terça-feira, 7 de outubro de 2014

AOS MEUS FILHOS



Foto: Clã dos Fernandes/Medeiros. Em baixo:Jussara, Eró. Jussarinha, Izolda, Lilina e Dadade  Atráz:Lucas, Kalen, Vilma, Ivone e Janaina.

Aos Meus Filhos

Não gosto muito de falar disso, mas é bom que meus filhos saibam, que eles são frutos do projeto generoso das esquerdas, mas particularmente, dos comunistas do Brasil. Explico. No início dos anos 70, conheci a mãe de vocês (Eró) em circunstâncias muito adversas. Havia uma ditadura no Brasil e a tia de vocês Izolda, havia sido presa e incursa na Lei de Segurança Nacional, apenas por ter distribuído uns panfletos na porta da fábrica Guararapes de confecções (onde hoje é o shopping Midway Mall), em Natal, contra o governo ditatorial. Naquele tempo, falar mal do governo, dava cadeia e tortura, não era essa moleza de hoje, que achincalham a nossa presidente, até com palavras de baixo calão, não respeitando, sequer, sua condição de mulher, mãe e avó.

Pois bem, naquela época, eu e Izolda militávamos no PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), do patriota Apolônio de Carvalho, que seria um dos fundadores do PT na redemocratização. Com ela presa na penitenciária João Chaves, que ficava nas imediações de onde hoje mora a Dadade, nós íamos visitá-la no domingo. D. Ritinha, sua mãe, Eró, eu o Silton, entre outros. Andávamos a pé, de Igapó a penitenciária, pois naquela época a estrada era de barro e não havia transporte até lá. Era uma caminhada penosa para uma senhora de idade como D.Ritinha. Porém, o mais penoso, era passar pelo constrangimento das revistas que os carcereiros faziam nas pessoas apalpando as partes íntimas das mulheres. Isso era um suplício para D. Ritinha, já sexagenária. A Eró achava que a Izolda não devia ter tido o “direito” de fazer isso com a mãe dela e todos na família a recriminavam. Recriminavam a pessoa física da Izolda, por subversiva, mas tinham uma certa indulgência com regime político capaz de tantas atrocidades, como as que fizeram com milhares de brasileiros, inclusive, a presidente Dilma Roussef, igualmente, presa, torturada e sentenciada por Tribunal Militar, de exceção.

Nessas idas e vindas para a penitenciária, pintou um namoro entre eu e Eró e entre Silton e Izolda. Eu casei com Eró, Silton foi assassinado, sob torturas, pela ditadura e Izolda foi para o Peru, onde constituiu família no exílio, nascendo de seu casamento com Oscar Huaranga, Jussara e Ernesto. Casei com Eró em 1975, vocês nasceram em 76 e 78, já na transição da ditadura para a democracia, e já pegaram um país melhor e também puderam exercer, desde cedo, suas cidadanias. Eu só fui votar para Governador aos 34 anos e para presidente aos 48 anos. Eleger Presidente da República diretamente foi só a partir de 1989.

Hoje, eu e Izolda, somos avós. Eu tenho apenas um neto e poucas cicatrizes da ditadura. Ela tem muitas cicatrizes e seis netos, uma proeza e uma lição de vida, para quem foi uma sobrevivente como a Dilma.

 Digo tudo isso porque me sinto no dever e na obrigação de alertar meus filhos e minha família sobre suas escolhas políticas num momento tão decisivo para o Brasil. Podem votar no Aécio, se quiserem. Saibam, porém, que essa decisão, é até um desrespeito e uma desconsideração pela nossa trajetória de vida. NENHUM VOTO PARA AÉCIO. VAMOS COM DILMA 13
Essa é a orientação para os “clãs” dos FERNANDES/MEDEIROS/ALVES/ OLIVEIRA

Marcos Inácio Fernandes.

Um comentário:

Gabriel Azevedo disse...

É... o trabalho foi árduo para quem tentou fazer uma oposição à essa ditadura sanguinária, jogou até a família contra ele. Sou primo de Silton, mas nem ao menos cheguei a conhecê-lo (tenho apenas 15 anos), mas tenho muita admiração pelo caminho que seguiu, infelizmente resultando nesse triste fim. Mas, deixaram uma herança grande para a esquerda brasileira: que não podemos deixar de lutar pela interesses da pátria.