domingo, 31 de outubro de 2010

DILMA FALOU.


Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada,


Postado por Brizola Neto 1 comentário

VOU FESTEJAR.

Chora Serra e a Tucanalha.

ZÉ SILVA FEDERAL, SIM SENHOR!!



Zé Silva para mim
mostrar detalhes 13:30 (7 horas atrás)


Amigo Marcão,

Valeu!!!!
Estamos escrevendo juntos esta história.
Obrigado pelo apoio, voto e confiança.
Forte abraço


Vamos juntos!


Zé Silva
Deputado Federal

Zé Silva se elegeu Deputado Federal por Minas Gerais, pelo PDT com mais de 100 mil votos. Zé foi Presidente da EMATER-MG e da ASBRAER. É meu confrade na ABER. Estou bem representado no Congresso com a sua eleição.
Agradecimentos de Zé Silva ao povo Mineiro:


sábado, 23 de outubro de 2010

Obrigado Minas!
Depois de fechar a movimentação de campanha e atravessar alguns problemas técnicos com o Blog,volto para manter contato e mais uma vez agradecer a participação, apoio e incentivo que recebi por todas as cidades, distritos, vilas e comunidades por que passei.
É imensamente gratificante ser recebido em lugares onde não nasci nem cresci, mas por onde passei fazendo o trabalho em que tanto acredito, e que, ainda quero complementar realizando mais.
Ver o quanto nossa causa precisa de representatividade política foi uma das causas que me fez me engajar neste novo desafio que agora se confirma como o início de uma nova etapa.
Foram mais de 250 cidades visitadas nesse período, tempo que eu, e meus companheiros, conhecemos ainda mais Minas, com todas particularidades regionais que a transformam em muitas Minas - como disse o poeta.
Para assumir a tamanha tarefa que me foi confiada conto sempre com a participação de todos com comentários, críticas e sugestões. Participação é uma ferramenta valiosa quando se representa a vontade de 11.570 pessoas.
Agora o tempo é de planejamento intenso e fortalecimento de nossa causa.
Conto com vocês.
Vamos Juntos Fazer Muito Mais!

DILMA PRESIDENTA - VIVA O POVO BRASILEIRO!!!




Do Blog Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorin.




Dilma eleita:



maioria para governar e mudar!
Publicado em 31/10/2010 Compartilhe Imprima Vote (+37)

Tudo para seguir mudando



A presidente Dilma Rousseff e o presidente Lula construiram uma coalização política poderosa.

Maioria no Senado.

Maioria da Camara.

Maioria dos governadores.

Além de fazer o sucessor, Lula teceu, ponto por ponto, a aliança com o PMDB e os partidos da esquerda para formar esse conjunto político que pode mudar o Brasil significativamente.

Não só manter controle do pré-sal e da Petrobrás (a maior vitoria de Lula !).

Não só uma Ley de Medios e a democratização da informação.

Uma reforma tributária.

Uma reforma política.

Além de montar os mecanismos que aprofundem a educação dos mais pobres .

Dilma pode fazer o Brasil seguir mudando.

Sem o gerundio, pode fazer, sim, uma mudança profunda.

Poucos presidente desfrutaram de uma coalização tão ampla.

É um patrimônio político respeitável.

Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CENTENÁRIO DE NELSON CAVAQUINHO

Nesse 28 de outubro, Nelson Cavaquinho, completaria 100 anos. Nelson é um dos "Monstros Sagrados" da nossa música popular brasileira. A minha reverência ao Nelson, apresentando a sua antológica Luz Negra, a música que mais gosto do compositor, na interpretação que eu considero a melhor. Cazuza, interpretou-a no Programa De Chico & Caetano, quando estava na fase terminal do seu câncer. Ele estava, realmente, chegando ao fim e expressou isso na sua interpretação. Confiram.

OS VERDES INSISTEM NA MODERNIDADE

MODERNIDADE E POLÍTICA

POR JANE MARIA VILAS BÔAS


O mundo passou por uma crise financeira recentemente, está adentrando uma crise ambiental que cada vez mais se expressa com sinais fortes. Já há também registros, por parte de alguns pensadores, de que estamos passando por uma crise política. Para essa última ainda não há grandes debates e manifestações. Mas se prestarmos atenção, ela está no horizonte.

Quando a consciência de qualquer indivíduo se estende para a dimensão planetária dos problemas sociais e econômicos de nossa época, percebe que a superação deles está fora do alcance da intervenção individual de quem quer que seja.

Diante dessa descoberta qualquer um de nós pode ter duas atitudes. Uma, continuar com nossa vida nos alienando dessa informação, desistindo de fazer qualquer diferença real no mundo, ainda que só no nosso entorno, mas atormentados eticamente por termos escolhido a alienação. Outra, tentar construir, junto com outras pessoas, forças e instituições, algo que consiga impactar a origem e a dinâmica da crise para superá-la, debelá-la ou dar-lhe um rumo favorável à vida em nosso planeta. Sim, as crises podem resultar em coisas boas também.

Ambas as escolhas são atitudes políticas. É justamente a política que permite a construção de uma sociedade predominantemente justa ou de uma predominantemente injusta. É a política que pode por um país na vanguarda ou encarcerá-lo no arcaísmo civilizacional.

Cada época da história humana tem a política de seu tempo. Alan Touraine, no artigo “As três crises”, publicado no jornal El País em janeiro deste ano, diz que a ação política já não tem mais como objeto uma disputa de interesses entre grupos, mas a defesa de direitos de quem nos sucederá no planeta. Portanto, o sujeito da política, para Touraine, já não é mais uma categoria social, mas a própria humanidade. Edgar Morin, em recente livro chamado, em tradução livre, “Para sair do século XX”, fala da transição difícil entre um período temporal, toda sua construção cultural e um novo período temporal que traz novas perguntas ou até nova forma de perguntar e, portanto, a necessidade de novas respostas.

Esse é o momento em que vivemos. Nosso mundo está com seu sistema ecológico ameaçado pela intervenção humana. Nosso sistema de valores precisa pensar um novo tipo de solidariedade que possa responder a uma situação que ameaça a nossa espécie. Nosso modo de contar o tempo registra o início de novo ciclo de cem anos e certamente é necessário descobrir um novo jeito de responder a perguntas como “de que jeito podemos continuar vivendo juntos neste planeta”?

Por tudo isso me causou estranhamento o artigo do professor Marcos Inácio intitulado “A direita veste verde”, publicado no jornal Página 20. Nas últimas décadas do século passado, quando um grupo de sindicalistas apoiados por acadêmicos perceberam que o sistema bipartidário não respondia mais às necessidades de expressão política de significativa parte da população, o líder da iniciativa, chamado Lula no meio sindical, foi acusado de ser divisionista, de fazer a política da ditadura militar por estar enfraquecendo a frente de oposições que se abrigava no então MDB. E hoje sabemos, era legítimo. Havia mesmo a necessidade de um novo espaço de atuação política. Uma paixão social estava procurando canal de expressão, havia uma força movida a sonhos de liberdade que não tinha seu lugar no cenário nacional. Tudo isso com uma dimensão que não cabia mais no arranjo político que se abrigava sob a sigla MDB, que era quem enfrentava a ditadura e seu partido político cuja sigla era ARENA.

Hoje, final da primeira década do século XXI, no momento em que temos pela frente a necessidade de repensar tantas coisas como as bases materiais da produção e do consumo, a noção de desenvolvimento em si, os modelos de urbanismo, a destinação de todos os resíduos não só industriais mas também os domésticos, o uso do solo e da água, é hora de acusações contra quem resolveu falar disso para o país em uma eleição presidencial?

Negar o lócus político para quase 20% de eleitores que se identificaram com uma mensagem que fala de nova forma de fazer política e de novos valores na gestão da coisa pública, que resgata o conceito de atitudes republicanas, que enfatiza o respeito pelo bem público, que alerta para o esgotamento dos recursos que sustentam a existência material da humanidade, é democrático?

Insinuar associações com raízes históricas do nazismo e do fascismo em suas versões tupiniquins na apresentação de um projeto de país que considere todas essas questões apontadas, é ser justo?

Não tolerar a coerência da trajetória política de alguém que apenas continua uma história, uma proposta, um desejo coletivo que começou aqui mesmo no Acre, com a recusa de se deixar ser tratado como mera fronteira agrícola e brigou para ser a terra da florestania, sob liderança de um seringueiro que viveu uma paixão cívica até a morte por assassinato, é ter uma visão da política adequada ao tempo presente?

O Acre, nos últimos 20 anos construiu as bases conceituais e materiais de uma outra percepção da dimensão econômica da vida. O grupo que renovou e transformou a dinâmica social dessa unidade da federação brasileira o fez através da política. Uma política que convidava as pessoas a afastar o olhar de sua perspectiva usual das coisas e a ousar pensar de outra forma. Uma política que alimentou a capacidade da população local de resistir aos projetos de poderosas forças sociais, econômicas e políticas vindas do centro sul do país. Uma política que resgatava a dignidade e a respeitabilidade dos humildes dessa terra: os ribeirinhos, os seringueiros, os índios, os despossuídos das periferias de Rio Branco. Uma política que enfim chegou às prefeituras e ao governo do Estado e colocou o Acre no mapa da nação com outra imagem. E agora está declarado que o processo para por aqui?

