de seus reais interesses. E não é grande também no sentido quantitativo da palavra, uma vez que vem perdendo leitores e público a cada ano que passa. Mais do que isso, vem perdendo credibilidade e aí reside justamente uma das principais ameaças à ideia de democracia e de República. As empresas que representam esse setor se autonomearam porta vozes do interesse público quando o que fazem, na verdade, é defender seus interesses econômicos e os interesses políticos de seus aliados.

Falta de transparência, manipulação da informação e ocultação da verdade constituem o tripé editorial que anima as pautas e as colunas de seus porta vozes de plantão. O repentino e seletivo interesse dessas empresas por uma parte da história do Brasil no período da ditadura militar (que elas apoiaram entusiasticamente, aliás) fornece mais um prova disso. Os seus veículos estão interessados em uma parte apenas da história, como de hábito. Uma parte bem pequena. Mas bem pequena mesmo. Só aquela relacionada ao período em que a presidente eleita Dilma Rousseff esteve presa nos porões do regime militar, onde foi barbaramente torturada. O interesse é denunciar o que a presidente eleita sofreu e pedir a responsabilização dos responsáveis? Não seria esse o interesse legítimo de uma imprensa comprometida, de fato, com a ditadura? É razoável, para dizer o mínimo, pensar assim. Mas não é nada disso que interessa à “grande” imprensa.

O objetivo declarado é um só: torturar Dilma Rousseff mais uma vez. Remover o lixo que eles mesmo produziram com seu apoio vergonhoso à ditadura e tentar, de algum modo, atingir a imagem de uma mulher que teve a coragem e a grandeza de oferecer à própria vida em uma luta absolutamente desigual contra a truculência armada e o fascismo político. O compromisso com o resgate da memória do país é zero. Talvez seja negativo. Se fosse verdadeiro e honesto tal compromisso as informações dos arquivos da ditadura contra Dilma e outros brasileiros e brasileiras que usufruíram do legítimo direito da resistência contra uma ditadura não seriam publicadas do modo que estão sendo, como sendo um relato realista do que aconteceu. Esse relato, nunca é demais lembrar, foi escrito pelas mesmas mãos que torturavam, aplicavam choques, colocavam no pau de arara, violentavam e assassinavam jovens cujo crime era resistir a sua perversidade assassina e mórbida.

Ao tomar esses relatos como seus e dar-lhes legitimidade a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público.

O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento dessa imprensa durante a ditadura. É verdade que a Folha de S.Paulo emprestou carros para transportar presos que estavam sendo ou seriam torturados? Se esse jornal está, de fato, interessado em reconstruir a história recente do Brasil por que não publica os arquivos sobre esse episódio? Por que não publica o balanço de quanto dinheiro ganhou com publicidade e outros benefícios durante os governos militares? Por que o jornal O Globo não publica os arquivos secretos das reuniões (inúmeras) do sr. Roberto Marinho com os generais que pisotearam a Constituição brasileira e depuseram um presidente eleito pelo voto popular?

Obviamente, nenhuma dessas perguntas será motivo de pauta. E a razão é muito simples: essas empresas e seus veículos não estão preocupadas com a verdade ou com a memória. Mais do que isso, a verdade e a memória são obstáculos para seus negócios. Por essa razão, precisam sequestrar a verdade e a memória e apresentar-se, ao mesmo tempo, como seus libertadores. É uma história bem conhecida em praticamente toda a América Latina, onde a imensa maioria dos meios de comunicação desempenhou um papel vergonhoso, aliando-se sistematicamente a ditaduras e a oligarquias decrépitas e sufocando o florescimento da democracia e da justiça social no continente.

HISTÓRIA: LULA RECEBE BLOGUEIROS SUJOS

Nesta 4ª feira o Presidente Lula concedeu uma entrevista histórica aos Blogueiros Progressistas (chamados de "sujos" por José Serra) Pois os sujos subiram arampa do Palácio do Planalto e realizaram uma bela entrevista com o Presidente. O Acre e a região Norte foi representado pelo Altino Machado do Blog do Altino. A sua pergunta ao Presidente foi sobre a derrota da Dilma no Acre. Transcrevo. As outras perguntas acompanhe no vídeo.



Entrevista de Lula aos Blogueiros Progressistas (os blogs Sujos) Em 24/11/2010.
Secretário de Imprensa, Nelson Breve: Bem, agora o Altino Machado, do Blog do Altino Machado, no Acre.


Altino Machado: Presidente, bom dia. Eu sou do Acre, que é um colégio eleitoral pequeno, o senhor conhece muito bem. E embora tenha pouco mais de 470 mil eleitores, o Acre, grosso modo, é um ícone para o PT, como é São Paulo para o PSDB.
O José Serra venceu nos 21 dos 22 municípios do Acre. Jorge Viana não se tornou o senador mais votado, proporcionalmente, do país, perdeu na capital. Tião Viana foi eleito muito apertado, é…
Presidente: Marina teve (incompreensível) e teve só 3% dos votos.

Altino Machado: É. Então, esse… Por que o senhor não é “o cara” no Acre? Embora, embora tenha sido dito assim, o Tião Viana disse: “O povo do Acre foi injusto com o Lula”. O Aníbal Diniz, que vai assumir a cadeira dele no Senado, disse: “Nós temos que entender a hostilidade do eleitor acreano contra Lula e contra Dilma”, não é? Como é que o senhor interpreta tudo isso? Como é que… esse caso do Acre?
Presidente: Espera aí, eu quero te agradecer por essa pergunta, porque é uma coisa que eu trago desde a minha primeira eleição para Presidente, é uma coisa… Eu perdi para o Alckmin lá.
Altino Machado: Sim, no primeiro turno.
Presidente: No primeiro turno, eu ganhei no segundo. E eu tenho… eu visito o Acre desde 1979, ou seja, por causa do Acre eu fui condenado a três anos e nove meses de cadeia. Não cumpri a pena porque… por causa da morte do assassino no comício.
Altino Machado: Eu estava lá naquele comício que o senhor fez e foi, em seguida, para Brasiléia.
Presidente: Essa semana eu encontrei com o Jorge em um jantar da Câmara Brasil-França, eu falei: “Jorge, eu preciso sentar com você, porque eu preciso entender o que está acontecendo no Acre”. Veja, eu tenho a convicção de que se pegar… O Fernando Henrique Cardoso foi até um bom presidente, na relação com o Acre.


Altino Machado: Sim.


Presidente: Mas eu tenho a convicção de que se pegar tudo o que foi feito no governo Fernando Henrique Cardoso, governo Itamar, governo Collor, governo Sarney, se somar tudo não dá a metade do dinheiro que eu pus no estado do Acre para fazer as coisas. Inclusive, vocês vão ter o prazer de ver, no Acre, os cinco rios do Acre todos com ponte estaiada, que foi uma briga para a gente poder convencer o financiamento daquelas pontes, por causa que um paulista ou um cara de Brasília não tem noção da dificuldade do que é fazer uma obra no estado do Acre, que não tem pedra, é preciso trazer pedra de outros estados, pedra importada de outros estados, às vezes demora 40 dias para chegar, se não chover demora quatro meses, ou seja, é um dilema para fazer as coisas no Acre.
E durante a campanha eu estava preocupado. Eu dizia para o Tião Viana e para o Jorge: “Olhem, eu gostaria de estudar profundamente o Acre, como é que funciona a cabeça do companheiro do Acre”. Sobretudo porque já havia um sinal muito forte de que mesmo o companheiro Jorge Viana sendo a liderança que é, o Binho sendo o quadro que é, tendo a prefeitura da capital e tendo o Tião Viana. Eu nunca vi ninguém trabalhar tanto como o Tião Viana. O Tião Viana saía daqui na quinta-feira, chegava lá, ia para todas as cidades. O PT governa 12 dos 22 municípios, tem mais cinco aliados e perdeu em quase todos, ou seja, é inexplicável. Eu acho que precisa um estudo sociológico sobre o Acre, ou o que os companheiros erraram na política do Acre. Tem erro, tem erro. Eu não ouso dizer aqui o erro antes de fazer… Mas daqui a uns seis meses, quando eu for ao Acre, sem ser presidente, eu me comprometo a te dar uma entrevista dizendo o que eu acho que aconteceu no Acre.
Altino Machado: Obrigado.

