Brasil
0 X 0 México
(Uma
análise apaixonada)
“Quanto
mais eu treino mais tenho sorte” (Tiger Woods, campeão
de golfe dos EEUU).
Nos esportes em geral e
no futebol em particular, nem sempre vence o considerado o melhor, muito menos,
o que jogou bem. A Espanha, atual campeã do Mundo e uma das favoritas dessa
copa, está voltando prá casa mais cedo. E o clichê se confirma: “futebol é uma
caixinha de surpresas”. Acho que essa copa ainda vai nos reservar muitas
surpresas. A primeira delas está ocorrendo fora das 4 linhas, com o nível de
organização e ausência de incidentes mais graves até o presente momento. Quem
apostava no caos, já perdeu.
Nos gramados, dignos de
Wembledon, a bola está rolando com fluidez e as estrelas estão começando a
mostrarem seu brilho. As redes já balançaram 60 vezes em 20 jogos, uma média de
3 gols por partida, prenunciando que essa copa promete.
Feitas essas
considerações, vamos ao Brasil e México. Adianto que meu palpite foi de 5 a
zero pro Brasil e perdi 5 reais. Meu placar era na verdade de 3 a zero pro
Brasil, mas na turma de amigos que se reuniu prá vê o jogo, já tinha no bolão 3
palpites com esse escore, então aloprei e tasquei 5, joguei chamando. Um
adendo. Nesse lugar que vi o jogo (a casa do Nilton Cosson), não se aceita placar
de empate nem contra o Brasil. É corrente positiva e otimista em favor do nosso
escrete começando pelos palpites. Como diz o amigo João da Embrapa, a gente está
aqui para brincar e torcer pelo Brasil e não prá ficar rico, mesmo porque, ninguém
fica rico com 200 reais. Quem quiser “secar” o Brasil, que o faça na casa da
“PQP”.
Um exemplo de como tem
muita gente torcendo contra a seleção e aconteça uma tragédia nessa copa é o
caso de um técnico da Embrapa de Rio Branco, colega do João, que fez numa roda
de colegas o seguinte comentário: “no jogo anterior torci pela Croácia e o
Brasil ganhou. Nesse, vou torcer pelo Brasil prá vê se o México ganha”. Não é
de dá nojo? Infelizmente conseguiram envenenar o espírito do brasileiro, que
está torcendo contra o Brasil, numa copa e na nossa casa, tudo em face de um
desgaste político do governo do PT. Nem em 70, em plena ditadura, onde os
gritos de gol se misturavam com os gritos dos presos políticos no pau de arara, se viu tanta revolta com o governo,
que interferiu até na escalação da seleção e pediu a cabeça do técnico João
Saldanha, que montou suas “feras” e classificou o Brasil.
Estou falando isso prá
dizer, que não é só a taça que está em jogo. Tem muito mais coisas em jogo,
inclusive a nossa auto-estima. Uns com vergonha do Brasil, outros vaticinando o
caos, que foi sintetizada na frase:”IMAGINA NA COPA!” que era sempre repetida
quando alguma coisa não funcionava direito. Como tudo está funcionando a
contento (ainda não faltaram bolas nem apitos), os corvos já começam a se
preocupar “COM O DEPOIS DA COPA”, mormente se o Brasil for campeão. Caso
aconteça, não tem como o governo e Dilma não auferirem dividendos
políticos/eleitorais. Por isso eu tenho mais medo do que pode acontecer fora de
campo do que dentro das 4 linhas.
Quanto ao futebol, em
si, só existem 3 variáveis possíveis: ganhar, perder ou empatar. O Brasil
jogando em casa e com a sua tradição futebolística é, sem dúvida, favorito.
Agora isso pesa! Essa obrigação de ganhar sempre e apresentar um bom futebol é
uma exigência quase compulsiva da nossa torcida. Uma torcida, onde todos
entendem de futebol e são técnicos em potencial. Ademais, ainda paira no ar, a
síndrome do “Maracanaço” de 50, onde também éramos favoritos e perdemos a final
para o Uruguai, quando apenas o empate nos bastava.
No recente Brasil e
México, o empate frustrou muita gente e outros acharam uma pelada, que deu até
sono. Pois eu considero que o Brasil jogou melhor do que contra a Croácia e se
não saiu vitorioso foi pelos 4 “milagres” do goleiro Uchoa, que o Brasil já
conhece. Ele, de fato, é um grande goleiro e também a sorte o bafejou. Além do
mais, o México sempre foi um adversário difícil para o Brasil e tem uma equipe
bem estruturada e jogou pelo empate, tanto assim que Júlio César não fez
nenhuma defesa difícil. Há que se reconhecer os méritos dos adversários e todas
as equipes que estão no mundial o fez por merecer. Não existe adversário fraco.
Outro aspecto a
considerar é a faixa etária da equipe brasileira, todos jovens, a grande
maioria jogando fora, todos bem de vida financeiramente (estão no topo) e
sofrendo a pressão de seus patrocinadores e da torcida. Não vejo uma liderança
na equipe. Não vejo um Didi, que quando o Brasil sofreu o 1º gol da Suécia na
final de 58, apanhou tranquilamente a bola no fundo da rede e impávido partiu
para o centro. Dizem que ele havia dito: lancem a bola para o Mané. E foi o que
se viu, o Brasil goleou os donos da casa por 5 a 2. Também em 62 e 70, na
final, começamos atrás e viramos. Não sei se hoje o nosso escrete, que não é
nem a sombra dos times de 58, 62 e 70, tem estrutura emocional para começar
perdendo numa possível final. Estou achando o time muito ansioso e com aquela
obrigação de ganhar.
Tomara que o espírito
do “Anjo das Pernas Tortas”, nosso fenomenal Garrincha, baixe na nossa
delegação e eles encarem a competição com naturalidade, simplesmente como uma
competição esportiva. Um campeonato que “não tem 2º turno,” como perguntou
Garrincha na final de 62, entre Brasil e Tchecoslováquia. Comenta-se que ele
havia dito: “espere, a gente vai jogar de novo contra o São Cristovão? (a
camisa da Tchecoslováquia era branca como a do São Cristovão do Rio). Era que o
Brasil tinha empatado em zero a zero no seu 2º jogo com os Tchecos. Responderam
ao melhor jogador daquela copa, é a final Garrincha e ele retrucou já? Que
campeonatozinho peba, não tem nem 2º turno”. O Brasil ganhou de 3 a 1 e
sagrou-se bi-campeão mundial.
Espero que a final seja
entre Brasil e México e o placar de 62, se repita, numa feliz coincidência. E
se perder, faz parte, desde que seja lutando até o último minuto da
prorrogação. Pois como diz o Junior, cunhado e amigo: “o jogo só termina quando
acaba.”