Marina esteve na origem de tudo isso atuando e aprendendo com Chico Mendes. Foi para Brasília com a missão de representar um estado que era tratado na imprensa nacional como fonte de más e escandalosas notícias. Tinha a missão também de dar ao país a notícia de que aqui não serviam os modelos burocráticos de reforma agrária utilizados em outras regiões do país. De que no Acre o desenvolvimento considerava também a justiça social e o uso inteligente e avançado dos recursos naturais de nosso pequeno território e, portanto aqui não se faria sem controle a substituição de uma rica e desconhecida biodiversidade por uma monocultura arcaica. Que no Acre a população queria pensar, elaborar e escolher sua forma de construir uma economia adequada ao tempo presente.

Marina cumpriu fielmente seu papel. Essas notícias encantaram não apenas o país, mas transbordaram para o planeta. O sistema ONU a reconheceu como campeã da terra. Monarquias européias a premiaram. Fundações americanas lhe reconheceram a luta incansável pelo planeta. A poderosa imprensa americana dedicou-lhe páginas e páginas elogiosas e o seríssimo “The Guardian” da Inglaterra a apontou como uma das 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta. E, há menos de um mês atrás, com um partido pequeno, com 1 minuto e 23 segundos de programa eleitoral na TV, com a menor arrecadação dentre os três principais candidatos, com os institutos de pesquisa subtraindo do público a informação de seu real percentual de intenção de votos, com todas essas circunstâncias desfavoráveis, foi escolhida por quase 20 milhões de brasileiros para receber o voto para Presidente do país.

Ao sair do PT Marina o fez de forma democrática, conversando com os dirigentes nacionais e locais. Não ficou convidando ninguém para acompanhá-la no novo partido. Muitas pessoas o fizeram, mas por iniciativa própria. No processo eleitoral do Acre teve a generosidade de compreender a posição dos líderes petistas dentro da Frente Popular, que não a apoiaram, e não só declarou voto como fez campanha por eles. Perguntada por repórteres da grande imprensa brasileira se ficava triste com sua votação em seu estado, teve a elegância de dizer que do povo do Acre ela não cobra nada, apenas agradece.

E tudo que o professor Marcos acha é que essa trajetória se deu até aqui, dentro do mais estrito rigor ético, para cumprir o papel de força auxiliar do PSDB e atrapalhar a festa da candidata Dilma logo no primeiro turno?

Acho que precisamos rapidamente nos preparar para uma quarta e terrível crise, que infelizmente começará também aqui, em algumas cabeças no Acre: a crise de percepção.

Jane Maria Vilas Bôas é antropóloga e membro da assessoria da senadora Marina Silva (PV-AC)

TRÉPLICA: DESEMBARCANDO DA ATUALIDADE

DESEMBARCANDO DA ATUALIDADE

Marcos Inácio Fernandes*

“A ideologia da direita é o medo.” (Simone de Beauvoir)

Recebo com carinho a tentativa de auxílio do Dr. Julinho, do PV, a fazer-me embarcar na atualidade. Julinho veio em meu socorro através do artigo: “Para aqueles que ainda acham que existe direita e esquerda na política”,(que é o meu caso), uma réplica ao texto, também publicado aqui no Página 20, “A direita veste verde”, onde faço uma abordagem histórica sobre a origem da direita no Brasil, com o Integralismo, e critico a postura do PV e da Marina no processo eleitoral nesse 2º turno. Parabenizo-o pela coragem de polemizar, que é sempre benvinda, mas receio que, nesse campo, você não tenha o mesmo brilhantismo e a mesma competência que desfruta na sua profissão médica na área de ginecologia e obstetrícia. Nem a fórcipes você me leva a embarcar nessa canoa furada rumo a essa “atualidade” apregoada pelos teóricos neoliberais, direitistas, que defendem que essa distinção (direita X esquerda), não tem mais sentido, que o socialismo acabou com a queda do muro de Berlim e que a história chegou ao fim, como vaticinou Francis Fukuyama. São todos desmentidos pelos fatos e acontecimentos do dia a dia, cujos exemplos mais emblemáticos são: o 11 de setembro, quando os Estados Unidos foram golpeados pela 1ª vez no seu próprio território, e a mais recente crise do capitalismo na sua fase globalizada, quando o Estado saiu em socorro do Mercado e da burguesia financeira. Mas antes de refutar alguns pontos do seu artigo, quero reconhecer e confessar, que sou um “jurássico”, um “bolchevique” formado na velha escola política do Partidão, matriz de toda esquerda brasileira, que ainda crê a acredita na utopia socialista. Estou aposentado porque sou do tempo que “violão não dava choque”, “pandeiro tinha couro”, “toda geladeira era branca”, “todo telefone era preto”, “surra dos Paes não traumatizavam” e “homem só casava com mulher”. Já estou na 3ª fase cronológica dos “ENTA”(40,50,60, 70, 80 e 90 anos) Sessentão sim, (62 anos), mas com tudo funcionando. Sou um saudosista e um otimista compulsivo. Sei que o novo sempre vem e é melhor, mas nunca desprezo uma coisa por ser velha e também não desprezo o retrovisor (a história passada) para entender o presente e vislumbrar melhor o futuro. Como disse José Ortega Y Gasset em A Rebelião das Massas: “o passado não nos dirá o que devemos fazer, mas sim o que devemos evitar.” E uma coisa que devemos evitar na política, definitivamente, é ficar em cima do muro. Porque líder não se omite. Escolhe um lado e luta. A história está repleta de exemplos dessa natureza. Na 2ª Guerra, Churchil declarou: “se Hitler invadisse o inferno eu apoiaria o demônio”. Aqui no Brasil, Prestes aderiu ao “Queremismo” (queremos Getúlio), que havia entregue sua esposa e sua filha, Olga Benário e Anita Leocádia Prestes, aos nazistas. Quando lhe perguntaram o porque do apoio ao seu algoz, o velho comunista respondeu, mais ou menos nesses termos: “ eu não posso me dar ao luxo de deixar que os meus dramas pessoais interfiram nas questões políticas.” A posição atual da Marina de não abrir o voto alegando “não acreditar em voto de manada” é até deselegante com seus próprios eleitores que embarcaram na “onda verde”. Terão sido esses votos também de manada? Terão sido votos atraídos pelo berrante da Rede Globo, que concedeu generosa cobertura a candidata na reta final do 1ª turno? A mim me parece, que Marina ainda guarda mágoa e ressentimentos da sua relação com Dilma e Lula de quando estava no governo. A luz do Evangelho e da Política, mágoas e ressentimentos não são “virtudes” a serem cultivadas. Mas hoje os Verdes podem lavar as mãos e ensaboá-las com produtos da Natura. Agora que Serra, vai aumentar o salário mínimo para 600 reais, conceder 0 13º ao Bolsa Família e assumir o “desmatamento Zero”, não falta mais nada para os Verdes ingênuos, e que não olham para o retrovisor, assumirem sua candidatura.
Eu garanto a você, Julinho, que a direita e esquerda são conceitos políticos atualíssimos e fazem parte do vocabulário político desde a Revolução Francesa, quando foram criados. E nessas eleições eles protagonizaram a discussão da campanha dentro e fora do país. Veja o que disseram os líderes históricos do Movimento Verde na Europa, que manifestaram em carta seu apoio a Dilma: “ a manutenção da esquerda no poder é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica no país. A vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global.Os Verdes europeus alertam também sobre José Serra. “Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, juntos com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão” afirma a carta. Taí, seus correligionários europeus, usando os termos em profusão.
Você cita o sociólogo Britânico Anthony Gidens, que diz que “desde a segunda guerra os termos perderam a pujança”. Também Christopher Lasch em A Rebelião da Elites (Ediouro,1995) diz:”A velha disputa entre esquerda e direita esgotou a sua capacidade de esclarecer questões e providenciar um mapa confiável da realidade.” Eu não vou por aí. Adoto e recomendo a leitura do filósofo político italiano, Norberto Bobbio, que escreveu um livrinho, que já se tornou um clássico da literatura política: “Direita e Esquerda. Razão e Significados de uma Distinção Política. Eis um trecho: “os conceitos direita e esquerda são anteriores as polêmicas capitalismo versos socialismo e abrangem atitudes políticas mais amplas (...) Elas continuam a servir como pontos de referência indispensáveis; são de esquerda as pessoas que se interessam pela eliminação das desigualdades sociais, ao passo que a direita insiste na condição de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, inelimináveis.” (BOBBIO,1993).
Por fim Julinho, lhe afirmo que passa longe de mim destratar um aliado da Frente como o PV, nem tampouco a Marina, por quem nutro grande respeito, já externado publicamente.Mas isso não me impede de externar a minha opinião de achar equivocada a postura do PV e da Marina nessa eleição, especialmente no 2º turno. Vocês tinham 28 milhões de razões para hipotecar apoio integral ao projeto político que Lula está conduzindo e cuja continuidade é Dilma. Quer coisa mais ecológica do que tirar 28 milhões de pessoas da miséria absoluta?!! Quer sustentabilidade econômica e social maior do que elevar 36 milhões de pessoas à classe média, dinamizando nosso mercado interno?!! Para tomar uma decisão favorável ao nosso lado também bastaria olhar o mapa do Brasil mostrando o contraste entre o vermelho e o azul na distribuição dos votos no 1º turno. O azul, do Serra, predomina no arco do desmatamento, na região mais antropizada do Acre e em São Paulo, cada vez mais poluído por sucessivos governos tucanos. Eu, definitivamente, não embarco na ideologia do medo da direita. Sem medo de ser feliz, no domingo, vou de vermelho, a cor da esquerda, não por conveniência mas com profunda convicção votar 13, DILMA SIM, porque eu não penso só em mim.