Presidente: Eu não quero ser grosseiro e fazer um julgamento precipitado. Mas certamente, certamente nós erramos no Acre por presunção. Não sei se você sabe, na minha opinião uma das razões pelas quais a Marina foi candidata a presidente é porque ela tinha convicção de que não se elegeria senadora pelo Acre, como aconteceu, de fato, uma votação pequena.
Então, eu quero, eu quero aprender o que aconteceu no Acre, não apenas com a campanha majoritária, mas com os companheiros lá. Ou seja, o Jorge Viana quase que não se elege, o Tião Viana foi 50,04%, quando a gente imaginava que ele ia ter 80%, 90%. Então, certamente não é erro do povo. Posso te garantir o seguinte, eu quero começar dizendo o seguinte: se tem uma coisa certa lá é o povo. É preciso que, ao invés de a gente ficar culpando o povo, a gente sente, faça uma reflexão [sobre] onde é que nós pisamos na bola no Acre, porque certamente o erro é nosso. Ninguém apanha tanto se acertou. Então, nós temos erros. É só a gente ter humildade, ter humildade e descobrir o que está acontecendo no Acre, porque eu tenho convicção, Altino, e você também, de que os Viana fizeram um bem para o Acre muito grande. Eu conheço o Acre desde 1979.
Altino Machado: Inegável.

Presidente: Eles transformaram aquilo em um estado. Rio Branco virou uma cidade bonita. Mas você percebe que não basta obra, não basta obra. Eu tenho na minha cabeça há muitos anos, o povo não vota numa pessoa porque ele fez uma ponte, porque ele fez uma rua, não.
O povo vota se o resultado daquilo teve uma explicação política convincente para as pessoas. E eu acho que a política está mal trabalhada no Acre. Você está lembrado? Chico Mendes virou herói mundial, mas foi candidato a prefeito em Xapuri, teve 300 votos. Osmarino saiu na capa do New York Times muitas vezes; foi candidato a prefeito em Brasileia, acho que não teve nem 100 votos. Você percebe? Há uma rejeição a um determinado tipo de discurso, que nós precisamos discutir como enfrentar isso.
Me comprometo daqui a seis meses, Altino, a ter uma conversa contigo…
_____________: Uma entrevista exclusiva. Muito bem

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ERI NO VINICIUS PIANO BAR

Música do novo CD do Eri Galvão, que tive o privilégio de ouvir na sua companhia no som do seu carro, quando retornamos do seu show no Vinicius Piano Bar, em Ipanema rumo a sua residência em Niterói na última 4ª feira (17/11/2010)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TIO JOÃO DESIDÉRIO FERNANDES - UM HERÓI ANÔNIMO DO POVO BRASILEIRO

Tio João Desidério Fernandes, 81 anos de uma vida digna (na frente de sua casa)

D.Luzia com o neto Pedro no braço e tio João.



Tio João, Adriana, Assis e D. Luzia


TIO JOÃO DESIDÉRIO FERNANDES – UM HERÓI ANÔNIMO DO POVO BRASILEIRO.

Depois de um intervalo de 18 anos, visitei pela 3ª vez meu tio João no Rio de Janeiro. Fiquei do dia 16 ao dia 22 de novembro na sua companhia e dos meus primos e, dessa vez, pude conversar e saber mais detalhes da sua trajetória de vida na Cidade ( que era prá ser) Maravilhosa. Cheguei no final da tarde e quando estava tomando o café servido por D. Luzia, sua esposa, ouvi um estampido alto e um cheiro forte de pólvora, bem na esquina da casa. Eu pensava que era um rojão de São João, mas foi um tiro de fuzil. Logo em seguida, vi uns rapazes andando armados na rua de forma tranqüila e ostensiva e o meu tio começou a me explicar como era a vida por ali e como esses fatos violentos já haviam se incorporados à rotina de suas vidas. Meu tio se lamentou também, que por conta dessa situação, meu irmão Carlos e sua esposa Zilma, que lá estiveram no mês passado, não havia ficado nem 20 minutos na sua companhia, que quando viram uma pessoa armada com fuzil na esquina da casa, trataram de ir embora. Eu fiquei mais tempo e desfrutei da boa comida caseira de D. Luzia, da cama e do quarto da Andréia, da companhia dos primos e, sobretudo, das conversas com tio João e seus relatos da sua epopéia no Rio de Janeiro, que registro e compartilho.

Tio João chegou no Rio de Janeiro no dia do Padroeiro da Cidade, São Sebastião, 20 de janeiro de 1950. Não sabia ler nem escrever e nem tinha dinheiro. Chegou com a cara e a coragem. Veio no porão do navio Pará do Lloyde Brasileiro e depois de 16 dias de viagem desembarcou no cais da praça Mauá, em frente da rádio Nacional do Rio, sem um tostão no bolso e sem saber do endereço do irmão Raimundo, que já morava no Rio. Procurou uma Delegacia de Polícia e depois de contar a sua situação para o Delegado, ele o acolheu na Delegacia e lá passou uns 16 dias fazendo a limpeza, comendo uma marmitinha e dormindo no chão. Depois achou um parente que morava no mangue da Maré, seu Antônio Caetano e D.Dersa, com quem conseguiu seu primeiro emprego de ajudante de pedreiro. Morou 2 meses com esse casal e depois se tornaram compadres. Quando localizou o irmão, Raimundo Desidério, passou a morar com ele dividindo um quarto na rua da Alfândega. Posteriormente, seu irmão Raimundo veio a falecer por afogamento e, ele ainda pouco familiarizado no Rio, teve que enfrentar essa tragédia familiar e continuar a vida. Uma vida muito dura. Em 1957, foi cumprir o serviço militar obrigatório na 3ª Companhia Especial de Manutenção Blindada do Exército em São Cristovão.Tirou seu tempo no Exército e lá aprendeu a assinar seu nome. Tio João só não foi guia de cego no Rio. Quebrou pedra no Irajá, trabalhou na Refinaria de Manguinhos e, depois de tantos outros trabalhos braçais, acabou se tornando funcionário público federal. Conseguiu uma vaga de jardineiro, através de seu Zé Veloso, conterrâneo de Pedro Velho, na Prefeitura do Campus da UFRJ, na ilha do Fundão, no setor de Paisagismo e Jardins. A “prova” para conseguir esse trabalho foi a de capinar uma área de terra, que ele tirou de letra. Começou nesse trabalho “leve” em 1966, permanecendo nele até 1993, quando então se aposentou.
Tio João casou-se com Luzia da Silva Fernandes,em (19--), uma paraibana de uma comunidade perto de Sapé, dona de um tempero maravilhoso e que faz uma “parida” (Rabanada) de “juntar menino”. Eles tiveram 9 (nove) filhos ( Severino, Antônio, José, Ednaldo, Assis, Alcides, Everaldo, Andréia e Adriana) .Quatro, já casaram (Severino, Antônio, Alcides e Adriana), um está separado (Assis), três estão solteiros (José, Ednaldo e Everaldo) e o xodó da família, Andréia, tem a Síndrome de Down. Os filhos de tio João e D. Luzia já lhes deram 8 netos a saber: Anderson e vanderson, filhos do Severino; Luana, uma “produção independente” do José; Vitória, filha do Assis, que está separado; Juliana e Adriane, do Alcides; e Patrícia e Pedro, da Adriana. Todos esses filhos e netos são do BEM!!! Tio João e D. Luzia, criaram e educaram os filhos, num ambiente “barra pesada”, como se diz, onde o Estado, o Poder Público, quase não se faz presente. Em 1959, eles vieram morar na Baixa do Sapateiro, hoje conhecida como Complexo da Maré, que compreende diversas comunidades. Nesse complexo, os moradores foram aterrando a maré, por conta própria, e construíram seus barracos, conquistados, palmo a palmo das águas e sem apoio do governo. Hoje as construções são em alvenaria, algumas delas, até de 4 pisos. Tio João, mora no mesmo local que conheci em 1974 e que depois visitei em 1992, na rua Princesa Izabel- 37, que faz esquina com a Carmela Dutra, na Comunidade hoje denominada de Nova Holanda. Agora, 18 anos depois da última visita, encontrei uma casa de alvenaria de 2 pisos, bem construída, que meu tio divide com 5 de seus 9 filhos. O local é privilegiado e fica perto de tudo (feira, comércio, escola, hospital,etc. e está há duas quadras da Av. Brasil, de onde você pode ir para qualquer lugar do Rio.) O grande drama é a ausência do Estado, especificamente, na área de segurança pública. O poder paralelo do crime organizado controla todo complexo. Na Comunidade Nova Holanda é o Comando Vermelho –CV, na Comunidade Baixa do Sapateiro é o Terceiro Comando Paralelo –TCP, com suas milícias armadas de fuzil, escopeta, granadas, pistolas ,etc. e que ostentam a céu aberto o seu poderio desfilando nas ruas com suas armas. E no meio disso fica a casa do meu tio João, onde numa de suas paredes, contei 17 buracos de balas, fora os que ele já tapou. Chegar aos 81 anos, ter compartilhado mais de 50 anos de casado com D. Luzia, com quem criou e educou 9 filhos, mantendo-os no bom caminho, através do trabalho duro e honesto e tudo isso num ambiente perigoso e adverso é como diz o ditado que circula na comunidade: É BORRACHA MUITO FORTE. Por isso eu não tenho dúvida, que o meu tio João é um desses heróis anônimos do povo brasileiro.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

UMA HOMENAGEM À PRESIDENTA DILMA


FEMININA !!!

