segunda-feira, 28 de março de 2011

MENSAGEM DE SAUDADE PARA JESA


Jesus, entregando o bolo que seu Adão, meu vizinho Chácara Eu Quero É Sossego, ganhou no bingo no São João de 2009..

Para a amiga Jesa, que partiu antes do combinado.

Jesa, gota serena!! Isso é que coisa que se faça com um amigo. Morrer de repente, sem aviso prévio, e pelas nossas costas. Ô mortezinha traiçoeira. Com você, é a terceira vez, que ela me leva amigos e companheiros da Extensão sem que eu esteja presente para, pelo menos, prestar as homenagens póstumas devidas. Primeiro foi o Cezário, depois o Edmundo e, agora, você. O destino, decerto, quis me poupar ou, talvez me punir, me deixando ausente para velar e me despedir dos amigos queridos. Recebi a notícia dessa fatalidade, primeiro pelo Yuri, seu genro, e depois choveu de telefonemas e e-mails do pessoal da Emater me informando desse infortúnio em pleno sábado. A notícia do seu falecimento me deixou sem graça e sem apetite para a feijoada na casa do meu irmão aqui em Parnamirim. A morte é, decisivamente, um estraga prazer e está sempre rondando por perto. O consolo é que a sua foice é democrática. Não respeita nome nem sobrenome e, nem mesmo, as pessoas que foram homenageadas com o nome o filho do Deus cristão – JESUS (o seu caso). Na 3ª feira (22-03) ela foi nos Estados Unidos e levou Elizabeth Taylor, correu para Rio Branco e levou você no sábado (26-03). Como disse o poeta Augusto dos Anjos: “É a morte esse danado número um, que matou Cristo e que matou Tibério.” Você e Liz Taylor foram mulheres muito bonitas na juventude. A beleza da atriz eu vi no cinema. A sua, eu ouvi falar por muita gente, e, tanto é verdade, que lhe apelidaram de “boneca”. Esse tratamento era o mais usual pelo pessoal mais antigo da Extensão, já que no serviço, tem “JESUS” no balde. (o seu, Jesus Noronha, a Jesus Caruta, o Jesus “cabeça branca”, o Jesus Popye e o Jesus motorista). Eu digo para os quatro que ficam que não se confiem muito no nome não!! Se da sua beleza da juventude que eu só alcancei os traços mais gerais, que lhe acompanharam na idade madura, eu não posso falar muito (pois uma coisa é ver, outra é contar, como diz o sertanejo), da sua competência profissional e dignidade pessoal posso falar com conhecimento de causa. Você sempre foi uma servidora exemplar e competente, que todas as direções que passaram pela Emater/Seater/Seaprof, fizeram questão de tê-la por perto trabalhando no Gabinete. Você conhecia a Instituição a ”palmo de gato” e todo servidor pelo nome. Por isso quando exerci a Diretoria Técnica da Emater e depois a Secretaria de Extensão Agroflorestal, você foi trabalhar comigo, como secretária e Chefe de Gabinete. Sou testemunha da sua competência técnica, do seu zelo e ética profissional. Você sabia tratar bem as pessoas e encaminhar corretamente as coisas burocráticas, que soterram os ordenadores de despesas de qualquer repartição. Você me ajudou muito e contribuiu para que eu saísse do analfabetismo digital. Pena que quando fui Secretário, não tivesse tido o prestígio suficiente, junto ao governador Jorge Viana, para conseguir sua nomeação para Chefe de Gabinete, com uma Gerência de nível 3 a que você fazia jus, precisava e merecia. (Tem gente que precisa, mas não merece). O máximo que pude fazer por você foi lhe conceder uma FC-5 (Função de Confiança de nível 5, a maior da Secretaria), que era de mil reais. Você era de confiança. Mesmo sem a remuneração a que tinha direito, você não se abateu e continuou a trabalhar com a mesma dedicação de sempre. Você tinha compromisso. A nossa convivência profissional evoluiu para uma relação de amizade que permaneceu, mesmo quando deixei a Secretaria, sem o “status” do cargo. Continuamos amigos, freqüentando a casa um do outro nas festas de aniversário, nas festas juninas na Chácara “Eu Quero É Sossego” e em outros momentos da nossa vida cotidiana. Posso testemunhar Jesus, que você foi uma mãe e pai (já que ficou viúva muito prematuramente), extremamente zelosa e protetora. Você cuidou bem de seus filhos e eu imagino a dor que a Maralice (como você a chamava) e o Júnior devem estar sentindo agora. É pena que você tenha tido tão pouco tempo para curtir seus dois netos. Da última vez que estive em Rio Branco e lá na Secretaria, você me cobrou uma visita. Eu não fui na sua casa e só voltei a revê-la no café da CEMATER, na 2ª feira (21-03), onde trocamos poucas palavras. Agora, não lhe verei mais e fico devendo, para sempre, essa visita. Amanhã, dia do meu aniversário, tenho certeza que você me ligaria prá me dar os parabéns e me desejar felicidades. Vou sentir falta do seu telefonema e da sua amizade. Só vou relevar essa desfeita porque sei que, nessas paragens siderais onde você repousa, a comunicação é difícil. Mas, se deixarem, faça um 21. Descanse em paz, Jesa. Ficando mais velho e também morrendo um pouco.

Marcão.

Um comentário:

Mara disse...

Meu querido amigo muito obrigada linda homenagem a nossa tão amada mãezinha. Sabemos que com toda certeza se você estivesse aqui seria o primeiro abraço que receberiamos. Nos (Maralice e Junior) Agradecemos muito, por todo respeito e amizade dedicados todos esses anos a nossa querida mãe.
Um forte Abraço
Mara Alice e José Varlindo Junior