Beth Oliveira para mim
mostrar detalhes 18:32 (3 horas atrás)

Meu amigo GOTA SERENA, que brilhantismo.... adorei o artigo. me serviu de desabafo.... PARABENS...
BETH

Homero Costa para mim
20:02 (1 hora atrás)


Marquito, gostei de sua resposta. Está muito bem escrita e assino embaixo
abraço
Homero

RÉPLICA DO DR. JULINHO AO MEU ARTIGO "A DIREITA VESTE VERDE"

O MARCO FINAL DA FRENTE POPULAR DO ACRE?

POR JÚLIO EDUARDO GOMES PEREIRA


Não sendo professor, cientista político ou aposentado, mas presidindo a comissão de ética do Partido Verde no Acre, tenho o dever da ousadia de tentar auxiliar o professor Marcos Inácio Fernandes a embarcar na atualidade.

O professor Anthony Giddens, na introdução de “O debate global sobre a Terceira Via”, publicado pela Fundação Editora da UNESP, cita entre muitas excelentes avaliações:

“Existe um reconhecimento geral quase que por toda parte de que as duas vias que têm dominado o pensamento político desde a Segunda Guerra Mundial fracassaram ou perderam a pujança.”


“Os partidos esquerdistas estão sendo forçados a criar algo novo, uma vez que as doutrinas centrais do socialismo já não são aplicáveis.”

Imagino como deve ter sido difícil para aqueles que avaliam a política exclusivamente pelo retrovisor ver acontecer a “onda verde”.


Uma parcela significativa do eleitorado brasileiro optou pelo novo, pelo debate, pela oportunidade de pensar melhor, pelo impedimento da forma reduzida de uma eleição geral que o plebiscito representa e demonstrou a extinção de disputa entre o bonzinho e o mauzinho.

Também considero complexo ver uma grande liderança partidária mudar de casa, mas não de rua, por se sentir impossibilitada de fazer seu antigo partido reassumir os compromissos que fez com a sociedade. Está claro que Marina Silva não saiu do PT, mas sim que o partido se afastou daquilo que o fez ser escolhido e contado com suas energias para crescer. E como ela foi fundamental para isso.

Compreendo a tática de tentar rotular de neutralidade o que, na verdade, é independência; talvez uma decisão impossível em siglas partidárias que administram seu capital social como manadas.

Quando acontece a contribuição do Partido Verde para enriquecer e atualizar os programas dos candidatos que disputam o segundo turno, a elegância política e a ética excluem qualquer traço de posição neutra.

E se fôssemos falar de higiene, os brasileiros e as brasileiras sabem para onde destinar os produtos de limpeza, certamente nunca tão bem endereçados na história deste país.

Para falar de decepção, ficamos, os verdes, impressionados com a decisão rápida e cirúrgica do presidente do Brasil ao optar pelo agronegócio e pelo desenvolvimentismo cego como caminho desconectado da realidade e necessidade mundiais de sustentabilidade ao escolher um membro de sua equipe muito pouco afeito à realidade local para conduzir o futuro da Amazônia brasileira.

E para abordar o baixo nível, queremos agradecer à nossa Marina por ter sido decisiva para qualificar a campanha eleitoral e priorizado o debate em vez do embate, como medida eficaz de evoluir a consciência política no país, o que não estamos observando acontecer neste turno do processo eleitoral.

Para não fazer o jogo daqueles que não compreendem ainda que o voto pertence ao eleitor e não a partidos e seus supostos líderes, tenho me posicionado como ativista político e, assim, explicado o meu próximo voto, àqueles que me perguntam ou debato sobre o futuro, para a candidatura que avalio como mais importante para o meu Estado e considerando o compromisso pretérito do PT com o Acre.

Não posso, entretanto, deixar de reconhecer uma ponta de ressentimento com a falta de agradecimento que o Partido Verde do Acre deveria ter recebido por ter seguido o pedido de Marina de não sair nessa eleição com chapa completa e, assim, contribuir com a unidade da Frente Popular do Acre. Se a decisão tivesse acontecido de acordo com a posição inicial do PV do Acre e com a executiva nacional do partido, a eleição aqui não teria, com certeza, sido concluída ainda.

Estou convicto de que a Frente Popular do Acre foi responsável pela maior obra política e social para o Acre moderno – o resgate da autoestima dos acreanos- mas, companheiros, convenhamos que se o modelo e as posturas atuais permanecerem é possível que as eleições de 2010 sejam o marco final deste importante ciclo de 20 anos.


E me surpreende que alguns ideólogos e cientistas políticos da FPA, ao invés de avaliarem seus erros, queiram ressuscitar antigos fantasmas de teorias conspiratórias e uma velha separação entre direita e esquerda que já foi jogada no lixo com suas alianças recentes.

A direita e a esquerda de hoje vestem verde, sim. E vestem também vermelho e azul, quando lhes convém. Quem não percebe isso, acaba destratando aliados fiéis e abraçando traidores só por causa da cor da camisa.


Júlio Eduardo Gomes Pereira é médico e dirigente do Partido Verde no Acr. E atenção patrulha: o artigo foi recebido com o título "Para aqueles que ainda acham que existe direita e esquerda na política". Alterei porque estava longo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VERÍSSIMO COM DILMA

UMA ELEIÇÃO PARA NÃO SER ESQUECIDA

O país velho e conservador que emerge da campanha
Enviado por luisnassif, qui, 28/10/2010 - 07:58

Uma eleição para não ser esquecida Valor Online
Maria Inês Nassif

O novo presidente será conhecido já no domingo, tão logo contabilizados os votos das urnas eletrônicas. O novo Brasil político, no entanto, descortinou-se durante a campanha, é velho e conservador e merecerá certamente a atenção de especialistas depois do pleito. Os partidos, em especial os de oposição, conseguiram extrair da sociedade os seus mais primitivos preconceitos, por meio de uma agenda conservadora e religiosa. Qualquer que seja o resultado da eleição - e até esse momento não existem divergências entre as pesquisas dos institutos sobre o favoritismo da candidata Dilma Rousseff (PT) - o eleito terá de lidar com uma agenda de políticas públicas da qual foram eliminadas importantes conquistas para a sociedade como um todo, e na qual o elemento religioso passou a ser um limitador da ação do Estado.


A ação da igreja conservadora e de setores do pentecostalismo contra Dilma, por conta de sua posição sobre o aborto, é o exemplo mais gritante. No Brasil, a cada dois dias morre uma mulher em conseqüência de um aborto clandestino. A legislação brasileira ao menos conseguiu trazer mulheres que correm risco de vida em decorrência de um aborto que já foi malfeito para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e garante que a rede pública faça com segurança os abortos aceitos legalmente - os de vítimas de estupro ou quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher. Como assunto de saúde pública, o aborto não poderia ter ocupado o centro dos debates. Isso é uma questão de Estado. Como convicção moral, a mudança na legislação está na órbita do Congresso - e esses setores elegeram seus representantes. O debate eleitoral sobre o aborto, numa eleição para a Presidência, foi a instrumentalização política de um dogma - pelo menos dos setores religiosos conservadores - e excluiu do debate a maior interessada, a mulher. A eleição conseguiu retroceder décadas esse debate. O movimento feminista não agradece.

Campanha trouxe à tona preconceitos que pareciam abolidos

O país que se redemocratizou há um quarto de século e há 22 anos conseguiu entender-se em torno de uma Constituinte cujo produto final foi avançado politicamente, manteve uma reverência envergonhada aos atores políticos mais importantes do regime anterior - dos militares à Igreja conservadora - e um medo subjetivo de se contrapor de fato ao passado. Sem lidar com os seus fantasmas, tem reincorporado vários deles à vida política. É inadmissível que num país que viveu 21 anos sob o tacão militar, por exemplo, setores da sociedade (e os próprios militares) tenham reagido de forma tão desproporcional ao III Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), ou rejeitem de forma tão violenta o acerto com esse passado. Ao longo dos anos de democracia, determinados setores sociais passaram a reincorporar valores que pareciam ter sido abolidos do manual de como fazer política. Ao longo desses 25 anos que nos separam do último ditador militar, a direita, que se envergonhara no final da ditadura, lentamente desenterrou os velhos fantasmas e refez os preconceitos. Aliás, não apenas a velha direita. Uma nova direita, que se formou com atores que vinham também da resistência democrática, aceitou o caminho do conservadorismo ideológico para reaglutinar uma elite que ficou sem norte, e para a qual a emergência de grandes parcelas da população que estavam na base da estrutura social à classe média assusta - até porque a elite brasileira não tem historicamente experiência com realidades onde a disparidade de renda é menor e onde o aumento da escolaridade transforma pobres em cidadãos, e não em votos a serem manipulados.