(Ênio Barroso Filho)

A VIDA é feminina...
A escolha é feminina...
A bandeira é feminina...
A esquerda é feminina...

A revolução é feminina...
A coragem é feminina...
A luta é feminina...
A resistência é feminina...
A prisão é feminina...
A tortura é feminina...
A dor é feminina...
A solidão é feminina...
A liberdade é feminina...
A justiça é feminina...
A solidariedade é feminina...
A fraternidade é feminina...
A volta é feminina...
A força é feminina...
A determinação é feminina...
A competência é feminina...
A inteligência é feminina...
A energia é feminina...
A casa é feminina...
A república é feminina...
A recompensa é feminina...
A candidatura é feminina...
A aliança é feminina...
A disputa é feminina...
A defesa é feminina...
A tolerância é feminina...
A democracia é feminina...
A esperança é feminina...
A verdade é feminina...
A "raça" é feminina...
A eleição é feminina...
A vitória é feminina...
A certeza é feminina...
A fé é feminina...
A confiança é feminina...
A Pátria é feminina...
A Presidência é feminina...
A FESTA é feminina...

A DILMA É PRESIDENTA DO BRASIL !!!

SEM COMPROMISSO. UM REGISTRO PARA A MEMÓRIA

Em 1988 ou 1989, Assistí um show de Chico Buarque em Salvador. Essa estava no repertório. O Sem Compromisso do grande Geraldo Pereira. O mestre Marçal ainda nos brindou com uns passos de sambista.

A HISTÓRIA DAS COISAS

OS DONOS DO PODER

A CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS EM DISCUSSÃO

Do Blog do Miro.

O corajoso discurso de Franklin Martins
Reproduzo a integra da intervenção do ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), apresentada na abertura do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em 9 de novembro:

Bom dia a todos vocês.

Em primeiro lugar, eu queria agradecer aos palestrantes dos diferentes
países, que vieram de tão longe aqui, para dividir conosco a experiência que
possuem de regulação de comunicações eletrônicas.

Queria agradecer a todos os participantes, entidades, personalidades,
parlamentares, agentes públicos, acadêmicos, organizações da sociedade civil
empresarial e não empresarial, que aqui estão presentes, e dizer que, para a
Secom, é motivo de uma grande satisfação realizar este seminário.

O mundo das telecomunicações vive, hoje, uma era de desafios e de enormes
oportunidades. O processo de digitalização, a internet, o processo de
convergência de mídias, tudo isso oferece extraordinárias possibilidades,
seja do ponto de vista da difusão da informação, seja do ponto de vista da
produção e difusão cultural, seja do ponto de vista da democratização de
oportunidades e do exercício da cidadania. Além disso, permite o
estabelecimento de uma economia de vastíssimas proporções e enormes
potencialidades, gerando crescimento, gerando emprego, gerando renda,
aumentando a arrecadação de impostos; em suma, organizando um importante
setor da economia, incidindo sobre o conjunto da economia uma sociedade de
informação e de conhecimento.

Algumas consequências desse processo são nítidas. Em primeiro lugar, os
custos de produção caem brutalmente, a digitalização permite que muitas das
atividades, feitas em outras plataformas, em outras bases tecnológicas,
antes, sejam feitas de forma muito mais barata, e isso abre enormes
possibilidades.

As fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão vão se dissolvendo,
e isso gera grandes desafios. Até algum tempo atrás, era de um lado o
telefone, telefone era voz, não passava disso; do outro lado, você tinha a
radiodifusão. Hoje, cada vez mais, esse processo vai produzindo uma
interpenetração, gerando uma série de interrogações, uma série de
possibilidades, gerando uma série de riscos, mas, mais do que tudo, gerando
enormes possibilidades.

Eu costumo citar que a convergência. Costumo dizer que a convergência de
mídias é um processo inelutável, está em curso e ninguém vai detê lo. Por
isso mesmo é muito bom olharmos para frente, ao invés de ficar olhando para
o passado, olhar para trás. Olhar com nostalgia para o passado pode ser
muito interessante, do ponto de vista, vamos dizer, da pessoa se sentir bem,
rememorar coisas, etc., mas o futuro está ali e o futuro é a convergência de
mídia. Vou dar um exemplo para vocês. Isto aqui é uma televisão portátil, eu
recebo aqui um sinal aberto, gratuito, de radiodifusão e posso assistir
televisão aqui. Agora, esse mesmo aparelho se transforma em um celular, eu
recebo aqui televisão, um sinal numa tecnologia 3G, 3G e meio, 4G, ou o que
vier a aparecer, um sinal que pode ser gratuito, ou não, dependendo do
modelo de financiamento que a empresa tiver adotado. Evidente que o usuário
não vai ficar andando com dois aparelhinhos iguais. Esses dois aparelhinhos
viram um só, isso vale para a mobilidade, mas isso vale dentro de casa. Ou
seja, em pouquíssimo tempo, para o usuário, o cidadão, será absolutamente
indiferente se o sinal está vindo da radiodifusão ou está vindo das
telecomunicações.

Regular esse processo de convergência é um tremendo desafio e uma grande
necessidade para todo mundo, porque, sem regulação, não se estabelecem
regras claras, não há segurança de como atuar e, mais do que isso, não há
uma interferência da sociedade em como produzir um ambiente estável, um
ambiente com perspectiva e um ambiente onde os interesses da sociedade
prevaleçam sobre todos os demais.

Este seminário aqui, ele tem como objetivo recolher as experiências de
vários países, países democráticos, países com os quais nós mantemos
relações intensas, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista
cultural, do ponto de vista político, que são parceiros importantes do
Brasil, recolher as experiências de como eles estão regulando esse processo
de convergência de mídia. Ninguém tem um modelo pronto, que está dando
certo, que já resolveu tudo, não; está todo mundo, mais ou menos, sobre a
marcha, enfrentando os problemas que vão aparecendo. Acerta aqui, erra ali,
busca uma solução que se revela criativa, uma outra, que se pensava que era
criativa, se vê que não dá nada, bateu num muro. Mas são. Eles estão lidando
com isso e estão, de um modo geral, muito mais avançados do que nós, como
nós veremos a seguir.

Aprender com as experiências deles não é copiar a experiência deles; é ver
como eles lidaram com problemas semelhantes ao que nós estamos lidando aqui. Semelhantes, não iguais. Semelhantes, não iguais. Então, aprender com as experiências deles é importante para nós entrarmos nesse desafio de produzir um novo marco regulatório para as comunicações eletrônicas, dentro desse ambiente de convergência de mídia.

No Brasil, o nosso desafio é maior ainda do que estão enfrentando esses
outros países, porque aos desafios que são gerais, próprios das mudanças de
tecnologia, da introdução de novas tecnologias, etc., somam se desafios
peculiares, particulares nossos.

A nossa legislação é absolutamente ultrapassada. Isso não é segredo para
nenhum de vocês. A gente pode fazer discurso, pode dizer que já fez uma
mudancinha aqui, adaptou ali, mas cada um de nós, quando conversa com seus botões e não com o microfone da televisão, sabe perfeitamente que a nossa legislação é absolutamente ultrapassada. Para se ter uma idéia, o Código Brasileiro de Telecomunicações, que é o que rege a radiodifusão em linhas gerais, é de 1962 - 62 -, ou seja, televisão, não havia TV a cores, não havia satélites, não havia rede; naquela época, havia mais "televizinho" do que televisão no Brasil. "Televizinho", para quem não se lembra - a maioria aqui não é daquela época - se chamava simpaticamente os vizinhos que vinham
assistir televisão na casa de quem tinha. Pois bem, havia mais "televizinho"
do que televisão. Nosso Código é dessa época. Ele não responde aos
problemas, é evidente. E acumularam se problemas imensos, que não foram
sendo resolvidos, que foram sendo encostados, que se fez uma gambiarra, fez
um gatilho(F). Olha, não é só em favela que se faz gambiarra para puxar TV
por assinatura, não. Nossa legislação é um cipoal de gambiarras, porque não
vem se enfrentando as questões de fundo.