Dentre todos os setores que atravessaram da esquerda para a direita nessas últimas duas décadas, o PSDB foi o que perdeu mais. Formado com um ideário social-democrático, mas sem experiência de articulação de política partidária e sem vocação para liderança de massas, chegou ao poder junto com o neoliberalismo tardio brasileiro, assimilou valores conservadores, incorporou-os ao seu tecido orgânico e sobreviveu, enquanto mantinha o governo federal, com a ajuda da política tradicional (e conservadora). Na oposição, não conseguiu voltar ao leito social-democrata. Deixou-se empurrar para a direita pelo PT, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva assumiu o seu primeiro mandato, e se aproximou tanto do PFL que as divergências entre ambos se diluíram ao longo do tempo, ao ponto de canibalizarem votos uns dos outros. Incorporou o discurso neoudenista, transformou-se num partido de vida meramente parlamentar, não reorganizou o partido para formar militância. O PSDB, hoje, é um partido que aparece como tal para apenas disputar eleições.

Isso é péssimo. O primeiro turno já compôs o Legislativo federal. O PT saiu das eleições mais forte. O PMDB, que é o partido que todos falam mal, mas do qual nenhum governo consegue se livrar, continua forte com a sua fórmula de funcionar como uma federação de partidos regionais e tende a incorporar o DEM, ex-PFL, e ficará mais forte ainda. Os demais, inclusive o PSDB, serão partidos médios - com a diferença que o PSB, por exemplo, é um partido médio em crescimento, e o PSDB terá que se reinventar para voltar a crescer, se não voltar a ser governo. O PT se acomodou no espaço da social democracia e o PMDB permanece no centro, se é possível atribuir a esse partido uma posição ideológica que não seja a da fisiologia. O espaço que o PSDB tem para se reinventar fora da direita é mínimo. O DEM e o PSDB deram muito trabalho ao presidente Lula, em oito anos de governo, mas carregaram no jogo neoudenista e se desgastaram demais. Além disso, a hegemonia paulista no PSDB permanece, o que obstrui caminhos de líderes não paulistas que poderiam reduzir o desgaste neste momento, como Aécio Neves (MG).

Não é arriscado apostar na emergência de um novo partido de oposição. O PSDB precisaria de lideranças muito hábeis para se reinventar, e de uma solidariedade e organicidade que nunca cultivou. E precisaria enterrar de vez os preconceitos e preceitos conservadores que têm desenterrado a cada nova eleição. Enfim, empurrar-se de novo para uma posição de centro. O passado do partido, todavia, não recomenda que se trabalhe com essa hipótese.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

DEIXA DE SER ENGANADOR... EM NOVA ROUPAGEM

O hit musical das Eleições - 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LULA 6 PONTO 5 - VIDA LONGA AO PRESIDENTE







Do Blog CIDADANIA do Eduardo Guimarães, um belo texto em homenagem ao natal´cio do Presidente Lula. Transcrevo e assino em baixo.






27 de outubro de 1945




Há exatos 65 anos, em 27 de outubro de 1945, no interior de Pernambuco nascia um homem que mudaria a história de um país que chegou destroçado aos primórdios do século XXI. Luiz Inácio da Silva, que mais tarde teria o hipocorístico “Lula” acrescido ao nome, chega à data de hoje nas asas de uma trajetória de vida na qual poucos acreditariam se o nosso presidente não tivesse se tornado o brasileiro mais famoso da história, ao lado de Pelé.
Este blogueiro não hesita em confessar a sua admiração por esse homem. E nem tanto por sua impressionante trajetória, mas por um feito que ele logrou perpetuar na história e que muitos outros poderiam ter logrado, bastando que, como fez o filho mais ilustre de Garunhuns (ou de Caetés), tivessem simplesmente governado para todos.
O feito de sair da tragédia social em que foi gerado para se tornar presidente da República é emocionante, é impressionante, mas nem se compara ao desprendimento de Lula de ter sofrido tudo o que sofreu nas mãos da alucinada elite brasileira quando teria sido tão mais fácil governar para poucos e sair do poder exaltado pela mídia como aconteceu – e continua acontecendo – com Fernando Henrique Cardoso.
Por essa abnegação, nutro por Lula um respeito e um carinho que lamentavelmente jamais pude expressar ao próprio e que certamente jamais poderei, pois há muitos em seu entorno mais merecedores de tal honraria, além de a fila dos candidatos comuns como eu mesmo a tal outorga ser tão extensa que, para concedê-la a todos, nosso presidente teria que viver várias vidas.
Hoje é o aniversário de Lula, do ser humano vivo que mais admiro. Quero tanto presenteá-lo, mas não saberia o que dar a um homem para quem a vida deu tudo depois de privá-lo de tanto em seus primeiros anos. Então decidi escrever um texto que ele jamais lerá, mas que ficará imortalizado na internet para que um dia, num futuro distante, os estudiosos de nossa época saibam o quanto aquele lendário líder político foi amado por seu povo. Parabéns, presidente Lula. Muitas felicidades e muitos anos de vida a V. Excia. São os votos de Eduardo Guimarães e família.

HOJE NA HISTÓRIA




Fortuna: "Para ficarem só 2 partidos, a UDN e a UDN"

1965 (27-10) O gen. Castelo Branco impõe sua reforma partidária: pelo Ato Institucional nº 2, extingue os 13 partidos existentes, suprime a eleição direta para presidente e reabre as cassações.

E o Ato Complementar nº 4 cria a ARENA e o MDB ( O último dizia SIM e o primeiro SIM SENHOR!) (MIF)

MORREU JORGE KALUME


NOTA OFICIAL
26-Out-2010
Governo decreta luto oficial de três dias pelo falecimento do ex-governador do Acre Jorge Kalume

O Governo do Estado do Acre registra com pesar o falecimento, nesta terça-feira, 26, do ex-governador Jorge Kalume, que será sepultado nesta quarta-feira às 16h30 em Brasília, onde passou seus últimos anos. Jorge Kalume deixa, além de sua atual esposa D. Terezinha, três filhos (Márcia, Dário e Cláudio) e vários netos.
Filho ilustre de Xapuri, Kalume começou sua trajetória política na antiga ARENA - Aliança Renovadora Nacional, que substituiu o PSD. Foi prefeito de Xapuri no final da década de 50, deputado federal e nomeado governador de setembro de 1966 a março de 1971. Como governador, construiu a primeira ponte sobre o rio Acre e o Palácio das Secretarias. Foi senador da República entre 1978 a 1986.

Em 1988, já pelo PDS, Jorge Kalume foi eleito prefeito de Rio Branco, mandato que exerceu de 1989 a 1992. De sua passagem pela Prefeitura, ficou a Fundação Municipal de Cultura, posteriormente denominada Fundação Garibaldi Brasil pelo então prefeito Jorge Viana.

Membro de tradicional família libanesa, tem seu nome ligado à História do Acre pelo pioneirismo do comércio em sua cidade e pelos livros que escreveu como memorialista: um sobre a festa de São Sebastião, outro sobre o Colégio Divina Providência e um terceiro sobre a elevação do Território do Acre a condição de Estado. Era apaixonado pela história acreana e pela cultura. Comandou por muitos anos o Instituto Histórico do Acre. Foi membro da Academia Acreana de Letras e um dos Criadores da Universidade Federal do Acre.

Homem de convicções e coerente com seus ideais, Jorge Kalume atravessou duras batalhas políticas e nem sempre foi compreendido na essência, senão pelos mais íntimos, aos quais se revelava estudioso da cultura e da história do povo acreano e profundamente amoroso com as coisas de sua terra.

Em razão da morte do ex-governador Jorge Kalume, já foi decretado luto oficial por três dias.

Governo do Estado do Acre

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SERRA, DEIXA DE SER ENGANADOR

Tantinho da Mangueira mostrando no samba o embuste de Serra, no "atentado" com a bolinha de papel. Merece entrar no programa da Dilma. Ô bolinha de papel poderosa, levou o candidato Serra a fazer uma tomografia e derruboi a já desgastada credibilidade do Jornal Nacional da Globo. Como diria Wilson das Neves: ô sorte!!.

DILMA É DO NOSSO TIME

Manifesto "Dilma é do nosso time"

Nós, atletas, dirigentes, profissionais de educação física, e amantes do esporte nos unimos para apoiar Dilma Roussef. Este apoio é fruto do reconhecimento que o esporte vive um momento especial.

Acordamos todos os dias movidos pela paixão. Ocupamos praças públicas, piscinas, quadras, praias, ginásios, campos de futebol, pistas de corrida e tatames por todo Brasil. Para nós, esporte é transformação social, formação educacional, é a construção da imagem de um país alegre e vitorioso. O esporte é lazer, é prazer, é emoção, é comunhão de credos, raças, idades, é expressão da cultura de um povo.

O Brasil realizou o Pan e se emocionou com a conquista das Olimpíadas. O país será sede da Copa do Mundo. O programa Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte foram grandes conquistas. Programas sociais esportivos criam oportunidades para nossas crianças. O esporte paraolímpico nacional passou a ser tratado em condições de igualdade. O futebol brasileiro cresce fora das quatro linhas.

O Brasil tem desafios. Precisamos consolidar o esporte nas escolas e nas universidades, ampliar o financiamento, melhorar a gestão, realizar com eficiência e transparência os grandes eventos com legados para o país.

Assinamos este manifesto convencidos de que não podemos voltar ao tempo em que o esporte era departamento de outro Ministério, tratado como política pública de segunda categoria.

O nosso apoio a Dilma tem um sentido claro: fortalecer as vitórias conquistadas pelo time chamado Brasil.

- Acelino Popó de Freitas - Campeão Mundial de Boxe

- Adriana Behar - Medalhista Olímpica

- Adriana Samuel - Medalhista Olímpica

- Alan Adler – Campeão Mundial de Vela

- Alaor Azevedo - Presidente da Confederação de Tênis de Mesa

- André Campos - Presidente do Conselho Deliberativo do Náutico

- Andrés Sanchez - Presidente do Corinthians

- Bebeto - Tetra Campeão de Futebol

- Bobô - Campeão Brasileiro pelo Bahia

- Ciro Delgado - Medalhista Olímpico

- Coaracy Nunes - Presidente da Confederação de Desportos Aquáticos

- Djan Madruga - Medalhista Olímpico

- Fernando Bezerra Coelho - Presidente do Santa Cruz

- George Braga - Presidente do Fórum de Secretários Estaduais de Esporte e Lazer

- João Tomasini - Presidente da Confederação de Canoagem

- Jorge Lacerda - Presidente da Confederação de Tênis

- Jorge Steinhilber – Professor de Educação Física

- Kouros Monadjemi - Presidente da Liga Nacional de Basquete

- Manuela D’avila - Presidente da Frente Parlamentar de Esporte

- Márcia Lins - Secretaria de Esporte do Estado do Rio de Janeiro

- Marcio Braga - Ex-Presidente do Flamengo

- Orlando Silva - Ministro do Esporte

- Paulo Wanderley - Presidente da Confederação de Judô

- Rico de Souza – Vice Campeão Mundial de Surf

- Roberto Horcades - Presidente do Fluminense

- Romário - Tetra Campeão de Futebol

- Silvio Guimarães - Presidente do Sport Clube Recife

- Virna - Medalhista Olímpica

Novas adesões, envie e-mail para: esportecomdilma@gmail.com. Entre neste time! Encaminhe o manifesto para sua rede de amigos.

EDUCAÇÃO POLÍTICA

Do Blog Educação Política, do Glauco Cortez

EDUCAÇÃO POLÍTICA

Aprender política é um trabalho consistente e cotidiano
Todos os dias, todas as horas
Não se faz com a consciência obstinada, mas sim ativa
É como construir um castelo de areia, que sempre precisa de retoques
Às vezes vem uma onda ou uma ditadura e destrói tudo
Às vezes chegam os autoritários e tentam chutá-lo
O mesmo fazem os fascistas, os nazistas, os stalinistas
Mas também quase sempre são impedidos
Quem aprende política sabe dar os braços e agüentar o tranco
Quem aprende política sabe formar uma roda e girar com força

Mas se alguém fica distraído, abobalhado ou anestesiado frente a uma TV
As águas dos apolíticos começam a minar toda construção
Eles chegam com suas quinquilharias de consumo e produção de lixo
Eles pisam no castelo e dizem que foi sem querer, sempre sem querer
O apolítico não tem culpa de nada; é uma consciência vazia
Mas o seu grande estrago é não diferenciar as ondas políticas

Pode ser a chuva, pode ser o som, pode ser o vento.
Estão todos aí, como uma natureza indomável, prontos para derrubar o castelo

Mas não há desânimo, não há resignação, não há desamparo
Construir um castelo democrático é o desejo de quem quer aprender política
É uma necessidade para quem sonha e vive a liberdade
É uma honra para quem se orgulha das lutas passadas, dos homens e mulheres que conquistaram o que temos hoje
Aprender política não se faz só com acertos; muitas vezes se erra
Mas se isso ocorre, é só recomeçar e trilhar novos caminhos
Aprender é a nossa educação política

(Glauco Cortez)

35 ANOS DO ASSASSINATO DE WLADIMIR HERZOG



Torturado até a morte por asfixia, no Doi-Codi-SP, o jornalista da TV Cultura Wladimir Herzog, 38 anos. O Legista Harry Shibata atesta suicídio, sem ver o corpo. O assassinato provoca o 1º protesto de massas desde o AI-5, na missa de 7º dia.

Herzog, na foto montada
por seus assassinos .

domingo, 24 de outubro de 2010

A BOLA DE PAPEL ASSASSINA


Do Blog do Azenha, Ví O Mundo.


"TUCANO DEPENADO
HOJE QUEBRA O BICO,
CHAPÉU DE PENICO,
PAJÉ ENFADADO,
TEU FOGO APAGADO
NEM FEDE, NEM CHEIRA,
DESCENDO A LADEIRA
LÁ VAI DESPENCANDO,
DE RAIVA ESTOURANDO
PERDENDO A ESTRIBEIRA."


(Sidora)

PELÉ SETENTÃO

O Rei completa 70 anos, sem perder a majestade. Indiscutivelmente o melhor do mundo no futebol

IMAGENS DA CAMPANHA -2010



Bem que a Catanhede me alertou, esse povo fede.

O PIG - ENTRE O RÍDICULO E O DELÍRIO


Às favas a verdade factual

Nunca na história eleitoral brasileira a mídia nativa mostrou tamanho pendor para a ficção

- por Mino Carta, na CartaCapital

Há quatro meses CartaCapital publicou a verdade factual a respeito do caso da quebra do sigilo fiscal de personalidades tucanas. Está claro que a chamada grande imprensa não quer a verdade factual, prefere a ficcional, sem contar que em hipótese alguma repercutiria informações veiculadas por esta publicação. Nem mesmo se revelássemos, e provássemos, que o papa saiu com Gisele Bündchen.

Furtei a expressão verdade factual de um ensaio de Hannah Arendt, lido nos tempos da censura brava na Veja que eu dirigia. Ela é o que não se discute. Diferencia-se, portanto, das verdades carregadas aos magotes por cada qual. Correspondem às visões que temos da vida e do mundo, às convicções e às crenças. Às vezes, às esperanças, às emoções, ao bom e ao mau humor.

Por exemplo: eu me chamo Mino e neste momento batuco na minha Olivetti. Esta é a verdade factual. Quatro meses depois da reportagem de CartaCapital sobre o célebre caso, a Polícia Federal desvenda o fruto das suas investigações. Coincide com as nossas informações. O sigilo não foi quebrado pela turma da Dilma, e sim por um repórter de O Estado de Minas, acionado porque o deputado Marcelo Itagiba estaria levantando informações contra Aécio Neves.

Nesta edição, voltamos a expor, com maiores detalhes, a verdade factual. E a mídia nativa? Desfralda impavidamente a verdade ficcional. Conta aquilo que gostaria que fosse e não é. Descreve, entre o ridículo e o delírio, uma realidade inexistente, porque nela Dilma leva a pior, como se a própria candidata petista fosse personagem de ficção. Estamos diante de um faz de conta romanesco, capaz talvez de enganar prezados leitores bem-postos na vida, tomados por medos grotescos e frequentemente movidos a ódio de classe.

Ao sabor do entrecho literário, pretende-se a todo custo que o repórter Amaury Ribeiro Jr. tenha trabalhado a mando de Dilma. Desde a quarta 20, a Folha de S.Paulo partiu para a denúncia com uma manchete de primeira página digna do anúncio da guerra atômica. Ao longo do dia, via UOL, teve de retocá-la até engatar a marcha à ré.

Deu-se que a Polícia Federal entrasse em cena para confirmar com absoluta precisão os dados do inquérito e para excluir a ligação entre o repórter e a campanha petista.

O recorde em matéria de brutal entrega à veia ficcional cabe, de todo modo, à manchete de primeira página de O Globo de quinta 21, obra-prima de fantasia ou de hipocrisia, de imaginação desvairada ou de desfaçatez. Não custa muito esforço constatar que o jornal da família Marinho acusa a PF de trabalhar a favor de Dilma, com o pronto, inescapável endosso do Estadão. Texto da primeira página soletra que, segundo “investigação da PF, partiu da campanha de Dilma Rousseff a iniciativa de contratar o jornalista”. Aqui a acusação se agrava: de acordo com o jornalão, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, a quem coube apresentar à mídia os resultados do inquérito, é mentiroso.

Seria este jornalismo? Não hesito em afirmar que nunca, na história das eleições brasileiras pós-guerra, a mídia nativa permitiu-se trair a verdade factual de forma tão clamorosa. Tão tragicômica. Com destaque, na área da comicidade, para a bolinha de papel que atingiu a calva de José Serra.

A fidelidade canina à verdade factual é, a meu ver, o primeiro requisito da prática do jornalismo honesto. Escrevia Hannah Arendt: “Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é”. Este final, “porque é”, há de ser entendido como o registro indelével, gravado para sempre na teia misteriosa do tempo. A verdade factual é.