A isso se soma uma outra coisa. Nossos dispositivos constitucionais sobre
comunicação, em sua maioria, não foram regulados até hoje. Ou seja, o
constituinte determinou uma série de questões e disse: "É preciso lei para
isso". Vinte e dois anos depois, o Congresso não votou lei alguma que
regulasse isso, alguma. Alguma não. Quando algumas empresas de comunicação tiveram problemas de caixa - entende? -, aí se votou a lei que regulou a questão do capital estrangeiro, porque era necessário capital com dinheiro lá fora. Mas tirando isso, quando foi que se regulou a questão da produção independente, da produção regional, da produção nacional, da desconcentração das propriedades? Fica tudo ali na prateleira, fica tudo na cristaleira. Eu acho que a hipocrisia é uma das piores coisas que pode haver na vida de uma pessoa e na vida de um país. Se nós achamos que não vale a pena, nós não queremos produção nacional, garantias para ela, nós não queremos garantia para produção regional, nós não queremos garantia para que haja produção independente, nós não queremos evitar a concentração excessiva da propriedade. Se nós achamos tudo isso, nós devemos revogar essa Constituição. Agora, isso está lá e isso exige ser regulamentado, e o processo de regulamentação das comunicações eletrônicas é uma oportunidade para isso e isso não pode ficar de fora.

Tudo isso produziu. Que, em muitos aspectos, o que eu estou falando não é
novidade para nenhum dos senhores que são do setor, que acompanham, sejam da academia, de entidades empresariais, não empresariais, de legisladores criou se, na área de comunicação, uma situação que foi um pouco terra de ninguém.

Todos nós sabemos que deputado e senador não pode ter televisão, mas todos
nós sabemos que deputados e senadores têm televisões, através de
subterfúgios dos mais variados. Está certo? É evidente que está errado. Por
que não se faz nada? Porque eu acho que a discussão foi sendo, o tempo todo,
contida, foi sendo, o tempo todo, evitada e, agora, é uma oportunidade para
que se rediscuta tudo isso. Mas isso. Eu vou dizer francamente aos senhores:
o principal não é olhar para trás; é aproveitar e se fazer aquilo que devíamos ter feito, porque, fazendo isso bem feito, poderemos, ao mesmo tempo, simultaneamente, olhar melhor para frente e, para frente, ser capaz de legislar de uma forma mais permanente, mais flexível, mais capaz, mais moderna, mais integradora, mais cidadã e mais democrática. Isso tem de ser feito através de um processo de discussão público, aberto, transparente.

Tudo bem que a gente converse em separado, todo mundo converse em separado, mas a essência da discussão não é como tal grupo econômico ou tal setor faz chegar seus pleitos, demandas, exigências, críticas, preocupações ao Poder Público; é como todos levam isso abertamente, publicamente, de forma
transparente, na sociedade, e a sociedade escolhe e elege os caminhos que
deseja seguir. E isso, basicamente, no local definido constitucionalmente,
no local onde se produzem as leis, e pode ser choque dos interesses, palco
do choque dos interesses, que é o Congresso Nacional.

O governo federal, ao trabalhar para produzir um anteprojeto de um marco
regulatório, vê esse processo como um processo de discussão pública, aberta,
transparente, que não é rápida, é complexo o assunto, são sensíveis os
problemas, as reivindicações são grandes, os ressentimentos e os
preconceitos monumentais de tudo que é lado, os fantasmas passeiam por aí,
arrastando correntes e, muitas vezes, impedindo que a gente ouça o que tem
que ouvir. E isso só se dissolve num debate público aberto e transparente.
Eu acho que a nossa sociedade, apesar de alguns momentos de enorme tensão, de fúrias mesquinhas, é uma sociedade com uma grande vocação para o entendimento, para a discussão, para o debate, para acertar posições, e eu
acho que esse debate, se nós formos capazes de nos livrarmos dos fantasmas e não deixarmos os fantasmas comandar a nossa ação, nós conseguiremos produzir um clima de entendimento e avançaremos muito nesse sentido.

Isso interessa à sociedade. Essa discussão tem que ser travada frente a
frente com a sociedade, porque isso interessa à sociedade. Isso não é uma
discussão apenas sobre economia, sobre uma repartição de áreas ou cruzamento de áreas entre grupos econômicos e setores; isso diz respeito à comunicação, diz respeito à democracia, à criação de oportunidades, a uma sociedade de informação e conhecimento, à participação política, à produção cultural, e, para isso, a sociedade deve participar diretamente disso, e esse deve ser o pano de fundo, em cima do qual se assentam as opções que o país terá de fazer. Quais são os princípios? Me perguntam muito: "Ah, mas como é que está? Vai ser uma ou duas agências? Vai fazer isso ou vai fazer aquilo?". O governo está discutindo internamente, suando para conseguir produzir algo, ainda neste mandato, para entregar à presidente eleita, a Dilma Rousseff, para que ela decida o que quer fazer, se quer abrir para consulta pública aquele projeto ou se quer trabalhar mais em cima do projeto. Provavelmente é o que ela fará e tal, ela terá um ponto de partida, mas fará. Eu dizia ontem, e tenho dito: eu estou convencido de que a área de comunicação no governo da presidente Dilma terá - eu vou fazer uma comparação -, mais ou menos, o mesmo tratamento que teve a área de energia no primeiro mandato do governo Lula.

No primeiro mandato do Governo Lula, ou se estabelecia um marco regulatório
para energia, que desse perspectiva, condição de planejamento, segurança
jurídica, interferência da sociedade, que se criasse esse ambiente, para que
o investimento fosse retomado com a velocidade necessária, ou se produziriam
apagões em série. Se fez a modificação, se produziu um novo ambiente
regulatório, e o Brasil, penando, se livrou do fantasma do apagão. Diferente
é um dia cair uma torre, etc., mas o apagão, como carência da oferta de
energia, isso parou de existir. Por quê? Porque se criou um novo ambiente
regulatório e se definiu aquilo enquanto algo estratégico para o crescimento
da economia, naquele período. Comunicação é a mesma coisa agora: ou se
produz um novo marco regulatório ou nós vamos perder o bonde de uma área
crucial para o crescimento da economia e, mais do que o crescimento da
economia, para o exercício da cidadania, nos próximos 10, 20 anos, porque
não se chega lá de qualquer jeito, não se chega lá só com o mercado
empurrando de qualquer jeito; é necessário debater, discutir, traçar
políticas públicas, fazer regulação para que as políticas públicas sejam
aplicadas e, em função disso, criar um ambiente que permita o investimento e
permita que a sociedade se sinta portadora de direitos, não só como
usuários, mas como cidadãos.

Isso é especialmente importante. Então, o que eu quero dizer é o seguinte:
precisamos de uma discussão aberta, pública, transparente, sobre isso. E eu
queria convidar a todos os senhores a - na medida do possível, eu sei que
isso não é fácil - deixar os seus fantasmas no sótão, que é onde eles se
sentem melhor. Os fantasmas, quando dominam as nossas vidas, de um modo
geral, nos impedem de olhar de frente a realidade. Passa uma criança
brincando, você não percebe como aquilo é lindo; passa uma mulher bonita -
no meu caso -, você não olha, porque você está com os fantasmas na cabeça.

Eu queria dizer aos senhores o seguinte: há crianças brincando, há mulheres
bonitas, há situações interessantes, há possibilidades extraordinárias, há
disposição política, mas os fantasmas não podem comandar o processo. Se
comandarem, nós perderemos uma grande oportunidade. Se comandarem, nós não criaremos um ambiente de entendimento, mas perseveraremos num ambiente de confrontação, e isso não é bom para ninguém. Vamos nos desarmar, não da defesa dos interesses de cada grupo, evidente, de cada setor, continuarão defendendo, mas vamos nos desarmar. Isso é muito concreto. Nenhum setor, nenhum grupo tem poder de interditar a discussão; a discussão está na mesa, está na agenda, ela terá de ser feita, ela pode ser feita, num clima de entendimento ou num clima de enfrentamento. Eu acho que é muito melhor fazer num clima de entendimento.