Dulcis in fundo: na festa da premiação das Empresas Mais Admiradas no Brasil, noite de segunda 18, o presidente Lula contou os dias que o separam da hora de abandonar o cargo e deixou a plateia de prontidão para as palavras e o tom do seu tempo livre pós-Presidência. Não mais “comedido”, como convém ao primeiro mandatário. E palavras e tom vai usá-los em CartaCapital. Apresento o novo, futuro colunista: Luiz Inácio Lula da Silva.

Por enquanto, ao presidente e à sua candidata não faltou na festa o apoio de dois qualificadíssimos representantes do empresariado. Roberto Setubal falou em nome dos seus pares. Abilio Diniz, de certa forma a representar também os consumidores, em levas crescentes na qualidade de novos incluídos.

A mídia nativa não deu eco, obviamente, a estes pronunciamentos muito significativos.

A OMISSÃO DA MARINA

Do Blog Tijolaço do Brizola Neto.
Líder não se omite. Escolhe um lado e luta

Lamentável a declaração da senadora Marina Silva de que não assume posição no segundo turno porque , nas suas palavras, “não acredita em voto de manada.”

Senadora, os eleitores, muito menos os seus, não são manada. Têm opinião própria. Mas quando se referenciam numa liderança, estabelecem com ela uma relação de confiança e troca.

Não me ocorreu que Marina pudesse considerar um “voto de manada” o crescimento de sua candidatura na reta final do primeiro turno. Se ela diz que a “onda verde” que fez crescer sua candidatura, como ela diz, “o voto democrático do cidadão que acreditou na sua plataforma, discurso, postura e trajetória”, deve achar que as pessoas a seguiram por serem livres para escolher, não porque sejam uma “manada”. Aliás, a propaganda de Marina foi recheada de declarações de voto de celebridades e pastores e nem por isso eles trataram os eleitores como “manada”. Ou trataram?

Portanto, embora tenha o direito de não declarar o voto, Marina não tem o direito de dizer que aqueles que recomendam o voto tratam o eleitor como manada.

Aliás, pessoas que, no mundo inteiro, se preocupam com a questão ecológica está muito mais associada a uma candidatura do campo popular que à velha direita que construiu um modelo mundial de devastação. Tanto que os líderes históriocos do movimento verde na Europa, manifestaram, em carta, seu que, em carta, declararam apoio a Dilma, como informa o Opera Mundi.

“A manutenção da esquerda no poder é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica no país”, diz a carta. “A vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global”, enfatiza o documento, ressaltando conquistas como o estatuto da floresta, “que começou a limitar a devastação na Amazônia e no Mato Grosso”, e a demarcação de terras indígenas, como Raposa Serra do Sol.

Os verdes europeus não se limitam apenas às questões ambientais, destacando também que no plano internacional, “os aspectos mais inovadores da política Sul-Sul de Lula (certamente pelo fato de seu apoio a Ahamdinejad), seriam condenados ao ostracismo com um realinhamento com os Estados Unidos”.

A carta dos verdes europeus faz um alerta sobre José Serra, a quem não consideram sequer um social democrata de centro. “Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão”, afirma a carta.

Os verdes elogiam Gilberto Gil, por conclamar o voto em Dilma “sem ambiguidade”, e manifestam compreensão pelo não posicionamento de Marina sob o argumento de que seria difícil um alinhamento imediato com quem ela entrou em conflito quando estava no governo. “Mas nossa experiência como força política e de oposição e governo na Europa nos permite afirmar a nossos companheiros brasileiros que, nas atuais circunstâncias do Brasil, a ancoragem na esquerda é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica.”

A carta é assinada por Dany Cohn Bendit (Alemanha), co-presidente do grupo de deputados do Partido Verde no Parlamento europeu; Monica Frassoni (Itália), co-presidente do Partido Verde europeu; Philippe Lamberts (Bélgica), co-presidente do Partido Verde europeu , e os franceses Dominique Voynet, senadora, prefeita da Cidade de Montreuil e ex-Ministra do Meio Ambiente; Yves Cochet, deputado nacional e também ex-MInistro do Meio Ambiente; Noël Mamère, deputado Nacional e prefeito de Bègles; José Bové, deputado europeu; Alain Lipietz, dirigente dos Verdes e ex-deputado europeu; Jérôme Gleizes, dirigente da comissão internacional dos Verdes, e Yann Moulier Boutang, co-diretor da Revista Multitudes (Paris).

Uma pena que Marina, a quem a história deu a oportunidade de ser a grande líder da causa ambiental no Brasil, preferindo a omissão pessoal. O líder, quando é mesmo líder de uma causa e não de um projeto pessoal, não se omite. Escolhe um campo e enfrenta as batalhas decisivas.
Meu comentário: Endosso as palavras do Brizola Neto: "Lider não se omite". Também critiquei a posição da Marina no artigo, publicado hoje no Página 20, -A DIREITA VESTE VERDE - também postado nesse blog. (MIF)

A BOLINHA DE PAPEL, QUE ACERTOU SERRA, AINDA RENDE




Do blog COMUNISTA.


Homem da bolinha de papel se defende:

"Foi para acertar no Serra, não na credibilidade da Globo"

Com medo de represálias o autor da bolada pediu para não ser identificado

Ele foi o pivô de uma das mais patéticas tentativas de manipulação eleitoral já feitas pelos meios de comunicação no Brasil. Apesar disso, ninguém sabe quem é ele. Até agora. A equipe de jornalismo treinada em Cuba da REDE SOCIAL COMUNISTAS apurou com exclusividade o paradeiro do sujeito. Ele gentilmente nos concedeu uma entrevista.



Repórter comunista: O senhor é um homem simples, trabalhador, morador de Campo Grande, pai de família e consumidor de lojas populares. O senhor imaginou que um dia seria o pivô de um escândalo político-midiático?

Sr Bolinha: Não. De maneira nenhuma. Como você mesmo disse sou um homem simples. Em eleições as pessoas se preocupam com coisas mais importantes como se o filho do Michel Temer é batizado. Se a mulher de José Serra fez aborto a 30 anos atrás ou se a Dilma chorou quando viu o filme Paixão de Cristo.

Repórter comunista: É verdade, estas questões tomaram conta do nosso país. Mas diga, o senhor fez algum treinamento em Cuba ou na China? O Arnaldo Jabor disse que o incidente em Campo Grande pode ter sido o primeiro passo para uma revolução comunista no Brasil. É isso mesmo?

Sr Bolinha: Não. A coisa foi muito, assim, por acaso. Nem estava ali acompanhando a caminhada ia só pagar uma compra a prestação na loja.

Reportér Comunista: O senhor não quer se identificar por medo de represálias. De quem?

Sr Bolinha: Ah, todo cuidado e pouco. Esta turminha que tá com o Serra é barra pesada: tem a turminha do Bolsonaro...

Repórter comunista: Bolsonaro?


Sr. Bolinha: É, aquele deputado que quando fala lá no congresso só o filho dele presta atenção.

Repórter comunista: Ah! sim, eu sei, mas achei que ele tivesse morrido na Guerra Fria. Me enganei. Desculpe.

Sr. Bolinha: Tudo bem. Então, tem a turminha de neonazistas dele. Tem os militares de pijama. Tem o Bispo de Guarulhos que pode me excomungar. Tem os monarquistas. Além deles ainda tem Hebe Camargo e Ana Maria Braga. Um horror!

Repórter comunista: É mesmo, me deu até calafrios. Mas me diz uma coisa. Alguns blogs disseram que a bolinha de papel foi jogado pelo Paulo Preto e que era uma bilhete para Serra.

Sr. Bolinha: De maneira nenhuma. Qualquer coisa que o Paulo Preto venha a fazer deverá causar muito mais estrago. Além disso, o papel era um panfleto da TFP. Tava no chão da loja. O Indio da Costa havia acabado de distribuir.

Repórter comunista: Da Tradição, Família e Propriedade? Organização que espalhou os boatos contra a Dilma?

Sr. Bolinha: Sim. Isso! Então eu olhei aquele panfleto, fiquei com nojo de tanta mentira, amassei o papel com raiva e ia jogá-lo fora. Mas aí eu vi os dois bobalhões: Indio e Serra. Na porta da loja fazendo o sinal de paz e amor que o Gabeira ensinou para eles e não tive dúvida. Vou me vingar!

Repórter comunista: Puxa, e o senhor acertou em cheio!

Sr. Bolinha: Eu pensei em acertar o Indio da Costa. Mas quando olhei toda aquela pretuberante cabeça de Serra pensei: Nele não tem como errar! No começo fiquei até triste pois pareceu que ele nem percebeu. Mas quando cheguei em casa e olhei os noticiários, vi que tinha sido show de bola. E a câmera lenta? A bolinha batendo e voltando. Ah, foi a glória!

Repórter comunista: O Paulo Henrique Amorim disse que os próprios jornalistas da Globo vaiaram a manipulação feita pelo editor-chefe da emissora. O senhor esperava isso?

Sr. Bolinha: Não. A bolinha era para acertar o Serra, não a credibilidade da Globo. Sabe, eu até gosto do Jornal Nacional. É um ótimo passatempo para se esperar a novela. Eu só não assisto o Jornal da Globo e nem as meninas do Jô, pois eu tenho escrúpulos.