Eu vou repetir para vocês algo que eu falei na comissão organizadora da
Conferência Nacional de Comunicação, quando determinadas entidades
resolveram se retirar - um direito legítimo delas - da organização daquele
processo, achando que estavam tomando caminhos. Eu acho que eles estavam equivocados, mas não quero discutir, isso é passado, eu estou olhando para frente, quero deixar bem claro. Mas eu vou repetir o que eu disse para eles: o governo federal tem consciência de que, nesse processo de convergência de mídias, é preciso dar uma proteção especial à radiodifusão, e não faz isso porque tem nenhum acerto, não; faz isso porque tem sensibilidade social, tem a sua opinião, que tem sensibilidade social. O sinal da radiodifusão é um sinal aberto, gratuito, que chega a todo mundo, e, em um país que, apesar dos enormes progressos dos últimos anos, ainda tem uma percentagem da população miserável, ou uma grande percentagem da população pobre, ter um sinal de radiodifusão aberto, gratuito, em todo o território nacional, que
chega a todos, é de extrema relevância.

Então, temos essa sensibilidade, temos a vontade de encontrar, dentro desse
cipoal, que é o processo de convergência de mídias, caminhos que produzam
isso. E eu vou dizer o que eu disse, naquele dia, aos representantes das
organizações que tinham decidido se retirar: se não houver pactuação, se não
houver um processo de discussão público, aberto e transparente, que coloque
na mesa os interesses de cada um, legítimos, e se resolva eles à luz dos
interesses nacionais, quem vai regular não é o debate, é o mercado. Não é o
Congresso. Quem vai regular é o mercado. E, quando o mercado regula, quem
ganha é o mais forte.

A radiodifusão. Aquilo foi em 2008, o episódio, e eu disse a eles. A radiodifusão tinha faturado, naquele ano, no ano anterior. Aliás, foi início de 2009. No ano de 2008, ela tinha faturado como um todo, o setor como um todo, no Brasil, 11,5 bilhões. O setor de telecomunicações, no ano de 2008, tinha faturado, em todo o Brasil, 130 bilhões. Esses números, se eu não estou errado, evoluíram, no ano de 2009, para 13 bilhões e um quebrado, para a radiodifusão, e algo próximo de 180 bilhões para as telecomunicações. Ou seja, a grosso modo, o faturamento, hoje em dia, das teles, o setor de telecomunicações é 13 a 14 vezes maior do que o faturamento da radiodifusão, e aí vale rádio, rede nacional de televisão, rádio do interior, todo mundo,pelo menos o declarado. É evidente que, se não houver regulação, se não houver a criação de ecanismos que entendam a importância da radiodifusão e sua importância social no país, ela será atropelada pelas telecomunicações. Eu costumo dizer que será atropelada por uma jamanta. Isso não é bom para o país. Isso não é bom para o povo brasileiro, isso não é bom para a pessoa de classe C, D e E, que não têm condições de ter acesso a outro tipo de comunicação eletrônica, que precisa daquilo. Por isso mesmo a regulação deve entrar nisso. Mas reparem só: para entrar, nós temos que entrar na discussão. Não dá para dizer: "Eu vou interditar toda outra discussão, e essa daqui eu quero". Isso não existe. Aqui entre nós, ninguém é tão forte assim no Brasil para isso, nem o governo federal, nem o setor de teles, nem a radiodifusão, nem academia. Ninguém é tão forte. Nós precisamos sentar na mesa e conversar, sentar na mesa e conversar, e produzir, no local onde se votam e aprovam as leis, que é o Congresso Nacional, um texto que seja capaz de fazer um novo ambiente regulatório, um ambiente de convergência de mídias extremamente complexo, em mutação permanente. Que nós sejamos capazes de fazer isso.

Entre os fantasmas, talvez o fantasma mais renitente, o fantasma que mais
aparece, o fantasma mais garboso dessa discussão toda, seja a tese de que
regulação é sinônimo de censura à imprensa. O Governo Lula já deu provas
suficientes do seu compromisso com a liberdade de imprensa, e deu em
condições onde não teve a imprensa a seu favor. Na época do pensamento
único, era fácil. Eu quero ver ser a favor da liberdade de imprensa, apanhando dia e noite da imprensa, muitas vezes sem amparo nos fatos, muitas vezes movido apenas pelo preconceito, muitas vezes movido apenas pela posição política desse ou daquele órgão, etc. e tal. Nenhum problema com a liberdade de imprensa, nenhum problema. O Brasil goza de absoluta, de irrestrita liberdade de imprensa.

Da minha parte, eu, como jornalista, e eu, como militante político, já aos
14, 15 anos, lutava contra a ditadura, faço parte de uma geração que cresceu
ansiando por liberdade de imprensa, aprendeu o seu valor. Eu não estou entre
aqueles que lutou [contra] a ditadura em algumas circunstâncias; eu lutei
contra a ditadura do primeiro ao último dia da ditadura, lutei pela liberdade de imprensa do primeiro ao último dia da ditadura. Então a liberdade de imprensa não é algo que é uma circunstância que politicamente me convém ou não convém; é como eu digo, é algo que vem da alma.

Então, essa história que a liberdade de imprensa está ameaçada, isso é uma
bobagem, isso é um fantasma, isso é um truque, porque isso não está em jogo.
É importante qualificar. A liberdade de imprensa é a liberdade de imprimir.
Ou seja, antigamente, quando não existia rádio, quando não existia
televisão, a liberdade de imprensa significava o direito que cada pessoa que
publicava um jornal tinha de imprimir o que quisesse. Hoje em dia, ela é
mais ampla do que a liberdade de imprimir; ela é a liberdade de divulgar,
porque também entra em meios. Não papel, não fita, que, cada vez mais, a
liberdade de imprensa significará liberdade de divulgar, publicar. A essa
liberdade não deve, não pode, não haverá qualquer tipo de restrição. Mas
vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação na sociedade.
Eu estou seguro. Os senhores ouvirão o relato das experiências dos
diferentes países, todas democracias. Os Estados Unidos é uma democracia, é
uma democracia. O Reino Unido é uma democracia. Nossa República "hermana" da Argentina é uma democracia. Portugal é uma democracia. Espanha é uma democracia. Europa é uma democracia. Em todos eles há regulação de meios eletrônicos, e isso não significa, por nada, que haja censura. Gostaria muito que os senhores, quando houver a fase das perguntas, perguntassem muito, aqui, aos expositores, se a liberdade está ameaçada lá, porque existe regulação.

Então, isso é uma discussão que é um fantasma. Ele entra na discussão, na
verdade, para não se entrar na discussão. E é isso que eu acho que nós
deveríamos, nesse debate, tentar ultrapassar e ir muito além disso. É
verdade o seguinte: liberdade de imprensa. Eu acho que, às vezes, é essa a
confusão que eu acho que existe. Não quer dizer que a imprensa não pode ser
criticada, que a imprensa não pode ser observada, que a imprensa não pode
ser alvo de críticas de quem quer que seja. Todos nós somos alvos de
críticas. Aliás, quando temos uma atitude madura diante das críticas, de um
modo geral, melhoramos com elas. Isso vale para nossa vida doméstica, vale
para nossa vida profissional, vale para as empresas que alguns de vocês
dirigem, vale para países, vale para o Presidente da República, vale para o
Papa. Ou seja, quando somos criticados e olhamos as críticas sem
preconceito, em geral, melhoramos com ela. Elas podem ser verdadeiras, podem não ser, mas isso é parte do jogo.

Liberdade de imprensa, volto a dizer - já disse isso várias vezes - quer
dizer que a imprensa é livre, não quer dizer que a imprensa é necessariamente boa. A imprensa erra, erra muito. Eu, como jornalista, sei que a imprensa erra muito, qualquer jornalista que está aqui sabe que a imprensa erra muito. Os leitores, telespectadores, ouvintes sabem que a imprensa erra muito, e, de um modo geral, é capaz de distinguir, de separar, o erro cometido de boa fé, no afã de produzir a tempo uma informação para ser entregue ao público, da manipulação da notícia, que é produzir com qualquer outra intenção, mas estão sendo submetidos às críticas dos telespectadores, dos ouvintes, dos leitores, todos os órgãos de imprensa, que também podem ser submetidos à crítica por outros órgãos de imprensa. A imprensa no Brasil, nos tempos heróicos, era um cacete só entre os jornais, eles brigavam o tempo todo. Isso não dizia que não havia liberdade de imprensa; dizia que havia liberdade de imprensa.

Então, a crítica a erros da imprensa, a crítica à manipulação que certos
órgãos eventualmente venham a fazer, isso faz parte da disputa política, e a
liberdade de imprensa não está arranhada, quando alguém crítica um órgão ou
outro da imprensa; ao contrário, isso faz parte do ambiente democrático, e
com ele se deve aprender a viver e, se possível, aprender a melhorar.

Eu acho que, se nós formos capazes de entender isso, nós vamos ter mais
vozes se expressando, porque o que se quer não é. Onde tem liberdade de
imprensa se quer mais liberdade de imprensa; onde se tem algumas vozes
falando se quer é mais vozes falando; onde tem opiniões se expressando, no
debate público, se quer é mais opiniões se expressando no debate público;
onde se tem artistas e pessoas do povo, produzindo cultura, o que se quer é
mais artistas e mais gente do povo produzindo cultura. É "mais" e não
"menos" que está em jogo, neste debate sobre o novo marco regulatório.

Então, eu queria, para finalizar, novamente, agradecer a todos os senhores,
agradecer especialmente aos palestrantes que vieram de tão longe aqui, para
nos brindar com a sua experiência. Estou seguro de que ela nos ajudará
muito, ajudará muito, não apenas ao governo, mas a toda a sociedade
brasileira, a travar, de uma forma madura, um debate que já custou muito a
chegar e que precisa ser travado o quanto mais cedo possível.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O NOVO MARCO REGULATÓRIO DA MÍDIA


Novo marco regulatório: Comunicação deve ser área estratégica no governo Dilma
Marco Aurélio Weissheimer

Em seminário em Brasília, organizado para discutir experiências internacionais de regulação da mídia, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência, deixou clara a urgência de um novo marco regulatório para o setor no país, que deve ser construído num debate público e transparente com toda a sociedade, deixando “fantasmas no porão”. Para Unesco, a legislação da radiodifusão brasileira é atrasada e pouco sustentada no interesse público.
Foi este o tom do discurso, corajoso, do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, nesta terça (09) durante a abertura do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em Brasília. Para uma platéia repleta de empresários, organizações da sociedade civil, acadêmicos e convidados estrangeiros, Franklin colocou o dedo numa ferida que, pelo menos publicamente, já tinha sido reconhecida pelo Executivo Federal desde a Confecom, mas que até este momento deixava dúvidas sobre quando e o quanto seria de fato enfrentada. Depois de viajar por diversos países para conhecer como outras democracias estão lidando com o processo de convergência tecnológica, foi hora de trazer especialistas internacionais para Brasília e dar o pontapé público neste debate, “olhando pra frente”, como ele deixou claro.
“Cada vez mais as fronteiras entre radiodifusão e telecomunicação vão se diluindo. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal que recebe no celular ou no computador vem da radiodifusão ou das teles. A convergência de mídia é um processo que está em curso e ninguém vai detê-lo. Por isso é bom olhar pra frente, este é o futuro. E regular esta questão será um desafio, porque sem isso não há segurança jurídica nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.
O governo reconheceu que, aqui, o desafio se mostra maior do que em outros países, porque, além da legislação atrasada, “acumularam-se problemas imensos, que foram sendo encostado ao longo do tempo”. Para o ministro, a legislação brasileira é um cipoal de gambiarras, que não enfrenta as questões de fundo, e que inclusive não responde aos princípios estabelecidos pela própria Constituição Federal.
“Criou-se, na área de comunicação, uma terra de ninguém. Todos sabemos, por exemplo, que deputados e senadores não podem ter concessões de rádio e TV. Mas todos sabemos que eles tem, através de subterfúgios, e ninguém faz nada. A discussão foi sendo evitada. E a oportunidade é discutir tudo isso agora, legislando de uma forma mais permanente, integradora, cidadã e democrática”, disse Franklin Martins. (A íntegra do artigo de Bia Barbosa, na Carta Maior)

A MORTE DE UM CARNICEIRO




A morte de um carniceiro

by Marco Aurélio Weissheimer.

E se foi mais um carniceiro da ditadura militar argentina. Emilio Massera, julgado e condenado por crimes contra a humanidade, assassinatos, torturas, roubo de bebês, roubo de bens e propriedades de opositores políticos. “O inferno é pouco”, disse hoje o jornal Página 12, em matéria de capa. Morreu o Mengele da última ditadura argentina, escreveu o jornalista Martín Granowsky. Há capítulos envolvendo Massera e o Brasil que ainda estão para ser contados. Granowsky menciona um deles: a relação do militar argentino com a organização fascista Propaganda Dois, que tentou se infiltrar na maçonaria italiana e manteve relações obscuras com setores do Vaticano. Os dois pontos de apoio da P-2 fora da Itália estavam no Brasil e na Argentina. Há vários personagens desse período ainda vivos. O Página/12 resgata um pouco da memória desse triste período.

domingo, 7 de novembro de 2010

A CADEIA DA LEGALIDADE












Do blog de Luis Nassif:

A Cadeia da Legalidade
Enviado por luisnassif, dom, 07/11/2010 - 17:00

Por Fernando Augusto Botelho ...
A Campanha da Legalidade

Leonel Brizola e João Goulart em Porto Alegre - 1961

TV TUPI - BRIZOLA 1961
Película 16mm da extinta TV Tupi, recuperadas pela Cinemateca Brasileira. Estes filmes eram utilizados nos telejornais da emissora e fazem parte de um acervo aproximado de 180 mil rolos existentes.

A volta de Brizola 30 anos

sábado, 6 de novembro de 2010

LUIZ INÁCIO FALOU!!!



Abaixo, a íntegra da fala presidencial:

Minhas amigas e meus amigos,

No último domingo, o Povo Brasileiro, mais uma vez, deu uma extraordinária demonstração do vigor da nossa democracia. Mais de 106 milhões de eleitores foram às urnas. E, num ambiente de tranquilidade e entendimento, mas também de paixão e entusiasmo, promoveram uma grandiosa festa democrática em todo o Brasil.

Estamos todos de parabéns. Como Presidente da República, quero dividir com vocês o meu sentimento: estou muito orgulhoso do nosso Povo e do nosso País.

Quero dar também os parabéns também à Justiça Eleitoral, que dirigiu com equilíbrio e competência a disputa. Horas depois de encerrado o pleito, graças ao sistema eletrônico de votação e apuração, já conhecíamos os resultados.

Minhas amigas e meus amigos,

A festa democrática de domingo foi o coroamento de um processo eleitoral que mobilizou o País durante meses, no qual foram escolhidos não só a nova presidente, como também governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Esse processo foi realizado sob o signo da liberdade. O Povo pode escolher seus dirigentes e representantes livremente. Também livremente, partidos e candidatos puderam expressar suas opiniões, defender suas ideias e criticar as propostas dos seus adversários.

Foi assim, em meio a um amplo debate nas ruas, no trabalho, nas escolas, no rádio, na televisão e na internet, que cada cidadão e cada cidadã, sem qualquer tipo de coação, pode avaliar candidatos e projetos, firmar convicções e amadurecer seu voto.

Nas urnas, falou o Povo. Falou com voz clara. Falou com convicção. Agora cabe a todos respeitar sua vontade. Os escolhidos para governar devem ter a liberdade para organizar suas equipes e colocar em prática suas propostas, de modo a honrar os compromissos assumidos com a sociedade. Já aqueles a quem o povo colocou na oposição devem ter a liberdade de criticar e apontar os erros dos governantes, para que possam em eleições futuras se constituir como alternativa.

Passadas as eleições, quando é compreensível que o calor da disputa gere confrontos mais duros, é importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas opiniões, respeitem-se mutuamente e divirjam de forma madura e civilizada.

Como todos sabemos, o Brasil vive hoje um momento mágico, de crescimento econômico, inclusão social, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução das desigualdades regionais. Estou convencido de que, nos próximos anos, o Brasil poderá consolidar-se como uma terra de oportunidades e de prosperidade, transformando-se numa nação desenvolvida. Avançaremos mais rapidamente nessa direção, se soubermos qualificar o debate político.

Minhas amigas e meus amigos,

Quero dar os parabéns à companheira Dilma Roussef. Para mim, primeiro trabalhador eleito Presidente da República, será motivo de grande satisfação transmitir a faixa presidencial, no próximo dia 1º de janeiro, à primeira mulher eleita Presidente da República. Tenho perfeita consciência do imenso simbolismo desse ato.