Repórter comunista: Qual o ponto negativo dessa história?

Sr. Bolinha: O ponto negativo é que a fama passa rápido. A Globo tá querendo esquecer o episódio rapidinho.

Repórter comunista: É verdade. Isso não vai aparecer nem na Globo Retrospectiva que eles fazem todo fim de ano. Mas, infelizmente chegou a hora da despedida. O senhor tem algum recado para o José Serra?

Sr. Bolinha: Sim. Serra, no dia 31, faça como os seus eleitores. Desista de ir votar e passe o dia na praia.

Repórter comunista: Para o presidente Lula?

Sr. Bolinha: Valeu Lula. Show de bola este governo! Você bateu um bolão!

Repórter comunista: Para a Dilma?

Sr. Bolinha: Não ligue para baixaria. O que vem de baixo não atinge. O que vem de cima, sim.

Repórter comunista: E para os nossos internautas?

Sr. Bolinha: Muito obrigado por terem colocado o #bolinhadepapelfacts no topo do mundo. Nem sei como agradecer. Muito obrigado e boa eleição.

sábado, 23 de outubro de 2010

DIA DA ASA

T-6 da Esquadrilha da Fumaça
O T-6

O bonitão Costelation



O Douglas C-47 (Viajei muito nesses aí)

O Bombardeiro B-17


Formação de B-26

B-25


Hoje é o dia do aviador. Na semana da Asa, em Parnamirim, onde se localizava a Base Aérea de Natal, acompanhei na minha infância e adolescência as acobracias da Esquadrilha da Fumaça, nos T-6 e as simulações de bombardeio na praia do Meio em Natal, pelos B-25 e B-26. Cresci ouvindo o ronco dos motores dessas aeronaves. Também fiz diversas viagens para Fernando Noronha nos douglas C-47 da FAB. A minha última viagem nos C-47, foi de Brasília para Natal, em 1972 e na companhia do meu pai. Depois disso só viajei na aviação comercial e geralmente em aviões à jato. Tenho duas frustrações de infância. A 1ª de não ter sido pilôto e a 2ª de nunca ter viajado no avião mais charmoso o Costelation, da Panair ou da Real. (eu também alcancei o Loyde Aéreo)


As fotos dos aviões que embalaram alguns dos meus sonhos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A DIREITA VESTE VERDE





A DIREITA VESTE VERDE



Marcos Inácio Fernandes*



“A direita nunca me enganou. A esquerda, já”. (Daniel Cohn-Bendit)


A direita brasileira teve a sua maior expressão com a Ação Integralista Brasileira-AIB, que surgiu no Brasil, nos anos 30, na esteira do furacão totalitário nazi-fascista, que varreu a Europa naquele período. O Nazismo, na Alemanha; o Fascismo, na Itália; o Franquismo, na Espanha e o Salazarismo, em Portugal. A versão, tupiniquim, desses movimentos político-sociais foi o Integralismo. As falanges integralistas eram chamados dos “camisas verdes” e, mais pejorativamente, dos “galinhas verdes”, pelos comunistas, pois usavam camisas verdes com uma braçadeira na manga com a letra grega SIGMA. Eles imitavam os “camisas pardas” dos nazistas alemães e os “camisas negras” dos fascistas italianos. O lema integralista era “Deus, pátria e família” e também adotavam uma forma de se cumprimentar semelhante à nazista com o braço estendido, no estilo “heil Hitler” com a saudação ANAUÊ (“Eis-me aqui” em Tupi-guarani). A AIB foi proscrita por Getúlio Vargas em 1937, com o golpe do Estado Novo, e reapareceu com a redemocratização de 1945, transformado em partido político, Partido de Representação Popular – PRP, extinto com o golpe militar de 1964, através do AI-2. O seu líder maior, Plínio Salgado, conseguiu aglutinar milhões de brasileiros em torno de suas idéias, conservadoras e reacionárias. O nazi-fascismo foi derrotado na 2ª grande guerra, mas seus “zumbis” ainda assombram a Europa e seus primos distantes, no Brasil, ainda estão presentes no cenário político, embora sem a pompa e pujança, que desfrutaram nos anos 30 e 40. Hoje eles atuam através de uma “Frente Integralista Brasileira” - FIB, que proclama: “A Vitória É Nossa”. Nessas eleições, a FIB apresentou algumas razões para não votar em Dilma Rousseff, seguindo sua “coerência” conservadora e reacionária: Dilma é terrorista, marxista, mentirosa, é do PT, pertence ao (dês)governo Lula, apoiou, Manoel Zelaia, de Honduras; recebe apoio de Hugo Chaves e é a candidata predileta das FARC; apóia o PNDH-3, que eles consideram um programa de “implantação de uma ditadura bolivariana”, que defende o aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a censura da imprensa, a retirada dos crucifixos de repartições públicas, etc, etc. São as mesmas acusações difamatórias, de baixo nível, que enchem as caixas de mensagens de milhões de brasileiros, via internet, que faz parte da engrenagem da campanha subterrânea do José Serra –PSDB, no estilo do Tea Party dos Republicanos dos Estados Unidos, que está montada desde 2009, e é coordenada por Eduardo Graeff. Segundo Mauro Carrara , no artigo: “Os segredos internacionais por trás da Revolução do Ódio no Brasil” “ é um sistema capaz de disparar diariamente mais de 152 milhões de e-mails para brasileiros de todas as regiões para disseminar peças de calúnia e difamação contra Dilma, Lula e qualquer figura pública que ouse tomar partido do projeto de esquerda no Brasil” O autor informa ainda que “há 15 anos, a internet vem sendo utilizada como ferramenta de sabotagem pelo poderoso National Endowment for Democracy –NED, criada em 1983 no governo Reagan, e pela United States Agency for International Development – USAID e inúmeras entidades parceiras, como a Fundação Soros. É nessa fonte que a nossa direita tradicional (FIB, TFP, Opus Dei, DEM) e moderna (Instituto Milenium, Movimento Cansei e blogs de esgoto e a Imprensa golpista) estão bebendo. O procedimento estratégico adotado por esses grupos de sabotadores são sintetizados em 10 mandamentos operativos, a saber:




1) “Difunda o ódio. Ele é mais rápido que o amor;


2) Comece pela juventude. Ela é multiconectada e pode ser mais facilmente mobilizada para destruir do que para construir;


3) Perceba que destruir é”divertido”, ao passo que “construir” pode ser cansativo e chato;


4) A veracidade do conteúdo é menos relevante do que o potencial impacto de uma mensagem construída a partir da aparência ou do senso comum;


5) Trabalhe em sintonia com a mídia tradicional, mas simule distanciamento dos partidos tradicionais;


6) Utilize âncoras “morais” para as campanhas. Criminalize diariamente o adversário. Faça-o com vigor e intensidade, de forma a reduzir as chances de defesa;


7) Gere vítimas do oponente. Questões como carga tributária, tráfico de drogas e violência urbana servem para mobilizar e indignar a classe média; 8) Eleja sempre um vilão-referência em cada atividade. Cole nele todos os vícios e defeitos morais possíveis;


9) Utilize referências sensoriais para a campanha. Escolha uma cor ou um objeto que sirva de convergência sígnica para a operação;


10) Trabalhe ativamente para incompatibilizar o político-alvo com os grupos religiosos locais. “




Nessa eleição todo esse receituário estratégico e simbólico foi e está sendo empregado. Colocaram na pauta eleitoral a questão dos “valores morais” do cristianismo, como a questão do aborto, a exploração do sentimento religioso do povo com a participação, vergonhosa, de membros do alto escalão das Igrejas Católicas e Evangélicas, inclusive com a produção de panfletos assinados por Bispos e com a chancela da CNBB. Criaram também a “onda verde” e lamentavelmente a nossa Marina e o seu partido Verde, que ainda não amadureceu polìticamente, foi “anabolizado” pela mídia golpista e deu 2º turno. Foi até bom. Agora, continua a polarização e o plebiscito que a Marina questionava. De um lado as forças conservadoras e direitistas que o Serra conseguiu aglutinar (PSDB/DEM/PPS/PIG/TFP/OPUS DEI/CNBB-Nordeste2/Pastor Malafaia/Clube Militar/etc) talvez só tenha faltado o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Do outro lado, a coalização “Para o Brasil seguir mudando”, costurada pelo Lula, o Presidente que tem a aprovação de 8 entre 10 brasileiros. Entre esses dois campos, a alma brasileira, representada pelos artistas e intelectuais mais renomados, não tiveram dúvidas e fecharam com Dilma. Já o PV,”lavou as mãos” como Pôncio Pilatos, que num momento de grave decisão política preferiu se preocupar com problemas de higiene. O PV liberou geral, ficando no muro, (uma parte vai cair para o lado esquerdo com Dilma, espero que seja a maior, e outra, para o lado direito do Serra). Como disse Max Weber, “quem se abstém ou fica neutro é porque já escolheu o mais forte.” Ou talvez pense que é o mais forte. Marina, por sua vez, não abriu seu voto. Eu, que admiro tanto a Marina, fiquei decepcionado com sua posição dúbia em que pese ela ter dito que “o Brasil já esta preparado para ser governado por uma mulher” e que “o Serra vai perder perdendo”. Quem é da esquerda não titubeia nessas horas. Faz como Brizola, em 1989, que declarou apoio à Lula logo que ficou confirmado que ele iria para o 2º turno com Collor. Faz como fez agora o PSOL e Plínio de Arruda Sampaio, “nenhum voto para o Serra”, manifestando apoio crítico, mas, integral à Dilma. O 2º turno, também serviu para desmascarar a hipocrisia do Serra e família, que infelizmente foi envolvida na campanha na questão do aborto e da quebra do sigilo fiscal da filha, do genro e do Eduardo Jorge. Serra e o PSDB acusaram Dilma e a campanha do PT, pela quebra do sigilo fiscal. Agora, a conclusão do inquérito da Polícia Federal, revelou que trata-se de “fogo amigo” entre a tucanagem de São Paulo e Minas, que remonta as prévias do PSDB na disputa entre Aécio Neves e José Serra para a indicação do partido do seu candidato à Presidência. Sabe-se também, através de uma ex-aluna de Monica Serra, que a esposa do candidato, foi quem já praticou aborto. Mas logo ela, que ficou indignada com uma mulher da Baixada Fluminense, que disse votar na Dilma ao que Mônica Serra exclamou: “na Dilma, que é a favor de matar criancinhas”? É por isso que eu quero distância desses “cristãos” e convertidos de última hora, principalmente, nos períodos eleitorais. Finalizo dizendo que sinto saudades da Marina quando era comunista do PRC, quando era socialista cristã do PT e quando era católica ligada a Teologia da Libertação. Marina se pintou de verde, a cor da direita, e fez o jogo dela. Como no samba-canção antológico do Caymmi: “desculpe, morena Marina, mas eu estou de mal, de mal com você, de mal com você...”.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

RECORDAR É VIVER - (RE)VEJA

COMO AGE O TUCANATO E SERRA

A RECEITA DE GOVERNO. A RECEITA DE CAMPANHA, LOGO ABAIXO.

Pinçado do blog Escrivinhador do Rodrigo Viana.(MIF)




Cinco Ondas da campanha contra Dilma Rousseff

publicada quarta-feira, 20/10/2010 às 16:48 e atualizada quarta-feira, 20/10/2010 às 19:36

As ondas de uma campanha feita nas sombras
por Rodrigo Vianna


O jornalista Tony Chastinet é um especialista em desvendar ações criminosas. Sejam elas cometidas por traficantes, assaltantes de banco, bandidos de farda ou gangues do colarinho branco. Foi o Tony que ajudou a mostrar os caminhos da calúnia contra Dilma, como você pode ler aqui.

O Tony é também um estudioso de inteligência e contra-inteligência militar. E ele detectou, na atual campanha eleitoral, o uso de técnicas típicas de estrategistas militares: desde setembro, temos visto ações massivas com o objetivo de disseminar “falsa informação”, “desinformação” e criar “decepção” e “dúvida” em relação a Dilma. São conceitos típicos dessa área militar, mas usados também em batalhas políticas ou corporativas – como podemos ler, por exemplo, nesse site.

Na atual campanha, nada disso é feito às claras, até porque tiraria parte do impacto. Mas é feito às sombras, com a utilização de uma rede sofisticada, bem-treinada, instruída. Detectamos nessa campanha, desde a reta final do primeiro turno, 4 ondas de contra informação muito claras.

1) Primeira Onda – emails e ações eletrônicas: mensagens disseminadas por email ou pelas redes sociais, com informações sobre a “Dilma abortista”, “Dilma terrorista”, “Dilma contra Jesus”; foi essa técnica, associada aos sermões de padres e pastores, que garantiu o segundo turno.

2) Segunda Onda – panfletos: foi a fase iniciada na reta final do primeiro turno e retomada com toda força no segundo turno; aqueles “boatos” disformes que chegavam pela internet, agora ganham forma; o povão acredita mais naquilo que está impresso, no papel; é informação concreta, é “verdade” a reforçar os “boatos” de antes;

3) Terceira Onda – telemarketing: um passo a mais para dar crédito aos boatos; reparem, agora a informação chega por uma voz de verdade, é alguém de carne e osso contando pro cidadão aquilo tudo que ele já tinha “ouvido falar”.

4) Quarta Onda – pichações e faixas nas ruas: a boataria deixa de frequentar espaços privados e cai na rua; “Cristãos não querem Dilma e PT”; “Dilma é contra Igreja”; mais um reforço na estratégia. Faixas desse tipo apareceram ontem em São Paulo, como eu contei aqui.

O PT fica, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Reparem que agora o partido tenta desarmar a onda do telemarketing. Quando conseguir, a onda provavelmente já terá mudado para as pichações.

Há também a hipótese de todas as ondas voltarem, ao mesmo tempo, com toda força, na última semana de campanha. Tudo isso não é por acaso. Há uma estratégia, como nas ações militares.

O que preocupa é que, assim como nas guerras, os que tentam derrotar Dilma parecem não enxergar meio termo: é a vitória completa, ou nada. É tudo ou nada – pouco importando os “danos colaterais” dessas ações para nossa Democracia.

Reparem que essas ondas todas não foram capazes de destruir a candidatura de Dilma. Ao contrário, a petista parece ter recuperado força na última semana. Mas as dúvidas sobre Dilma ainda estão no ar.

Minha mulher fez uma “quali” curiosa nos últimos dias. Saiu perguntando pro taxista, pro funcionário da oficina mecânica, pro vigia da rua de baixo, pra moça da farmácia: em quem vocês vão votar? Nessa eleição, pessoas humildes- quando são indagadas por alguém de classe média sobre o assunto - parecem se intimidar. Uns disseram, bem baixinho: “voto na Dilma”, outros disseram “não sei ainda”. Quando minha mulher disse que ia votar na Dilma, aí as pesoas se abriram, declararam voto. Mas ainda com algum medo de serem ouvidos por outros que chamam Dilma de “terrorista”, “vagabunda”, “matadora de criancinhas”.

O que concluo: as técnicas de contra-inteligência de Serra conseguiram deixar parte do eleitorado de Dilma na defensiva. As pessoas – em São Paulo, sobretudo -têm certo medo de dizer que vão votar em Dilma.

Esse eleitorado pode ser sensível a escândalos de última hora. Não falo de Erenice, Receita Federal, Amaury – nada disso.

Tony teme que as o desdobramento final da campanha (ou seja a “Quinta Onda”) inclua técnicas conhecidas nessa área estratégico-militar: criar fatos concretos que façam as pessoas acreditarem nos boatos espalhados antes.

Do que estamos falando? Imaginem uma Igreja queimando no Nordeste, e panfletos de petistas espalhados pela Igreja. Imaginem um carro de uma emissora de TV ou editora quebrado por “raivosos petistas”.

Paranóia?

Não. Lembrem como agiam as forças obscuras que tentaram conter a redemocratização no Brasil no fim dos anos 70. Promoveram atentados, para jogar a culpa na esquerda, e mostrar que democracia não era possível porque os “terroristas” da esquerda estavam em ação. Às vezes, sai errado, como no RioCentro.

Por isso, vejo com extrema preocupação o que ocoreu hoje no Rio: militantes do PT e PSDB se enfrentaram numa passeta de Serra. É tudo que o que os tucanos querem na reta final: a estratégia, a lógica, leva a isso. Eles precisam de imagens espataculares de “violência”, da “Dilma perigosa”, do “PT agitador” – para coroar a campanha iniciada em agosto/setembro.

Espero que o Tony esteja errado, e que a Quinta Onda não venha. Se vier, vai estourar semana que vem: quando não haverá tempo para investigar, nem para saber de onde vieram os ataques.

Tudo isso faz ainda mais sentido depois de ler o que foi publicado aqui , pelo ”Correio do Brasil”: uma Fundação dos EUA mostra que agentes da CIA e brasileiros cooptados pela CIA estariam atuando no Brasil – exatamente como no pré-64.

Como já disse um leitor: FHC queria fazer do Brasil um México do sul (dependente dos EUA), Serra talvez queira nos transformar em Honduras (com instituições em frangalhos).

Os indícios estão todo aí. Essa não é uma campanha só “política”. Muito mais está em jogo. Técnicas de inteligência militares estão sendo usadas. Bobagem imaginar que não sejam aprofundadas nos dez dias que sobram de campanha.

Por isso, o desespero do PSDB com as pesquisas. Ele precisa chegar à ultima semana com diferença pequena. Se abrir muito, até a elite vai desconfiar das atitudes das sombras, vai parecer apelação demais.

Por último, uma pergunta: por que o “JN” adiou o Ibope – que deveria ter sido divulgado ontem? Porque Serra estava na bancada do jornal.

A Globo não quis constranger Serra com uma pesquisa ruim? Imaginem as pressões sobre Montenegro, de ontem pra hoje? O PSDB precisa segurar a diferença em 8 pontos no máximo.Para que a estratégina de ataque final, na última semana, tenha chance de surtir efeitos.

Estejamos preparados pra tudo. E evitemos entregar à turma das sombras o que ela quer: agressões contra Serra, contra Igrejas, contra carros de reportagem.

O Brasil precisa respirar fundo e passar por esse túnel de sombras em que acampanha de Serra nos lançou.