Ele proclamará ao mundo inteiro – e a nós mesmos – que somos um País com instituições consolidadas, capazes de absorver mudanças e progressos. E que somos também um País que aprendeu a duras penas que não há preconceito, por mais forte que seja, que não possa ser vencido e superado pela tenacidade do povo.

Simbolicamente, estaremos proclamando ainda que ninguém é melhor do que ninguém. Não importam as diferenças de origem social, de sexo, de sotaque ou de fortuna. Somos todos brasileiros. E todos devem ter oportunidades iguais, o direito a sonhar com dias melhores e o apoio para melhorar sua vida e a de sua família.

Boa noite!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

REAGINDO AO PRECONCEITO COM CATEGORIA

Recebi, por e-mail, do meu amigo e confrade Vernecke lá de Campina Grande, terra dos melhores violeiros do Nordeste. Compartilho.

Calem a boca, Nordestinos!

Por José Barbosa Junior


A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…
Ah! Nordestinos…

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SUGESTÕES DE CAPAS PARA A VEJA











500 ANOS ESTA NOITE



Poema de Pedro Tierra homenageando nossa Presidenta.

500 anos esta noite


(homenagem a Dilma)


De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta
500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.
De onde vem essa mulher
que bate às portas do país
dos patriarcas em nome
dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto
e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e
fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas
não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.
Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa para contar
sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão,
de onde vem essa mulher.

Que rosto tem, que sonhos traz?
Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.

Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque, o sonho dissolve a treva espessa, recolhe os cambaus, a brutalidade,
o pelourinho, afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro
e tirania e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se afasta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.
Nasce uma nova aurora:

Bom Dilma!!!

OS CINCO DERROTADOS NAS ELEIÇÕES

Os cinco derrotados nas eleições

Por Altamiro Borges

A eleição de Dilma Rousseff tem uma dimensão histórica. Após eleger o operário Lula, num fato inédito, o povo brasileiro repete a façanha e agora elege a primeira mulher presidenta da República. A cultura machista sofre a maior derrota da sua existência.

Mas os derrotados nesta eleição histórica foram muitos. Listo os cinco principais:

1- O bloco neoliberal-conservador. Serra representava o retorno às políticas de FHC, que devastaram o estado, a nação e o trabalho – com suas privatizações, subserviência aos EUA, desemprego e criminalização dos movimentos sociais. O povo deu uma surra nos demotucanos na sucessão e ainda expulsou alguns de seus líderes do Legislativo.

2- A direita fascistóide. Serra reagrupou o que há de mais reacionário na sociedade. Dos golpistas da TFP e Opus Dei, aos milicos de pijama e aos fundamentalistas das igrejas. Estes setores babaram ódio, espalharam calúnias e preconceitos, exploraram o atraso. Mas o povo não se deixou contaminar e garantiu 12 milhões a mais para Dilma.

3- Mídia golpista. As sete famílias que monopolizam o setor e que manipulam corações e mentes bombardearam Dilma. TV Globo, Veja, Folha e Estadão, entre outros, viraram cabos-eleitorais de Serra. A mídia, principal partido da direita e inimiga das lutas sociais e das mudanças, sofreu dura derrota. Espera-se, agora, que percam audiência e tiragem.

4- Ruralistas escravocratas. Apesar de Lula ter cedido aos barões do agronegócio, eles garantiram as maiores votações para Serra. Para eles, Dilma representa a possibilidade de se avançar na reforma agrária, na punição do trabalho escravo e infantil e na defesa do meio ambiente. É bom que Dilma fique esperta e não cometa o mesmo erro de Lula.

5- Imperialismo. Apesar do teatro diplomático, os EUA detestavam a política externa de Lula, expressa na rejeição ao golpe em Honduras, na busca pela solução pacífica com o Irã, no apoio aos governos progressistas da América Latina e à integração regional. The Economist e Financial Time inclusive explicitaram apoio a Serra. Mas o império não conseguiu abortar a continuidade da política externa soberana.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O DERROTADO, CHARGE POR CHARGE






































O tucano Serra foi soterrado por 55.752.493 bolinhas de papel







A PRESIDENTA



Desreificando

por Lelê Teles


Presidenta
Se o Brasil fosse o mesmo de anos atrás, no tempo em que o eleitor só tinha acesso ao discurso monológico da grande mídia, Dilma seria apenas uma desconhecida. Tudo o que se saberia dela era que tinha sido guerrilheira. No mais, ficaríamos com a versão que Lula a havia ungido num dedaço porque temia que uma outra pessoa do PT ofuscasse o seu brilho e a sua popularidade.
O diabo é que não há nenhum cidadão vivo no Brasil hoje que possa ameaçar o brilho e a popularidade de Lula, mesmo porque Lula é um mito! O argumento é falso. O falso argumento saiu da algibeira da grande mídia porque ninguém queria responder a pergunta simples: por que Dilma?
Responder a essa pergunta seria personificá-la. Mas como a grande mídia era do mesmo partido de Serra, o PIG, melhor seria reificá-la, coisificá-la. Então disseram que ela era um poste. Mas aí, Bakhtin adoraria essa, o discurso monológico foi desconstruído pelos “blogs sujos”, que proporam, não um confronto, mas a volta da velha forma dialógica de fazer jornalismo. E Dilma foi personificada, desreificada. Veio o programa político da TV e municiou ainda mais os “blogs sujos”. E a mulher ganhou corpo e alma.
Agora que Dilma vence, a velha mídia mostra o farto material que tinha guardado e que havia sonegado para a sociedade: Dilma tem uma história bonita. Tem amigos e amigas, filha, neta, mãe; é uma gestora admirada e admirável, e foi fundamental durante os anos que esteve ao lado do presidente Lula. Por que isso foi sonegado antes da vitória dela?
O Derrotado
Não é exagerado dizer que com Serra a grande mídia também foi derrotada. Porque foi armado um aparato midiático para alavancar a candidatura do tucano. A revistaveja fez capas e capas contra o PT e a Dilma. O Jornal Nacional armou entrevistas em que Serra foi claramente privilegiado. A Globo chegou ao cúmulo de fazer a mais tosca das montagens para colocar um objeto abjeto na cabeça de Serra, usando um perito suspeito para ratificar a farsa. E, desespero dos desesperos, no último debate favoreceu Serra com um close cinematográfico.
No discurso da vitória, Dilma estendeu a mão a Serra. Em seu discurso com voz embargada e cercado de caras velorianas, Serra fez um discurso sectário, falou em trincheira e cantou um trecho do hino nacional para dizer que lutará pelo Brasil, mesmo lutando para sabotá-lo. A pátria é mesmo o último refúgio dos canalhas.
A revistaveja, na semana do aniversário de Lula, o presidente mais popular da história de nossa república e que se despede do poder, fez uma capa ridicularizando o chefe da nação. E repetindo a pergunta-mantra da velha mídia: o que será de Lula depois do poder, como ele viverá sem os abre-portas, os varre-chão, os pucha-saco?
Curioso é que mesmo Serra tendo dito que se preparou a vida inteira para ser presidente e ter passado a vida inteira no poder, não se preocupam em dirigir a mesma pergunta para ele que ficou desempregado antes de Lula e já não conta com o palácio, os carros, os pucha-saco e os abre-portas. O discuro monológico ainda é um problema para a velha mídia.
A Oposição
Serrra disse que a luta continua. Só não se sabe se ele continuará na luta, porque corre o risco de ser esmagado pelos correligionáiros que ele sempre esmagou quando estava no poder. Os velhos opositores de Lula no congresso ganharam uma ostra, César Maia, Virgílio, Heráclito… No ostracismo também estão algumas lideranças regionais. A oposição não tem discurso e o discurso não serve: 13º para os beneficiários do Bolsa Família, Salário Mínimo de R$ 600,00, politização das igrejas…
Aécio será mais moderado no Senado e tentará conciliar e agregar, para não se tornar um zumbi solitário. Tudo indica que deixará o PSDB e incorporará a opsição de centro, lugar que Marina quer pra ela, ou vão juntos ou só ficará um deles.
Gabeira não terá o apoio de ninguém para a prefeitura do Rio. César Maia pode indicar o filho e o Índio, que foi expulso da favela, em outra pantomima da candidatura Serra, pode ficar como Gabeira, como um idiota útil.
E tá na língua portugesa: Presidenta. Em toda a América Latina se diz presidenta. Por que os jornalistas brasilerios se recusam a evidenciar o gênero feminino?

A DIREITA MOSTRA AS GARRAS



Do Blog da Maria Fro:


Massa cheirosa deverá responder por crime de racismo
novembro 3rd, 2010 by mariafro
Pela segunda vez autoridades pernambucanas merecem os parabéns de todos os brasileiros decentes por fazer o que as autoridades sulistas parecem ignorar.

A primeira vez foi aqui com a pronta reação do Ministério Público, OAB e governo pernambucano. Agora, depois da vergonhosa onda preconceituosa no twitter (aqui e aqui), a OAB de Pernambuco novamente é ágil dando uma lição de cidadania ao país.

OAB reage a ataque ao Nordeste no twitter

“Universitária de SP que iniciou ofensas deverá responder por crime de racismo

Alessandra Duarte, O Globo, via Dihitt

A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.

No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.

A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques.

Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

- São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.

- Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado — completa Mariano, para quem o nível agressivo da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.

No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma começaram a postar frases como “Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil” e “Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral”.

Como reação, outros usuários passaram a gerar uma onda de mensagens com “#orgulhodesernordestino”, hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.”


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Tags: #orgulhodesernordestino · 'eu odeio nordestino' · crime de racismo · Direitos Humanos · educação · governo pernambucano · Justiça · massa cheirosa · mayara petruso · Ministério Público · nordestisto · OAB · Pernambuco · preconceito regional · preconceituosos
113 Comments

Ju Freitas e Diego Casaes sobre o preconceito contra nordestinos
novembro 3rd, 2010 by mariafro
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tweets
retweetReproduzo o vídeo que @ju_freitas (carioca) produziu e o texto que @diegocasaes (soteropolitano) escreveu sobre a patética onda no twitter de preconceitos regionais da ‘massa cheirosa’, anti-petista e pró-serrista revoltada com a derrota no pleito eleitoral.

Falei um pouco desta demonstração lunática de gente ignorante que se acha o supra-sumo no texto: Aos preconceituosos que não sabem fazer conta, acabo de ler o texto da Lola no Escreva Lola que também faz excelente apanhado e indico leitura.

Aos amigos tucanos, anti-PT, anti-Zé Dirceu, anti-Genoíno e outras bobagens que discordam destas demonstrações grotescas de ódio, digo que vocês não fazem a mínima idéia da lista de lunáticos no twitter que acompanhei durante toda a campanha. Elas são ainda mais baixas que as manifestações raivosas reunidas pela Ju. Querendo ou não todas as vezes que por preconceito de classe vocês desrespeitaram o presidente da República, com expressões xulas como “Lula Lelé”, vocês endossaram esta barbárie.

Eu sinto muito, mas vocês precisam se posicionar publicamente e não apenas repudiar, mas agir de modo efetivo entre seus iguais, lembrando que essa onda de preconceituosos malucos é sulista, a maioria de São Paulo e não há nenhum petista.


Vídeo em ‘homenagem’ à ‘massa cheirosa’ do país!

Abaixo, texto de Diego Casaes, reproduzido de seu blog


Virando o jogo contra o silêncio… e sobre a questão do ódio contra nordestinos no Twitter

Por: Diego Casaes
03/11/2010
Estou cheio de coisas a fazer, minha agenda está super lotada, tenho que organizar duas viagens para a próxima semana e há muito tempo que não atualizo esse blog. Poderia estar fazendo coisas melhores, mas precisei respirar fundo e escrever sobre algumas coisas que estão me incomodando bastante profundamente.

Dilma ganhou a eleição e será nossa presidente a partir do dia 1 de 2011 (escrevi uma carta para ela no meu outro blog, em inglês). Que a campanha foi uma sujeira impressionante todo mundo que vai na rede já sabia e esperava, mas que a resposta à vitória de Dilma seria uma onda de preconceito e ódio quanto ao Nordeste do país e aos nordetsinos por terem votado nela, era algo que eu não esperava acontecer. Não desse modo.

Acompanhei muita gente no Twitter falando sobre o assunto. A hashtag #orgulhodesernordestino virou um Trending no TT mundial pelo que soube, e isso ajudou a mostrar pra muita gente que o Nordeste tem uma voz. E uma voz ativa na rede. Era mais ou menos sobre isso que eu queria discutir nesse post, disposto em idéias bem desorganizadas e feito no ápice da insatisfação. Quero discutir sobre como a rede nos dá uma voz, e como o silêncio é perigoso. Espero que não esteja cansativo.

A galera mais ativista e presente no Twitter diariamente tem feito um ótimo trabalho. Demonstrações assim (que eu tendo a evitar por ser mais reservado; sei, é um defeito) mostram pra gente como a rede pode contra-atacar ideias que prejudicam muito as pessoas. Idéias que machucam. Discursos que levam o ódio e estabelecem conflitos entre pessoas.

O fato de que o Nordeste sempre foi a região menos favorecida do país é algo bem conhecido. A região tem os piores índices de desenvolvimento do Brasil, os investimentos do governo sempre foram menores (com uma mudança clara no governo Lula) e, colocando em termos bem claros, ninguém nunca deu a mínima para as famílias que morriam de fome por aqui durante muito tempo.

O Nordeste sempre foi negligenciado pelo Brasil, e quando havia formas de colocar isso pra fora, externalizar a situação, a oportunidade era amputada, seja pela sensação de mais uma novela, ou mesmo pelo caráter cretino da mídia de massa desse país. Precisava (e ainda precisa) que venha um gringo –ou alguém que trabalha sob um olhar estrangeiro– pra gente enxergar as coisas de uma nova forma (leia esse texto da Al Jazeera tradução aqui), e ver que há mudanças, que há vozes ali a serem escutadas e vidas humanas a serem preservadas.

Um pouco de minha insatisfação se deve ao fato de eu saber que há maneiras bastante eficazes de disseminar discursos que se oponham ao ódio na rede. Movimentos coletivos e com propósitos bem definidos e articulados de sensibilização podem atingir uma repercussão muito grande. Óbvio que isso não vai mudar o (mal) caráter dos racistas e preconceituosos, mas vai mostrar pra aquele que tá no meio do fogo cruzado que histórias sempre têm mais de um lado.

Meu próprio trabalho no Global Voices me faz defender essas ideias com bastante afinco. Através do GV, uma multidão de pessoas passa a saber mais do Brasil do que apenas o tradicional e as commodities de notícias estereotipadas pela mídia de massa. Lá, aprendemos múltiplas histórias, diferentes percepções do mundo, e não deixamos o silêncio prevalecer.

O que eu vejo que pode acontecer aqui no Brasil, é algo parecido com o que o pessoal da Libéria fez, com suas devidas dimensões e considerações é claro.

O CeaseFire Liberia uniu a diáspora do país com os que ficaram/retornaram à Libéria quando a guerra civil acabou, e estabeleceu diálogos para mudanças positivas. Minha comparação tem um objetivo claro: falar pra essa galera do Nordeste que mora no sul do país que tome uma ação e divulgue o que há de bom por aqui, e que somos pessoas comuns e capazes, como qualquer outro indivíduo.

Aos meus amigos do Sul, o dever de vocês é partilhar dessa empreitada, e mostrar que esse pensamento mesquinho não representa a sociedade sulista. Digo que isso é um dever, pois é obrigação de cada povo, de cada pessoa, defender a verdade. No dia que a gente fizer isso e deixar de ser conivente com as situações de desconforto, esse país vai mudar pra melhor de forma significativa.

Em tempo… outro exemplo de que o silêncio faz mal, e mata pessoas: a posição equivocada da Reuters em publicar um texto sobre a execução de Sakineh Mohammadi Ashtiani no Irã e sequer mencionar formas em que a sociedade civil possa intervir pra salvar a vida dessa mulher. É disso que estou falando. O silêncio pode causar coisas muito ruins. Aproveita que você tem uma voz agora, e não deixe nada nem ninguém lhe calar.

Pra concluir… peço perdão pelas ideias tão desorganizadas. Só queria falar algo, pois tenho visto tanta coisa boa em minha volta, tanta gente legal e interessante, tanta bondade no mundo e tanta vontade de mudar o que há de ruim, que sinto que essa contribuição tinha de ser repassada. De uma forma ou de outra, acho que minha mensagem pode ser sintetizada em poucas palavras:

Eu não aceito o silêncio, não aceito inação, não aceito ódio. E vou usar tudo o que tenho em mãos pra lutar contra isso.

Forte abraço!


DEU NOS JORNAIS